<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-36459076</id><updated>2012-01-30T21:03:18.133-08:00</updated><category term='http://www.blogger.com/img/gl.photo.gif'/><title type='text'>Nirgends</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://andreafaggion.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://andreafaggion.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Niemand</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05507574057753299136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>75</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36459076.post-7604893354356175883</id><published>2010-08-25T11:24:00.000-07:00</published><updated>2010-08-25T11:40:36.438-07:00</updated><title type='text'>Algumas reflexões sobre a filosofia, seu ensino e sua história</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/THVh870Y2aI/AAAAAAAAA4U/ybbrgXui2xc/s1600/filosofia.PNG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/THVh870Y2aI/AAAAAAAAA4U/ybbrgXui2xc/s320/filosofia.PNG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5509417418635139490" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;No momento em que comemoramos 10 anos do curso de graduação em filosofia da UEM, parece-me que o mais apropriado seja que façamos uma reflexão justamente acerca do ensino de filosofia em nível universitário. Na verdade, ao que tudo indica, embora aqueles que têm a filosofia como ofício gabem-se do caráter essencialmente reflexivo de seu trabalho, pouco se pesquisa, se discute, se estuda... sobre o próprio ensino de filosofia e, consequentemente, sobre o filosofar em si. Via de regra, reproduzimos quase que mecanicamente os usos e costumes de nossos antigos mestres. A situação torna-se então especialmente problemática quando constatamos que, na maioria das vezes, o que se chama de filosofia no Brasil – mesmo quando lançamos os olhos para além das salas de aula, isto é, para os textos publicados – parece ser pura e simplesmente o trabalho de exegese dos clássicos da história da filosofia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, em princípio ao menos, não é auto-evidente que o conceito de “filosofia” seja co-extensivo ao conceito de “história da filosofia”, de modo que se encare com tamanha naturalidade que o trabalho filosófico por excelência seja o trabalho hermenêutico da descoberta do sentido de um conceito no contexto da obra de um dado autor. De fato, a lógica dos filósofos e o bom senso dos homens comuns já nos obrigariam a distinguirmos entre o que seria a filosofia e o que seria, afinal, apenas sua história. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, por que, então, o filósofo brasileiro parece tão determinado a restringir sua atividade ao exercício da exegese? A resposta mais natural parece se amparar em uma crença tacitamente compartilhada de que a filosofia, a rigor, não seria uma atividade para mortais. O filósofo, rigorosamente falando, seria um ser iluminado, dotado de talentos cognitivos sobre-humanos, de tal forma que, ao dizer-se “filósofo”, o pobre professor passaria o ridículo de reivindicar para si, arrogantemente, um dom divino que o imortalizaria ao lado de um Platão ou de um Kant. Assim, ao que parece, no imaginário da academia brasileira, filósofos seriam Platão, Aristóteles, Kant... enquanto nós, simples mortais que nos ocupamos da filosofia, seríamos intérpretes das idéias de Platão, Aristóteles, Kant... Quase como sacerdotes que deveriam decifrar mensagens oraculares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falo sempre dos brasileiros, porque me parece que podemos constatar que uma visão tão edificante da filosofia e uma consequente atitude de perniciosa modéstia intelectual não estão presentes nos departamentos de filosofia de outros países, notadamente, é claro, naqueles departamentos de nações anglófonas, onde a historiografia parece ser praticada como atividade principal apenas por uma minoria. Neste momento, talvez eu possa justificar a referência à filosofia analítica no título de meu texto, sendo esta, ao que tudo indica, a vertente filosófica predominantemente praticada nos países anglófonos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, a princípio, não me parece que seja possível formularmos alguma concepção geral que reunisse todas as várias vertentes internas da filosofia analítica e que seria ainda uma concepção da qual pudéssemos deduzir um método único para o ensino de filosofia. O que me parece haver é algo como um modo de se conceber a própria atividade filosófica, que seria compartilhado pelos filósofos analíticos e do qual decorreria uma certa postura perante o ensino de filosofia. Falo da filosofia entendida como análise do significado de enunciados, ou como uma crítica da linguagem, e de uma decorrente intolerância hermenêutica, convertida, muitas vezes, até mesmo em um desdém diante dos clássicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste sentido, parece que podemos fazer uma constatação factual. Em contraposição aos professores de filosofia que, no Brasil, limitar-se-iam, no mais das vezes, a uma exegese modesta e caridosa dos textos clássicos da filosofia, haveria um grupo de professores, representado também no Brasil, que se auto-intitulariam como filósofos analíticos por não se limitarem (ou mesmo por não fazerem de modo algum) à reconstrução dos argumentos dos clássicos, fazendo incidir sobre eles também a crítica, senão a total e absoluta desconsideração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Crítica”, esta parece ser a palavra-chave para a divergência metodológica crucial que flagramos aqui. A propagação pelos cursos brasileiros de filosofia do chamado “método estruturalista” – que, segundo consta, teria origem francófona no “Cours de linguistique générale” de Ferdinand de Saussure – pode ter disseminado, ou ao menos ajudado a disseminar, simultaneamente, a percepção de uma autoridade acima de qualquer crítica com a qual seria investida a figura do filósofo clássico. Afinal, poderíamos dizer que o método estruturalista seria o método anti-crítico por excelência, porque ele se propõe a abordar qualquer texto como um sistema fechado e ensimesmado, no qual cada um dos elementos só poderia ser compreendido a partir das relações de equivalência ou de oposição que manteria internamente com os demais elementos do mesmo texto. Assim, resulta que um dos pilares do método estruturalista seria justamente a incomensurabilidade dos sistemas e das obras filosóficas. Desta forma, conclui-se que não haveria doutrinas pura e simplesmente equivocadas, mas apenas doutrinas incompatíveis com os princípios, valores e compromissos de um sistema filosófico alheio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, uma doutrina que não pode ser julgada equivocada também não pode ser qualificada como correta. Tal doutrina pode apenas ser consistente com os princípios, valores e compromissos do sistema filosófico no interior do qual foi desenvolvida. Com isso, dado um sistema filosófico, ou pura e simplesmente uma obra filosófica, cabe ao intérprete descobrir sua economia interna, desvelar sua estrutura, expor seus argumentos... sem dispor de qualquer instrumento para exprimir objetivamente qualquer tipo de juízo de valor sobre ela. Em outras palavras, a autoridade de cada filósofo, conferida pela consagração da permanência no tempo, é incontestável, cabendo ao intérprete apenas escolher, conforme sua própria idiossincrasia, aquele cujas idéias mais lhe convêm, seguro de que jamais poderá ter sua escolha desafiada. Assim, enquanto o analítico perguntaria, por exemplo: “Quais as condições para que enunciados causais possam ter sentido?”; o estruturalista perguntaria, por exemplo: “Como David Hume concebe a causalidade em sua obra Tratado da Natureza Humana?” Já o texto que lhes apresento pergunta-se pura e simplesmente qual das duas perguntas deveríamos fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A princípio, o único a fazer uma pergunta verdadeiramente filosófica, e não meramente historiográfica, seria o filósofo analítico. Da mesma forma, o filósofo analítico seria o único a dispor de instrumentos que lhe capacitariam para uma crítica a Hume, para nos limitarmos a nosso exemplo, pois a resposta à sua pergunta quanto a condições de sentido seria, ao mesmo tempo, um critério que lhe permitiria avaliar concepções alheias no âmbito do mesmo problema. Com isso, o filósofo analítico, mantendo-se fiel ao espírito que perpassa, por exemplo, as tão diferentes obras de Wittgenstein, concebe sua atividade sem qualquer pretensão edificante, despindo também a tradição filosófica de sua aparência de profundidade, ao mostrar os limites por ela ultrapassados com tais pretensões, no que consiste em uma verdadeira “terapia da linguagem”. Neste sentido, não é difícil entender por que o filósofo analítico, sendo o avesso do estruturalista, tantas e tantas vezes, simplesmente descarta, em um só golpe de vista, mais de dois milênios de filosofia. Por conseguinte, enquanto o estruturalista funde filosofia e história da filosofia, ao menos para a prática dos simples mortais, o analítico tende a separar radicalmente as duas searas, crente que quem cultiva um campo nada tem a dizer sobre o outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando nos deparamos com esse contexto, compreendemos uma certa urgência do chamado “Zurück zu Kant”, filósofo que, a um só tempo, mas por razões diferentes, pode ser retratado como fundador e opositor da filosofia analítica. Tendo sido Kant talvez o primeiro grande filósofo a fazer carreira como professor universitário, é compreensível que a reflexão sobre a filosofia e seu ensino, bem como sua história permeie seu legado filosófico. Por isso, ficou famosa a máxima kantiana segundo a qual não se ensina a filosofia, mas apenas o filosofar. O problema é que, contrariando seu espírito, tal máxima parece ter sido mais mecanicamente repetida do que verdadeiramente compreendida. Vejamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que poderíamos entender por “ensinar filosofia”? Penso que, na expressão, o termo “filosofia” designaria um corpo doutrinal historicamente constituído, que seria repassado de geração para geração, em um processo que geraria ou o acúmulo linear de novos conhecimentos ou um número sem fim de revoluções paradigmáticas. De qualquer modo, “ensinar filosofia”, no sentido de ensinar um conteúdo seu, só poderia significar justamente a transmissão do que Kant chama de conhecimento meramente histórico da filosofia, malgrado sua origem racional. Neste ponto, vale notar que Kant não entende por conhecimento meramente histórico da filosofia aquilo que fazemos simplesmente ao tomarmos por objeto de estudo a obra de um dado filósofo, mas, sim, exatamente, o fato de o fazermos mecanicamente:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Qualquer conhecimento dado originariamente, seja qual for a sua origem, é histórico naquele que o possui, quando esse não sabe nada mais do que aquilo que lhe é dado de fora [...] Por isso, aquele que aprendeu especialmente um sistema de filosofia, por exemplo o de Wolff, mesmo que tivesse na cabeça todos os princípios, explicações e demonstrações, assim como a divisão de toda a doutrina e pudesse, de certa maneira, contar todas as partes desse sistema pelos dedos, não tem senão um conhecimento histórico completo da filosofia wolffiana. Sabe e ajuíza apenas segundo o que lhe foi dado. Contestais-lhe uma definição e ele não sabe onde buscar outra. Formou-se segundo uma razão alheia [...]. Compreendeu bem e reteve bem, isto é, aprendeu bem e é assim a máscara de um homem vivo" (KrV, A 836/ B864).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fica claro por esta riquíssima passagem que a crítica, na verdade, mesmo o desprezo de Kant dirige-se àqueles que, ao se debruçarem sobre a história da filosofia, julgam ser necessário deixarem em suspenso a autonomia de sua própria razão, ou seja, àqueles que fazem história, sem, ao mesmo tempo, filosofar. Na seqüência das linhas que citei, Kant deixa claro que é preciso que o leitor seja capaz da crítica e mesmo da rejeição ao sistema estudado se não quiser se tornar a tal “máscara de um homem vivo”, isto é, aquele que, em vez de pensar, imita o pensador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com isso, é evidente que Kant não prega o abandono da história da filosofia para a formação do filósofo, e nem poderia ser diferente, uma vez que ele próprio foi um estudioso atento, por exemplo, de Wolff, que ele justamente usa como seu exemplo. O que Kant não toleraria seria o ensino da filosofia, entendido como ensino da história da filosofia, que visasse castrar no aluno qualquer propensão à crítica e à rejeição do sistema estudado. Pelo contrário, sendo a filosofia um conhecimento racional por excelência, o ensino da história da filosofia deveria ser instrumentalizado exatamente no sentido da formação da capacidade crítica, e isto em benefício da própria filosofia, uma vez que, segundo Kant, a razão: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"nas suas investigações transcendentais, não poderá olhar à sua frente tão confiantemente, como se o caminho que percorreu venha a conduzir diretamente ao fim; nem contar com as premissas que tomou, com tanta audácia, por fundamento, que não sinta a necessidade de se voltar muitas vezes para trás e ver se por acaso não se descobrem, na marcha dos raciocínios, erros que lhe teriam escapado nos princípios e tornassem necessário ou determinar melhor esses princípios, ou mudá-los completamente" (KrV, A 735-736/B 763-764).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem, uma razão que tem em vista constantemente a necessidade de refletir sobre a marcha de seus raciocínios não pode ser uma razão que, a maneira de alguns analíticos contemporâneos, desdenha de sua própria história. Pelo contrário, uma razão propositalmente ignorante da história da filosofia parece ser exatamente uma razão equivocadamente segura de seus princípios, o que é impossível em investigações transcendentais, quer dizer, em investigações que têm à disposição apenas relações abstratas entre meros conceitos, como também pensam os analíticos. Por outro lado, a mesma razão parece ter muito pouco ou nada a ganhar se, ao voltar-se para sua história, o faz ao modo dos estruturalistas, proibindo a crítica por princípio metodológico, ou seja, calando-se a si própria. A boa história da filosofia, perante o olhar kantiano, é aquela feita pelo historiador filósofo, que é aquele que tem a ousadia de dizer mais do que o autor estudado efetivamente disse, por dizer também o que ele deveria ter dito no lugar do que de fato disse. Em suma, para Kant, devemos fazer história da filosofia apropriando-nos da obra estudada e mantendo-a viva dentro de nós. Daí que ele tenha nos dito que podemos compreender um filósofo melhor do que ele próprio. Fosse estruturalista, ao contrário, teria dito que, se pensamos que o filósofo errou, é porque não o entendemos ainda, um princípio de caridade hermenêutica do qual uma razão autônoma jamais seria capaz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Retomando assim a questão que formulei nesse texto acerca justamente de qual seria a pergunta mais apropriada àquele que se ocupa da filosofia, aquela do estruturalista ou a do analítico, a resposta seria que a questão do analítico (“Quais as condições para que enunciados causais possam ter sentido?”) não pode ser respondida sem o diálogo com a tradição, sob pena de converter-se em puro e simples dogmatismo arrogante, ao não se dar conta dos erros já cometidos e das descobertas já feitas. Por outro lado, a questão do estruturalista (“Como David Hume concebe a causalidade em sua obra Tratado da Natureza Humana?”) só pode ser verdadeiramente respondida por quem toma para si o problema de Hume, fazendo dele o motor de seu próprio pensamento. Assim, embora a questão do filósofo, algo como “o que é a causalidade?”, seja essencialmente diferente da questão do historiador, algo como “o que Hume pensa que seja a causalidade?”, o filósofo não pode deixar de ser historiador, já que é a leitura crítica da tradição que determina a racionalidade de sua própria posição, e o historiador não pode deixar de ser filósofo, visto que uma restrição à reprodução mecânica do pensamento alheio só poderia consistir em um treinamento para a imbecilidade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36459076-7604893354356175883?l=andreafaggion.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://andreafaggion.blogspot.com/feeds/7604893354356175883/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36459076&amp;postID=7604893354356175883' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/7604893354356175883'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/7604893354356175883'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://andreafaggion.blogspot.com/2010/08/algumas-reflexoes-sobre-filosofia-seu.html' title='Algumas reflexões sobre a filosofia, seu ensino e sua história'/><author><name>Niemand</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05507574057753299136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/THVh870Y2aI/AAAAAAAAA4U/ybbrgXui2xc/s72-c/filosofia.PNG' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36459076.post-6654647575703014597</id><published>2009-10-30T07:57:00.001-07:00</published><updated>2009-10-30T08:00:41.692-07:00</updated><title type='text'>A Última Billie Jean</title><content type='html'>&lt;a href="http://img527.imageshack.us/img527/6008/bjultima.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 600px; DISPLAY: block; HEIGHT: 200px; CURSOR: hand" border="0" alt="" src="http://img527.imageshack.us/img527/6008/bjultima.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um ente nasceu ou se metamorfoseou como Michael Jackson há 25 anos em um especial de TV que comemorava os 25 anos da gravadora Motown. Foi o primeiro moonwalk... A primeira aparição do artista de Billie Jean. Fred Astaire e Gene Kelly, maiores dançarinos da época de ouro de Hollywood, ficaram simplesmente maravilhados. Astaire, aliviado, chegou a confessar que morreria em paz tendo encontrado seu sucessor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De lá para cá, Billie Jean foi evoluindo sem jamais perder sua identidade original. Cada vez mais teatral, como diria Spielberg, ressaltando a luva única... a inesquecível fedora. Nosso Carlinhos de Jesus assinava embaixo, lembrando-se ainda da idéia genial das meias brancas, destacando os pés da entidade em movimento. Talvez atingindo o ápice da teatralidade na performance do clássico na turnê do álbum HIStory, Michael chegava com uma maleta e montava o personagem diante de todos para, finalmente, adentrar o spot de luz... momento de pura magia ("eu sempre terei que fazer Billie Jean no spot de luz rsrs" ~ MJ).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então veio a turnê final ("the final curtain call") - This Is It. A turnê virou filme. Ninguém precisa relembrar por que. Como seria Billie Jean? Ela estaria lá? Ele... teria... tido... tempo? Vieram as chamadas para a TV, os traillers, o set list... Billie Jean estava lá, mas apenas como música sobreposta posteriormente a outras performances. Ele... não... teria... tido... tempo? Não, não era possível acreditar que aquela entidade faria seu ato final sem a assinatura de sua obra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filme This Is It caminha para o fim. As esperanças vão ficando para trás. Pela primeira vez, vemos não só a criatura do gênio, como seu ato de criação. As ordens para cada nota em seu devido lugar, a atenção a cada detalhe técnico. Porém... nada de Billie Jean! De repente... Kenny Ortega (não consigo mais pensar nesse nome sem ouvir a voz de Michael fazendo piada com sua sonoridade latina) aparece dizendo: "Michael estará com uma maleta executiva". Pronto! É o momento, já sabemos que a recriação dar-se-á justamente a partir de HIStory. Espera-se que o próximo take já traga MJ com a maleta e a mágica se dê pela última vez. A última Billie Jean!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não acontece. Ele apenas planeja a posição da luz e como seu corpo será envolvido por ela, em que momento, de que maneira. Mas então, eis que um tanto de improviso, sem qualquer cenário, sem o figurino, sem efeitos... ironia das ironias... a última Billie Jean sequer tem o spot de luz e a fedora. A última Billie Jean é puramente Michael, para aqueles que ainda duvidavam de onde vinha a magia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começa devagar... "a-ha, não é tão bom quanto na era HIStory", já se apressam os mais céticos. Vai ficando mais rápido, mais preciso, o novo arsenal de passos vai aparecendo. A platéia vai se formando. Dançarinos e técnicos se aglomeram aos pés dele. No fim, saltam, agarram a própria roupa, socam o ar, gritam... deliram com o que viram... Kenny Ortega ("Orrrtêga" by MJ), um dos coreógrafos mais bem sucedidos da atualidade, se aproxima em êxtase da entidade: "Isto aqui é um templo... eu sou seu devoto". E this is it...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36459076-6654647575703014597?l=andreafaggion.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://andreafaggion.blogspot.com/feeds/6654647575703014597/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36459076&amp;postID=6654647575703014597' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/6654647575703014597'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/6654647575703014597'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://andreafaggion.blogspot.com/2009/10/ultima-billie-jean.html' title='A Última Billie Jean'/><author><name>Niemand</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05507574057753299136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36459076.post-5708014065499945137</id><published>2009-10-27T09:04:00.000-07:00</published><updated>2009-10-27T09:46:43.492-07:00</updated><title type='text'>A Farsa do Diploma</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/SucacVdoMkI/AAAAAAAAA4I/jMFDhb8fjEY/s1600-h/diploma_pago.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 300px; FLOAT: left; HEIGHT: 300px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5397311752526901826" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/SucacVdoMkI/AAAAAAAAA4I/jMFDhb8fjEY/s320/diploma_pago.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Até que enfim, ouço a farsa do diploma sendo exposta em rede nacional de TV. O fato noticiado era a alta procura pelas vagas de gari na cidade do Rio de Janeiro, com direito a nada menos do que 50 doutores inscritos e mais de mil graduados. Felizmente, o especialista em relações de trabalho ouvido pelo noticiário para explicar a situação não se ateve à consideração talvez mais banal: nossa economia, tão louvada pelos admiradores do presidente Lula, tem um ritmo de crescimento medíocre demais para absorver tantos candidatos ao mercado de trabalho. Mas não é só isso...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não quero aqui desmerecer o trabalho dos garis, apenas não estou interessada em medir a utilidade social, digamos assim, de profissão alguma. O que me interessa, especificamente, é o fato dessa profissão em especial não requerer grande formação intelectual, como atesta o próprio edital que convoca o concurso ao exigir apenas o ensino fundamental. Ora, além da falta de vagas, o que mais então empurra um diplomado para uma profissão que requer apenas um décimo de sua titulação? Simples, como destacou a reportagem, mesmo que sem maiores aprofundamentos, estamos colhendo os frutos da má formação escolar. Ou seja, diferentemente do que muitos querem fazer parecer, não adianta nada manter o sujeito nos bancos escolares por anos a fio apenas para lhe oferecer um canudo ao final da jornada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antigamente, sabíamos que nossos avós seriam inaptos para o exercício de certas profissões, porque eles concluíam apenas o primário. Agora, estamos diante de uma nova realidade: a turma do primário mal feito, como diria o Zé Simão, que, graças à progressão continuada (explícita ou não), virou também a turma do secundário mal feito, do ensino superior mal feito... Eles obtêm o tão almejado diploma, mas não a competência necessária para o exercício da profissão. Resultado: viram garis do mesmo jeito!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Está mais do que na hora de encararmos de frente o fato de que o aumento do grau de escolaridade dessas pessoas não passou de uma grande armação, literalmente, para gringo ver. Talvez, estejamos impressionando o Banco Mundial e não sei mais quais organismos internacionais que possam se entusiasmar com esses índices, mas quem contrata sabe que não pode contar com esses profissionais para nada. Pelo contrário, seus avós, do tempo do primário bem feito, deviam estar mais bem qualificados do que eles, com seus mestrados e doutorados que só servem para ocuparem uma moldura na parede.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Está na hora, acima de tudo, de uma mudança de mentalidade. Infelizmente, o Brasil elegeu um chefe de Estado sem diploma, não por desvalorizá-lo, mas por não valorizar o próprio conhecimento. Se déssemos valor ao "saber fazer" em si, nem precisaríamos perguntar a alguém se ele possui um diploma ou não. Simplesmente, observaríamos sua conduta profissional e seus resultados. Ora, estas são coisas para as quais nossas escolas não estão preparando ninguém. Estamos apenas usando o diploma como um escudo para farsantes. Uma jogada que vai ficando manjada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um exemplo: decretos governamentais exigem um diploma para a ocupação desse ou daquele cargo, então facilita-se a obtenção desse diploma. Damos, com isso, a aparência de termos pessoas qualificadas ocupando aquelas vagas, quando, na verdade, elas ficariam melhor se estivessem vazias, afinal, ao menos assim não causariam tantos estragos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tornarei meu exemplo mais concreto. Um decreto do governo do PR exige que, dentro de alguns anos, os professores de filosofia da rede estadual de ensino sejam todos formados em filosofia. Paralelamente, um programa da Capes propõe às universidades públicas que ofertem cursos para turmas fechadas (portanto, sem processo seletivo) de professores da rede a fim de que eles obtenham o diploma referente às disciplinas em que lecionam fora de suas áreas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Particularmente, eu acredito que um historiador auto-didata poderia dar uma aula de filosofia muito melhor do que a de um dos tantos licenciados em filosofia mal formados que existem por aí. Porém, sejamos francos, a grande maioria dos professores da rede pública de ensino não domina nem mesmo o básico de sua própria área. Alguém aí acredita que vão dominar os conhecimentos de uma segunda área por causa de um curso rápido de finais de semana que não reprovará ninguém nem na entrada nem na saída?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, quem se importa com os conhecimentos que eles dominam? Ouvimos argumentos do tipo: "pior é que não vão ficar". Não sei, honestamente, não sei se conseguiríamos piorá-los, mas sei que uma coisa vai mudar na situação deles: eles receberão um diploma que funcionará como um escudo protetor mantendo-os nas vagas que ocupam. E, depois, vamos entrar para o primeiro mundo, porque conseguimos os jogos olímpicos. Então tá...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36459076-5708014065499945137?l=andreafaggion.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://andreafaggion.blogspot.com/feeds/5708014065499945137/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36459076&amp;postID=5708014065499945137' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/5708014065499945137'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/5708014065499945137'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://andreafaggion.blogspot.com/2009/10/farsa-do-diploma.html' title='A Farsa do Diploma'/><author><name>Niemand</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05507574057753299136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/SucacVdoMkI/AAAAAAAAA4I/jMFDhb8fjEY/s72-c/diploma_pago.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36459076.post-7648934527244419347</id><published>2009-07-29T11:09:00.000-07:00</published><updated>2009-07-29T11:11:56.041-07:00</updated><title type='text'>Ele Está de Volta!</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/SnCQpAuYCUI/AAAAAAAAAoo/Cb_1k6q9Snc/s1600-h/schumacher_400x283_gettyima.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5363946190441810242" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 226px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/SnCQpAuYCUI/AAAAAAAAAoo/Cb_1k6q9Snc/s320/schumacher_400x283_gettyima.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Não é que, às vezes, coisas boas também acontecem!! Go, Schummy, mostra para esses pangarés como é que se faz!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Felipe, nada contra você, mas, que tal, voltar só ano que vem?&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36459076-7648934527244419347?l=andreafaggion.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://andreafaggion.blogspot.com/feeds/7648934527244419347/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36459076&amp;postID=7648934527244419347' title='11 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/7648934527244419347'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/7648934527244419347'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://andreafaggion.blogspot.com/2009/07/ele-esta-de-volta.html' title='Ele Está de Volta!'/><author><name>Niemand</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05507574057753299136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/SnCQpAuYCUI/AAAAAAAAAoo/Cb_1k6q9Snc/s72-c/schumacher_400x283_gettyima.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36459076.post-2591100199011509649</id><published>2009-06-30T08:34:00.000-07:00</published><updated>2009-06-30T09:47:30.202-07:00</updated><title type='text'>Nosso Michael</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/SkpBmadDTDI/AAAAAAAAAog/jTfO4un8uDE/s1600-h/ensaio3.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5353163235275263026" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/SkpBmadDTDI/AAAAAAAAAog/jTfO4un8uDE/s320/ensaio3.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/SkpA_1vSkqI/AAAAAAAAAoY/20De8M7x2_Q/s1600-h/ensaio3.jpg"&gt;&lt;/a&gt;Peço perdão aqueles que nos acham patéticos, mas vou postar o texto abaixo para confortar meus amigos fãs e também para os curiosos que, diante do Michael Jackson da grande mídia, que voltou ao ataque antes mesmo que ele fosse enterrado, se perguntam como podemos ser tão loucos de amá-lo. Nosso Michael é este aqui, descrito por Miko Brando, uma das pessoas mais próximas a ele, bem como por qualquer outro que realmente tenha se aproximado dele:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Michael foi meu ídolo. Ele tem sido minha figura paterna desde que meu pai morreu. É estranho viver sem ele. Eu nunca serei o mesmo e eu não sei nem mesmo se eu superarei essa perda. É como perder seu companheiro, alguém que você sempre pensou que estaria ali. Simplesmente não é certo. Ele significava muito para mim. Eu me sinto como uma pessoa diferente da que eu era antes de quinta-feira. Eu me sinto perdido. Ele foi um bom amigo por tantos anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu guardo como um tesouro o tempo que passei com Michael. Nós íamos às compras juntos, íamos a Disneylândia, viajávamos, passávamos um tempo na casa do papai. Ele simplesmente vinha e montava acampamento na casa do papai por algum tempo. Eu gostava de conversar sobre música, comer junto e me divertir com Michael. Nós simplesmente éramos bons amigos, é o melhor modo de colocar isso. Ele sempre esteve lá para mim quando eu precisei dele e eu gostaria de pensar que eu sempre estive lá para ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu realmente não tenho uma única memória de Michael que não seja assim. É duro quando se trata de amigos de longa data como nós. Minhas melhores memórias são do tempo que nós passamos conversando, ele me abraçando, tendo boas conversas e eu fazendo-o rir. Eu realmente gostava de fazê-lo rir. Eu dizia uma poucas coisas, só umas poucas palavras no ouvido dele e eu conseguia uma risada dele. Rapaz, ele tinha uma risada contagiante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acima de tudo, Michael era uma pessoa que se importava com os outros. Ele tinha muito amor no coração. ele se importava com todo mundo, especialmente com as pessoas nas ruas. Ele não era metido, não tinha ego e ele tentava encontrar tempo para estar com todos, porque ele não queria ferir os sentimentos de ninguém. Se ele achasse que tinha feito algo errado, isso realmente o incomodava. Ele tinha mais amor do que qualquer um que eu conheça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Michael que eu via todo dia era um que amava seus filhos. Eles eram seu foco principal. Ele era um homem muito ocupado, mas ele sempre queria ter certeza de que as crianças estivessem sendo bem cuidadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que muitas pessoas talvez não saibam sobre Michael é como ele era bom com os negócios. A turnê que ele estava planejando é um exemplo perfeito. Ele era um perfeccionista e ele sabia exatamente o que ele queria e como conseguir. Tudo que dizia respeito à turnê tinha que ser aprovado por Michael. Simplesmente porque ele não vinha aparecendo na TV ou saído muito em público recentemente, isto não significa que ele não estivesse ocupado e ativo. Muitas pessoas têm especulado que ele estaria realmente estressado sobre a turnê, mas eu não acho que ele estivesse. Era a mesma rotina de turnês passadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu tenho pensado se haveria quaisquer similaridades entre Michael e meu pai, e eu não consigo pensar em nenhuma. Você já ouviu que os opostos se atraem? Eu acho que isso explica a amizade deles. Eles não tinham absolutamente nada em comum, mas quando você os coloca juntos, você não consegue separá-los. Ele amava o meu pai e eles passavam muitos dias juntos na casa do papai e em Neverland. Eles eram muito próximos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Michael foi providencial ajudando meu pai durante os últimos anos da vida dele. Por isso eu sempre estarei em débito com ele. Papai tinha dificuldades para respirar em seus últimos dias e ele passava muito tempo ligado ao oxigênio. Ele amava ficar ao ar livre, por isso, Michael o convidava para Neverland. Papai sabia o nome de todas as árvores e flores lá, mas, estando no oxigênio, era difícil ele andar por lá e ver tudo, um lugar tão grande. Assim, Michael conseguiu para o papai um carrinho de golf com um tanque de oxigênio portátil para ele poder sair e curtir Neverland. Eles simplesmente dirigiam por lá, Michael Jackosn, Marlon Brando, com um tanque de oxigênio em um carrinho de golf.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns dos melhores momentos que eu passei com Michael foram simplesmente aqueles em que estávamos sentados em um banco na rua principal da Disneylândia. Nós apenas sentávamos lá e observaríamos as pessoas. Algumas vezes, Michael estava disfarçado para não ser reconhecido, mas as pessoas sempre o reconheciam. Quando ele estava de mau-humor ou para baixo, eu simplesmente dizia: Michael, o banco, e isso o animava. Se eu sabia que ele queria se divertir, ou simplesmente sair, eu dizia: vamos ao banco, e nós íamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certamente, Michael Jackson em um lugar público como a Disneylândia atraía multidões e alguma vezes nós tínhamos que levar seguranças conosco. Mas eles não iam para proteger Michael, eles estavam lá para proteger a multidão. Ele nunca se preocupava consigo próprio, mas sim que alguém poderia se machucar no tumultuo de pessoas que queriam vê-lo. As pessoas simplesmente enlouqueciam quando elas viam Michael Jackson.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Michael raramente chorava, mas eu acho que ele estaria aos prantos com a reação à sua morte. Ele estaria maravilhado e feliz que tanto do amor que ele deu voltou das pessoas que ele amou. Eu acho que ele respiraria fundo e simplesmente diria: obrigado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A família ainda está planejando o funeral, mas eu acho que Michael iria querer uma celebração. Ele ia querer todo mundo lá. Ele amava seus fãs. Eu tenho convivido com um monte de grandes astros do cinema, mas os fãs de Michael são mais do que fãs. Ele sabia que os fãs tinham feito ele e ele não ia querer deixar ninguém de fora. Todo lugar onde ele ia, os fãs estavam lá. Ele me dizia que os fãs sempre sabiam o que ele estava fazendo. Eu não acho que alguém tenha tido fãs como os dele. Assim, Michael ia querer um funeral que incluísse seus fãs e os fizesse felizes. Ele iria querer dizer: Eu ainda estou com vocês e nós sempre estaremos juntos. Ele estava feliz e ele queria fazer todo mundo ao redor dele feliz. No final das contas, ele queria amor. No final das contas, Michael era amor."&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36459076-2591100199011509649?l=andreafaggion.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://andreafaggion.blogspot.com/feeds/2591100199011509649/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36459076&amp;postID=2591100199011509649' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/2591100199011509649'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/2591100199011509649'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://andreafaggion.blogspot.com/2009/06/nosso-michael.html' title='Nosso Michael'/><author><name>Niemand</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05507574057753299136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/SkpBmadDTDI/AAAAAAAAAog/jTfO4un8uDE/s72-c/ensaio3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36459076.post-1240461858541913514</id><published>2009-06-26T08:40:00.000-07:00</published><updated>2009-07-08T04:56:03.112-07:00</updated><title type='text'>"Eu não ficaria surpreso se a Terra parasse de girar amanhã"</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/Skd7sZadiUI/AAAAAAAAAoI/XPr7NtlwwNs/s1600-h/michaelcomfilhos.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5352382684819458370" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/Skd7sZadiUI/AAAAAAAAAoI/XPr7NtlwwNs/s320/michaelcomfilhos.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;No final das contas, foi Will.I.am quem resumiu tudo que estou sentindo agora. Eu não sei se ele era louco, só que ele era minha loucura. Obviamente, nunca lidei bem com isso. Imagine só. Uma menina metidinha à besta, posando de intelectual, escondendo uma pasta com recortes de jornais. Assim eu era aos 14, 15 anos... Mas a coisa começou muito antes e a verdade é que sempre soube que nunca iria terminar. Minha mãe sempre me conta a mesma história. Como era impossível me tirar da frente da tv quando eu tinha 2 ou 3 aninhos e os clipes de Thriller iam chocando o mundo um a um, chocando quase tanto quanto a notícia de ontem. Particularmente, minha primeira lembrança é mais tardia. Eu cantarolava Bad no caminho para a escola primária. Disso lembro bem... Aí, um dia, quando eu estava pelos 12 ou 13, vi a notícia de que o clip de Black or White (BOW, para os íntimos) iria fazer sua estréia em rede mundial. O mundo ia parar, os brasileiros, diante do Fantástico. Estava na casa do meu avô com a família. Implorei para irmos logo embora para eu não correr o risco de perder a oportunidade de gravar o acontecimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquele tempo, eu acompanhava tudo pelos jornais impressos e revistas (eu tinha um acordo com a dona da banca, ela me deixava folhear todas as revistas e eu comprava todas em que ele aparecesse). Engraçado! As matérias eram sempre ofensivas. Nada desse endeusamento desenfreado com o qual vocês estão sendo bombardeados agora. Lembro bem de uma reportagem que tirava sarro do clip seguinte a BOW (falando nisso, ele odiava que a gente dissesse "clip"): Remember the Time. O tom não era só jocoso, era rancoroso. Eu tomei a ofensa como pessoal, sei lá por que diabos, mas dei de ombros e recortei a foto. Guardo até hoje. Foi uma das primeiras. Talvez a segunda. A primeira mesmo foi uma que guardei com a maior vergonha, e só por consideração à minha tia. Ela recortou do jornal e me entregou: "é dele que você tanto gosta, não?" Eu guardei dobradinha no porta-moedas da carteira. Coisa de adolescente boboca guardar foto de ídolo pop. Tenho-a até hoje: com as dezenas de marcas de dobras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquela época, não existia internet (ele comemorou seu advento para se comunicar com os fãs). Coisa comum em casa era o grito: "Miiiichaaaeell"; vindo de alguém da sala. E lá vinha a Andrea trombando em todos os móveis para pular desesperada na frente da TV. Acabava a matéria, dane-se se falassem mal, eu dizia toda feliz: "eu vi ele, eu vi ele". É, com o erro assim mesmo, era assim que saía. Tinha virado a brincadeira da família (que parou para chorar junto comigo ontem).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, um dia, vi no jornal que a tal da internet tinha um site com notícias dele. Era feito pelos fãs. MJIFC, não? Eu tinha acabado de comprar meu primeiro computador. Pedia para minha mãe entrar no site no trabalho e salvar as notícias em um disquete. Oh, coisa boa, pela primeira vez na vida, notícias sem ódio, sem malícia. Ato contínuo, comecei a graduação e podia usar os computadores do laboratório da universidade. Demorava um século para uma foto carregar. Eu salvava todas em disquetes. Não tenho mais como abrir disquetes. Guardo todos em caixinhas até hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas eu pulei um pedaço da história. Entre os 12 e esses 17, eu comecei a encontrar a pessoa por trás da máscara, da fedora, do óculos, da luva... do artista. Cheguei no colégio um dia e fui presenteada por uma colega. Eram umas páginas arrancadas de uma revista que traduziam uma parte da auto-biografia dele (é, todo mundo que me conhece me presenteia com coisas assim). "O céu não tem que ser pintado de azul, o desenho não tem que estar no centro da folha de papel". Guardei essa frase até hoje. Precisava dizer alguma coisa a mais? Se precisava, ele disse no portão de casa, citando: "Minhas leis e as leis de Deus, vergonha a quem pensar mal disso".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não existia convenção social para esse homem. Costumes, nada disso o afetava. Ele era uma aberração mesmo. A imprensa sempre teve razão. Só uma aberração conseguiria ser tão trágica e dolorosamente individual. Se não era uma lei de Deus (a lei moral, para ele), não há regra neste mundo que ele não tenha violado. Na verdade, nem se tratava de violar. Elas simplesmente não existiam para ele. Por isso, ele estava tão fora do alcance da nossa compreensão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhar para ele era ter que encarar nossos limites. Por que somos como somos se não é necessário que o sejamos? Pois é, através dele é que descobríamos que não era necessário que o fossemos: "E se eu quiser colocar uma pinta aqui [ele dizia apontando para a testa], e se eu quiser um terceiro olho?" A gente teria que dizer: "É, você pode, eu é que não dou conta de tolerar isso". Isso é que doía tanto em tantos. Isso é que o fazia tão odiado. Daí que eu fui aprendendo a razão de ser de tanto ódio contido naqueles meus primeiros recortes. O executivo da gravadora ordenava que ele tirasse fotos com alguma super-modelo, ele posava abraçado com o Mickey Mouse na Disney! Esse era o Michael. O único verdadeiro subversivo do pop. Por isso, o Peter Pan do Pop.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é que ele tivesse um intelecto infantil, fizesse beicinho e birrinha sem motivo. Nunca tive notícia de nada nesse sentido. Ele pregava a inspiração nas crianças, ao mesmo tempo em que esclarecia que não estava dizendo para fazermos criancices. Ninguém entendia! A criança dele era meio que um bom selvagem: a pessoa que ainda não foi determinada por convenções que soarão como dogmas instranponíveis, quando o próprio mecanismo da socialização tiver sido encoberto para nossos olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele era o Peter Pan. Nós, sua legião de fãs, os garotos perdidos. Liz Taylor, sua Wendy (e eu que achava que ele é quem sofreria a morte dela). No fundo, todo mundo sabia como a história terminaria. Peter não pode crescer. Os garotos perdidos têm que crescer. Eles se separam no final. Peter volta sem eles para Neverland. Mas a visita de Peter em nossa janela à noite, nossa temporada na Terra do Nunca... nada foi em vão. Nós ficamos, ele se foi, envelheceremos, ele não! Mas será que cresceremos mesmo? Mentira! Só guardaremos as aparências. Antes de partir, ele ensinou o essencial: "Neverland é um lugar na mente". Aquela que ele construiu na matéria era só um modelo sensível para a gente entender a idéia regulativa. A vida dele era também um modelo sensível dessa idéia regulativa. Agora a gente entendeu. A missão dele está cumprida. Podemos ficar para sempre na Terra do Nunca...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Keep Michaeling...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36459076-1240461858541913514?l=andreafaggion.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://andreafaggion.blogspot.com/feeds/1240461858541913514/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36459076&amp;postID=1240461858541913514' title='16 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/1240461858541913514'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/1240461858541913514'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://andreafaggion.blogspot.com/2009/06/eu-nao-ficaria-surpreso-se-terra.html' title='&quot;Eu não ficaria surpreso se a Terra parasse de girar amanhã&quot;'/><author><name>Niemand</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05507574057753299136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/Skd7sZadiUI/AAAAAAAAAoI/XPr7NtlwwNs/s72-c/michaelcomfilhos.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>16</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36459076.post-382212945090543020</id><published>2009-05-31T14:30:00.000-07:00</published><updated>2009-05-31T14:58:38.756-07:00</updated><title type='text'>Mendicância Disfarçada</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/SiL3JiXpq7I/AAAAAAAAAiI/S-AEs2SJ-Jc/s1600-h/mendigo.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5342103851231718322" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/SiL3JiXpq7I/AAAAAAAAAiI/S-AEs2SJ-Jc/s320/mendigo.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Sabe quando você está com alguém e ele encontra um conhecido com quem tem assuntos que não lhe interessam nem minimamente? Pois é, pessoas educadas se esforçam para participar da conversa, fingem interesse e tal. Já eu procuro desesperadamente por algo que me distraia no contexto... mesmo que seja uma revistinha da avon! Bom, ainda bem que não era de cosméticos, afinal, estas são até mais tediosas do que a conversa da qual eu fugia. Vendiam de tudo ali, de CDs a chinelos com penduricalhos. Mas o que chamou a minha atenção foi uma pulseirinha bem vaga-bunda. Com ela, queriam angariar fundos para uma cruzada contra a violência doméstica sofrida pelas mulheres brasileiras, uma causa que julgo das mais nobres, por sinal. O problema, para mim, então não era o fim, mas o meio: vender a tal pulseirinha. Você pagava uns R$5,00 e eles prometiam doar mais de R$4,00 para entidades e projetos em prol da causa. Como esta advertência vinha em destaque no anúncio e o produto era bem desinteressante, até para os padrões da revista, suponho que queriam convencer as pessoas a comprarem-no pelo bem da causa. Mas então por que não pedir o dinheiro para isso de uma vez?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembrei-me também do bonequinho ("Fernando", acho) da campanha do hospital do câncer de Londrina. A propaganda na TV deixa claro que o argumento para a compra não se baseia em nenhum benefício que o produto traria ao consumidor, mas sim na doação de parte do valor pago para o hospital. Ora, por que não pedem a doação de uma vez? O mesmo tem ocorrido frequentemente com quem faz campanha para caridade em prol de si próprio, ou seja, pede esmola. É o chavão da vez: "compre, por favor, para me ajudar". Bom, se o objetivo da minha compra for este, não é muito mais racional que eu dê o dinheiro e deixe o produto para lá? A própria confecção do produto não se torna um simples desperdício de matéria-prima, energia, tempo, etc... quando ele é convertido em simples máscara para a mendincância?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quer dizer, do ponto de vista ambiental, esse tipo de "comércio" não passa de uma agressão inútil à natureza. Do ponto de vista de nossos interesses egoístas, ele não passa de uma desculpa para que sejamos importunados com um verniz de legitimidade, afinal, oficialmente, isso não é mendicância. Já de um ponto de vista humanitário, ele provoca piedade, porque revela a absoluta inaptidão do boa parcela da nossa população para o livre mercado. Essa gente não tem a menor noção do significado da palavra "empreendedorismo". Criaram um conceito maluco de "comércio" sem contrapartida! Eles não têm condições de sobreviver, porque tudo que sabem fazer é &lt;em&gt;pedir&lt;/em&gt;, até mesmo quando parecem &lt;em&gt;vender&lt;/em&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36459076-382212945090543020?l=andreafaggion.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://andreafaggion.blogspot.com/feeds/382212945090543020/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36459076&amp;postID=382212945090543020' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/382212945090543020'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/382212945090543020'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://andreafaggion.blogspot.com/2009/05/mendicancia-disfarcada.html' title='Mendicância Disfarçada'/><author><name>Niemand</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05507574057753299136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/SiL3JiXpq7I/AAAAAAAAAiI/S-AEs2SJ-Jc/s72-c/mendigo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36459076.post-8210990872259443600</id><published>2009-05-24T10:02:00.000-07:00</published><updated>2009-05-24T11:10:25.413-07:00</updated><title type='text'>Viva a Lattescracia!</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/Shl_U8dBAKI/AAAAAAAAAh8/01Pj9FA5G-g/s1600-h/untitled.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5339438831026372770" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 236px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/Shl_U8dBAKI/AAAAAAAAAh8/01Pj9FA5G-g/s320/untitled.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Se minha memória não me trai, andei me queixando aqui mais de uma vez sobre o modo como os professores universitários são vistos e tratados pela sociedade de modo geral e pelas autoridades políticas em especial. Parece haver um entendimento (totalmente distorcido, diga-se de passagem) de que tarefa de professor é lecionar, portanto, se o indíviduo não está em sala de aula, não está trabalhando... Este é um dos lados da moeda. Neste post, quero falar do outro: da resistência que muitos professores universitários têm em prestar contas de seu trabalho fora de sala de aula.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, se um professor universitário TIDE T-40, no estado do Paraná, tem o "privilégio" de lecionar "apenas" entre 08 e 12 h/a por semana, supõe-se que o restante de seu tempo esteja sendo ocupado de modo igualmente edificante. Certamente, uma parte considerável deste tempo restante teria que ser, ao menos em tese, destinado ao preparo daquelas lições ofertadas. Alguma parcela de seu tempo será também destinada a orientações e, de modo geral, ao atendimento dos alunos. Atividades burocráticas e administrativas, como reuniões de departamento e organizações de eventos, consumirão outra fatia significativa do seu tempo útil. Mas, mesmo para este professor que, idealmente, prepara aulas, atende alunos, participa das decisões administrativas de sua instituição e trabalha com extensão, certamente, haverá ainda uma parte de sua carga horária total destinada a uma coisa chamada "pesquisa". Esta é, ou era, a caixa-preta das universidades públicas. Talvez, os maiores culpados pelo aumento da carga horária em sala de aula e das atividades administrativas, que esmagam o professor-pesquisador, sejam as figuras totalmente alheias à pesquisa que inundaram a universidade brasileira por tantas décadas de concursos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até hoje, para muitos professores universitários, a pesquisa é aquela cota de seu horário para a qual ele não presta contas de modo algum. É, ou era, difícil saber se o sujeito passa aquele tempo destinado à "pesquisa" batendo papo no corredor com um café em uma mão e um cigarro na outra... ou na biblioteca com a cara fincada em um livro... ou no meio de suas pipetas no laboratório. Não é à toa então que o meio universitário (não digo acadêmico) resista tanto às exigências de publicações das pesquisas impostas pelas agências responsáveis pela formação de pessoal de nível superior. Agora, estão abrindo a caixa-preta!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É difícil imaginar, quem dirá conceber, o que um professor-pesquisador poderia ter contra uma regra estipulando a necessidade de um mísero artigo publicado ao ano, por exemplo. Será que um professor que passa 12 meses sem escrever 10 páginas que sejam merece ter seu salário pago na qualidade de professor universitário? Ah, mas ele não dirá que não escreveu. Ele é muito produtivo, aliás! Ele apenas não publica! Ao contrário de você, ele está sempre trabalhando na nova &lt;em&gt;Crítica da Razão Pura&lt;/em&gt;, então o pobre certamente precisa dos mesmos 10 anos de silêncio tomados pela versão original até estar pronto para nos deixar ver uma pontinha dela que seja. Publicar resultados parciais? Nem pensar! Isto é para a plebe ignara que se dobra às exigências das agências.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não passa nem de longe pela mente dessas criaturas a compreensão do quanto à publicidade integra o núcleo essencial de todo saber que seja digno de ser tratado como tal. No melhor espírito daquilo que Kant - campeão de publicações com décado de silêncio e tudo - chamou de "egoísmo lógico", eles não acreditam que a submissão de seus trabalhos ao sistema de análise por pares seja a única pedra-de-toque de sua qualidade. Pior ainda, eles acreditam, possivelmente, que os únicos pares que merecem ouvi-los e ser ouvidos por eles são os poucos compadres que esporadicamente sentam ao redor de uma pequena mesa em seus gabinetes. Na melhor das hipóteses, pensam que os alunos servem como público crítico para atestar a validade de seus resultados. Tudo para justificar racionalmente o medo doentio de se exporem a uma audiência verdadeiramente crítica, que, virtualmente, incluiria qualquer doutor, portanto, um verdadeiro par seu, naquele assunto. Para horror dos horrores, a publicação, além de expô-lo potencialmente a qualquer crítico, ainda o faria por meio do registro escrito, portanto, propiciando a análise mais meticulosa e rigorosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, chega de falar dessa espécie temorosa da palavra escrita e da audiência crítica. Para resumir tudo em poucas palavras, o que procuro dizer é que a publicidade é dever da universidade! Dever da universidade, porque ela tem a obrigação de produzir conhecimento como legado para a humanidade, e não apenas de profissionalizar uns poucos. Acima de tudo, dever da universidade, porque ela tem a obrigação da objetividade e esta não existe sem o controle crítico intersubjetivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mundo da lattescracia ainda convive com os coronelismos da antiga academia brasileira. Não seremos ingênuos o bastante para negar esse fato. As mesmas exigências não caem ainda com o mesmo peso sobre todos. Mas os interessados na verdadeira profissionalização e modernização da academia brasileira precisam defender com unhas e dentes os critérios objetivos e quantificáveis, pautados em índices de produtividade, contra toda ameaça de retrocesso ao subjetivismo e à falta de transparência reinante até pouco tempo atrás.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36459076-8210990872259443600?l=andreafaggion.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://andreafaggion.blogspot.com/feeds/8210990872259443600/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36459076&amp;postID=8210990872259443600' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/8210990872259443600'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/8210990872259443600'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://andreafaggion.blogspot.com/2009/05/viva-lattescracia.html' title='Viva a Lattescracia!'/><author><name>Niemand</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05507574057753299136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/Shl_U8dBAKI/AAAAAAAAAh8/01Pj9FA5G-g/s72-c/untitled.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36459076.post-6181205389482644430</id><published>2009-02-22T12:32:00.000-08:00</published><updated>2009-02-22T13:07:07.600-08:00</updated><title type='text'>Sentenciados ao Trabalho</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/SaG2muVUN4I/AAAAAAAAAe4/OiMCw1ofuvw/s1600-h/adaeva.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5305722612407875458" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 255px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/SaG2muVUN4I/AAAAAAAAAe4/OiMCw1ofuvw/s320/adaeva.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Os textos bíblicos estão de longe de serem minha especialidade, mas, do pouco que me lembro da época do catecismo forçado, a expulsão do paraíso não era propriamente uma questão geográfica, digamos assim. O castigo de Adão e Eva não seria tanto uma mudança de uma Barra da Tijuca para uma Cidade de Deus, mas sim a criação da necessidade do trabalho, quer dizer, o primeiro casal (e, depois dele, todos nós) não mais poderia viver ao "Deus dará".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu até entendo que um emprego possa ser visto como um castigo, afinal, trata-se de uma clara limitação da sua vontade: você cumpre horários e segue várias outras regras heterônomas. Mas o trabalho em si? Será que é tão ruim assim alguém trabalhar pelo próprio sustento? Esta idéia do trabalho como castigo bíblico me parece contradizer o velho lema "capitalista" (?): "o trabalho dignifica o homem". Pois os esquerdistas que me desculpem, mais uma vez, mas penso que dignifique mesmo. Penso que o retorno ao paraíso (sonhado por Marx?), com as máquinas provendo tudo sem a intervenção de nosso esforço, seria a morte moral da humanidade. Vergonha àquele que não conquista seu sustento com esforço próprio e mais vergonha ainda àquele que, preguiçosamente, deseje isto, seja marxista ou cristão, cada um com seu modelo de paraíso para vaga-bundos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas este post nem é sobre isso... já desviei o assunto. Independentemente de ser necessário para o sustento ou não, o que me parece é que o trabalho, se não dignifica, ao menos, realiza o homem. O que poderia ser mais propriamente humano do que o desejo de ver se tornar realidade aquilo que, a princípio, não se passava de uma idéia em nossa mente, seja uma casa, um livro, uma plantação...? Esta me parece ser, inclusive, a mais feliz definição de vontade, aquilo que só o ser racional tem: a faculdade dos fins. Neste sentido, nada nos realizaria mais do que sabermos que fomos nós mesmos a causa da realização de nossos fins. Que graça seria se esta causa fosse Deus ou o Estado? Mas, se é assim, o trabalho não é um castigo, mas uma recompensa, uma distinção conferida. Portanto, trabalho e prazer não precisam estar dissociados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Infelizmente, contudo, parece que somos julgados quando não sofremos com nosso trabalho, quando ousamos, justamente, sentirmo-nos realizados por meio dele. É assim que eu, ao menos, me sinto na qualidade de pesquisadora. À parte do fato de que a atividade teórica-intelectual já, normalmente, passa por ócio por não derramar suor ou criar calos (marcas externas do bom castigo), há ainda a culpa que nos é imposta em virtude do prazer com que estudamos. Trabalho - ao menos me parece ser assim nas universidades paranaenses - é ler resoluções, analisar processos, frequentar reuniões, escrever relatos... ou qualquer coisa que possa ser uma versão burocrática do joelho no milho atrás da porta... Já estudar... se você tem gosto pela coisa, tem que ser hobby para os finais de semana, não o que verdadeiramente justifique seu salário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho para mim que parte desta fama de vaga-bundo do pesquisador também se deva aos professores improdutivos, que se aproveitam da possibilidade do tempo de pesquisa incluso na carga horária para, efetivamente, assistirem sessão da tarde deitados no sofá da sala, mas o fato é que enterrar a cara nos livros não me parece ser bom o bastante para as autoridades (políticas ou acadêmicas). Daí que eu esteja pensando que isto venha do rancor cristão-esquerdista que quer separar felicidade e trabalho. Nós que ousamos gozar no ato da produção, e não apenas com seu produto, somos os hereges que precisam ser expulsos do paraíso que teimamos em criar e condenados ao trabalho que faça sofrer: e eis que as horas para pesquisa diminuem cada vez mais no cômputo de nossa carga horária!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36459076-6181205389482644430?l=andreafaggion.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://andreafaggion.blogspot.com/feeds/6181205389482644430/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36459076&amp;postID=6181205389482644430' title='9 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/6181205389482644430'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/6181205389482644430'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://andreafaggion.blogspot.com/2009/02/sentenciados-ao-trabalho.html' title='Sentenciados ao Trabalho'/><author><name>Niemand</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05507574057753299136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/SaG2muVUN4I/AAAAAAAAAe4/OiMCw1ofuvw/s72-c/adaeva.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36459076.post-6638710998675052419</id><published>2009-01-12T13:30:00.000-08:00</published><updated>2009-01-12T13:56:48.367-08:00</updated><title type='text'>A Guerra e o Indivíduo</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/SWu2qv0GFjI/AAAAAAAAAeY/wVum3_w4jsU/s1600-h/guerra-fria.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 320px; height: 185px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/SWu2qv0GFjI/AAAAAAAAAeY/wVum3_w4jsU/s320/guerra-fria.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5290523032782509618" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Talvez nenhuma imagem já captada sintetize tão bem quanto esta aí em cima o preço que a humanidade paga ao travar uma guerra. O que vemos? Indivíduos inocentes sofrendo! Este é o horror da guerra. Não o uso da força pura e simplesmente. Dificilmente, a imagem de um terrorista assassinado pelo serviço secreto de uma grande potência causaria comoção mundial. O que torna a guerra inaceitável para muitos é que ela, assim como a explosão de um homem ou mulher-bomba, não escolhe o alvo. Mata indiscriminadamente!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesta matança, o indivíduo é dissolvido no conceito de povo. Um povo enfrenta o outro. Um povo tem razão e o outro, não. Um povo tem o direito de se defender, então o outro sofre. Como se formássemos uma massa só, com personalidade própria e, portanto, responsabilidade moral única. O israelense, para se defender, ataca o palestino. Lá se vai o conceito de cidadão do mundo, vale é cada bandeira. Claro, teoricamente, a guerra da vez é contra o Hamas, não contra o povo palestino. Mas alguém acredita que Israel bombardearia Nova York se tivesse notícia de um líder do Hamas escondido lá? Alguém responderia a isso: "não, justamente, porque não seria necessário, os americanos caçariam esses militantes". E eu teria a seguinte tréplica: "por isso mesmo se evidencia que a guerra é contra o povo palestino".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas e o pai palestino, que nunca militou pelo Hamas, e vê a casa em escombros, tendo que retirar deles o filho morto? Por este simples pai, ainda que fosse um caso único, a guerra já seria inaceitável. Afinal, seria justo se a polícia explodisse um quarteirão residencial para pegar um serial killer escondido ali? Quando todos têm como óbvio que a polícia não deve atirar quando há risco para civis inocentes, por que, na guerra, deveríamos nos esquecer dos inocentes? Por que a guerra transformaria assassinatos em algo mais? Porque, na barbárie da guerra, não há mais indivíduos racionais, só uma massa bestial. Interessantemente, na &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Antropologia de um ponto de vista pragmático&lt;/span&gt;, o mais próximo que Kant chega de uma resposta pronta para a pergunta "O que é o homem?" é que ele seria um ser que a natureza plantou em meio à discórdia, mas que tem a capacidade de, pela razão, chegar a um entendimento. Os bárbaros do oriente médio, neste sentido e neste momento, são a vergonha da humanidade. Por mais que, por dever, queiramos manter a fé racional em que a humanidade progrida constantemente para o melhor, eles dão crédito ao cínico que ri com escárnio diante desse enunciado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36459076-6638710998675052419?l=andreafaggion.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://andreafaggion.blogspot.com/feeds/6638710998675052419/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36459076&amp;postID=6638710998675052419' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/6638710998675052419'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/6638710998675052419'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://andreafaggion.blogspot.com/2009/01/guerra-e-o-indivduo.html' title='A Guerra e o Indivíduo'/><author><name>Niemand</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05507574057753299136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/SWu2qv0GFjI/AAAAAAAAAeY/wVum3_w4jsU/s72-c/guerra-fria.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36459076.post-3831793311715902655</id><published>2008-12-26T11:25:00.001-08:00</published><updated>2008-12-26T11:43:22.986-08:00</updated><title type='text'>Airbags Obrigatórios: viva o paternalismo!</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/SVUvx1di5rI/AAAAAAAAAeQ/O-HTcaDbSeE/s1600-h/airbag.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 320px; height: 245px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/SVUvx1di5rI/AAAAAAAAAeQ/O-HTcaDbSeE/s320/airbag.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5284182271000241842" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Resolvi espantar um pouquinho das teias de aranha deste espaço. Permitam mais um desabafo! Vocês viram o mais novo arroubo petista? Volta e meia, este governo se lembra de sua origem esquerdista autoritária. A última, das que eu tenho acompanhado, é a obrigatoriedade de equipamentos de segurança, como o air bag, nos veículos zero km. Haverá um prazo para as montadoras se adequarem às novas resoluções, mas o fato é que, com o tempo, mesmo os carros populares terão todos um acréscimo de cerca de R$ 4.000,00 em seus valores em função dos itens adicionados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Basicamente, é como se você entrasse em uma concessionária e se desse uma cena do seguinte tipo. Você pergunta pelo preço de um carro completo e de um basiquinho no modelo/marca que você tem em mente, pergunta pelas formas de pagamento, tenta um desconto e, no final das contas, conclui que o basiquinho cabe melhor no seu orçamento, sendo perfeitamente adequado para suas necessidades. Mas aí aparece um agente do governo e diz: "não, senhor, vai levar o completo, que é muito mais seguro". Você replica, "o air bag, moço, pode até destruir meu painel à toa, por alguma batidinha, eu prefiro passar sem ele, já que a cabeça que seria esmagada contra o volante seria a minha, não é?" Mas ele não desiste: "Pois é, o senhor não pensa direito, por isso eu estou aqui para decidir no seu lugar" - dirige-se ao vendedor - "pode fazer o pedido, ele vai querer o completo, que é o melhor para ele".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No mês seguinte à implementação da nova lei, William Bonner vai noticiar em alto e bom som como diminuiu o índice de crânios esmigalhados nas estradas brasileiras. Tantas cabeças terão sido preservadas. Pena que a maioria delas vai ficando cada vez mais oca...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36459076-3831793311715902655?l=andreafaggion.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://andreafaggion.blogspot.com/feeds/3831793311715902655/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36459076&amp;postID=3831793311715902655' title='13 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/3831793311715902655'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/3831793311715902655'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://andreafaggion.blogspot.com/2008/12/airbags-obrigatrios-viva-o-paternalismo.html' title='Airbags Obrigatórios: viva o paternalismo!'/><author><name>Niemand</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05507574057753299136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/SVUvx1di5rI/AAAAAAAAAeQ/O-HTcaDbSeE/s72-c/airbag.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36459076.post-3386090328920279197</id><published>2008-10-22T04:18:00.001-07:00</published><updated>2008-10-22T04:20:48.262-07:00</updated><title type='text'>...</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/SP8MCZT1AsI/AAAAAAAAAWg/sUzO2P86HfU/s1600-h/Peroba-Rosa_web.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/SP8MCZT1AsI/AAAAAAAAAWg/sUzO2P86HfU/s320/Peroba-Rosa_web.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5259936125085352642" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Estava escuro e chovia muito. A lama chegava ao pé da porta de entrada, que se desmanchava ao toque como papelão molhado. Do lado de dentro, pessoas hostis a mim e outras que me repugnavam moralmente. Eu sabia que havia um lugar para onde ir, mas, desta vez, ele tinha ido sem me mostrar o caminho para fora dali. Eu não sai...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quantas vezes, ele não se sentou ao meu lado enquanto eu dirigia "agora, a próxima à direita...". Quantas vezes, eu não recorri a ele nos meus momentos de angústia. Metaforicamente e literalmente, ele era o guia que agora faltava no meu pesadelo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordei com a estranha sensação de bem-estar, de que eu podia ao menos tentar achar o caminho sozinha. É claro que eu poderia me perder. Confesso que, até ao lado dele, eu o conseguia: "era para ter entrado na outra... calma... tudo bem, agora, segue em frente". Mas ele me tornou forte o bastante para que eu ao menos queira tentar, ainda que a dor da saudade agora seja minha companhia para sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"A vida é uma luta. Viver é lutar. A vida é uma luta que aos fracos abala e aos fortes exalta"&lt;br /&gt;JB (07/12/1935 - 21/10/2008).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36459076-3386090328920279197?l=andreafaggion.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://andreafaggion.blogspot.com/feeds/3386090328920279197/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36459076&amp;postID=3386090328920279197' title='7 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/3386090328920279197'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/3386090328920279197'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://andreafaggion.blogspot.com/2008/10/blog-post.html' title='...'/><author><name>Niemand</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05507574057753299136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/SP8MCZT1AsI/AAAAAAAAAWg/sUzO2P86HfU/s72-c/Peroba-Rosa_web.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36459076.post-9008796874400506144</id><published>2008-10-05T16:23:00.000-07:00</published><updated>2008-10-12T12:26:28.651-07:00</updated><title type='text'>Agora É Hauly!!</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/SOlM07Vy_PI/AAAAAAAAAWA/kkQmAzQmzTY/s1600-h/psdb_28082007.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/SOlM07Vy_PI/AAAAAAAAAWA/kkQmAzQmzTY/s320/psdb_28082007.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5253814912470416626" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Eu não me empolguei minimamente com a campanha para o primeiro turno das eleições municipais em Londrina, porque, fora a avalanche de ocupações, com esse otimismo que Deus me deu, tinha certeza da derrota. Aliás, estaria aí o pessimista inativo e a contradição do post abaixo? Sei lá, o fato é que eu não acreditava que minha participação pudesse fazer a menor diferença para o que eu julgava ser uma vitória certa do dublê do Ratinho. Qual não foi a minha feliz surpresa ao presenciar a virada na reta final da apuração. Olha aí a alegria do pessimista!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sou uma entusiasta do PSDB e muito menos da figura pública de Hauly. Nem o partido nem a pessoa representam meus valores politicamente. No entanto, sinto-me à vontade em me dizer filiada ao partido e eleitora de Hauly, porque, antes de assumir qualquer compromisso, eu frequentei as reuniões do diretório de Londrina e do Instituto Teotônio Vilela, aprendendo ali que havia muitas pessoas na mesma condição em que eu me encontrava. Liberais e socialistas assumidos não se vêem propriamente representados ao se autodenominarem "tucanos", mas se reúnem no que parece ser simplesmente um grupo de pessoas de bem, dispostas a valorizar o que há de melhor no patrimônio político londrinense, como a herança do saudoso Wilson Moreira, que tive o prazer de conhecer em uma dessas ocasiões e encontrar mais algumas vezes. Enfim, acredito muito no velho dito popular "diga-me com quem andas e te direi quem és"... né, Barbosa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além dos antepassados políticos de boa reputação, Hauly tem décadas de vida pública sem máculas. Quantos políticos podem dizer o mesmo no Brasil? Some-se a isso seu profundo conhecimento dos temas ligados à economia e à administração pública e eu me sinto diante de um candidato que em nada me envergonha, muito pelo contrário. Bons discursos liberais, eu ouço na academia. Aprendi com meu amigo Carani que aqueles que não fazem concessões em nome de seus princípios, os radicais, só vêem a realidade se afastar deles. Precisamos votar pragmaticamente, aproximando nossa sociedade o máximo possível da idéia reguladora de uma República Liberal. Quem grita "Liberalismo ou nada!" tende a ficar com "nada". Melhor para crápulas como Belinati, que terá os votos de quem nem sabe o que é liberalismo ou socialismo, mas entende muito bem o que significa, por exemplo, uma isenção de IPTU.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em suma, eu não vou votar em Belinati, porque eu não vou endossar o que há de mais podre e pobre na política nacional. E também não vou anular o meu voto, porque Hauly e Belinati não são iguais. Nenhum deles personifica o meu ideal de governante, mas, quando olho para os dois, não tenho a menor dúvida de quem esteja mais longe disso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36459076-9008796874400506144?l=andreafaggion.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://andreafaggion.blogspot.com/feeds/9008796874400506144/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36459076&amp;postID=9008796874400506144' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/9008796874400506144'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/9008796874400506144'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://andreafaggion.blogspot.com/2008/10/agora-haully.html' title='Agora É Hauly!!'/><author><name>Niemand</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05507574057753299136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/SOlM07Vy_PI/AAAAAAAAAWA/kkQmAzQmzTY/s72-c/psdb_28082007.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36459076.post-4275020055297218342</id><published>2008-09-28T11:44:00.001-07:00</published><updated>2008-09-28T11:45:22.898-07:00</updated><title type='text'>Viva o Pessimismo!</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/SN_Qj7rENzI/AAAAAAAAAV4/JbalJoNbHMQ/s1600-h/pess.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/SN_Qj7rENzI/AAAAAAAAAV4/JbalJoNbHMQ/s320/pess.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5251145006269609778" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Eu tomava um café com o amigo Leonel, português não por acaso, quando ele me saiu com esta: “eu sou um pessimista que age para que o mal não se concretize”. Eu me identifiquei, porque, como diria Cony, sou eu mesma pessimista por vocação, natureza e profissão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca me pareceu um bem tão louvável esta propalada esperança dos otimistas. Esta esperança pode vestir duas roupagens. Com a primeira, a consciência esconde de si mesma a certeza de sua finitude, finge que não caminha para a morte. Esta é a atitude de quem espera indefinidamente o príncipe em um cavalo branco que lhe resgate da masmorra da vida. Trata-se de uma certeza íntima de que, apesar de qualquer inércia, um passe de mágica, um dia, tudo mudará. Mas e se o esperançoso morre esperando? Bem, quem disse que ele aceita sua finitude?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A segunda roupagem do otimismo é a esperança em uma vida futura. Aceitamos a caminhada neste vale de lágrimas porque ela nos leva ao nascimento para a verdadeira vida. A finitude, de fato, não existe! Seja pela negação explícita da morte ou pelo seu esquecimento, quem é otimista espera acontecer, não faz a hora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já o pessimista está bem consciente de que a morte é uma possibilidade concreta que lhe espreita a cada esquina. Ao mesmo tempo, ele sabe não ter nenhuma garantia dos rios de mel ou das setenta virgens do paraíso post mortem. Neste sentido, o pessimismo é uma força vital de quem, ciente da morte e descrente do paraíso, sabe e faz a hora, não espera acontecer. Tomado racionalmente, o pessimismo cria vacinas, medicamentos... constrói abrigos, diques, muralhas... altera nossos genes, transplanta nosso sangue e nossos órgãos... Institivamente, o pessimismo faz com que nos debatamos para não nos afogarmos, que corramos de predadores... Bendita seja a natureza pessimista da alma humana que nos tirou das cavernas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36459076-4275020055297218342?l=andreafaggion.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://andreafaggion.blogspot.com/feeds/4275020055297218342/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36459076&amp;postID=4275020055297218342' title='7 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/4275020055297218342'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/4275020055297218342'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://andreafaggion.blogspot.com/2008/09/viva-o-pessimismo.html' title='Viva o Pessimismo!'/><author><name>Niemand</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05507574057753299136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/SN_Qj7rENzI/AAAAAAAAAV4/JbalJoNbHMQ/s72-c/pess.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36459076.post-6078587367105954932</id><published>2008-08-29T05:03:00.000-07:00</published><updated>2008-08-29T10:26:21.107-07:00</updated><title type='text'>Teria sido Hume um popperiano ou Popper um bom leitor de Hume?</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/SLfmgkkp0II/AAAAAAAAAVY/qWOXr_UV4A0/s1600-h/David_Hume.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/SLfmgkkp0II/AAAAAAAAAVY/qWOXr_UV4A0/s320/David_Hume.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5239910138716475522" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Precisamos agradecer a prof. Marília Côrtes por ter trazido à Londrina a instigante presença do prof. João Paulo Monteiro, pesquisador humeano mundialmente reconhecido. Infelizmente, graças a uma jornada de trabalho completa durante o dia, não fiquei para o debate com a platéia, já que, àquela altura, o corpo estaria presente, mas a mente, inapta para a filosofia. Tive então que guardar para o blog os comentários rudimentares que eu faria à fala do professor, perdendo a oportunidade de ouvi-lo a respeito. Lá vai...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O prof. Monteiro organizou sua exposição na forma de tópicos que assinalavam, ora, as "etiquetas" que deveríamos colar em Hume, ora, as que não deveríamos. Uma "etiqueta", em especial, despertou minha atenção. Seria Hume um "racionalista conjectural" ou, fazendo licença à ordem cronológica dos autores, um "popperiano"? É interessante notar que, se Hume for "popperiano", então Popper estará errado em tudo que pensava sobre Hume.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O prof. não explorou o ponto, mas considero Popper um adversário emblemático para sua leitura de Hume. Digamos que Popper parece arrancar de Hume as etiquetas que Monteiro cola e vice-versa. Como sabemos, Popper admirava e se inspirava na crítica humeana à lógica indutiva. No entanto, no tocante ao que eu chamaria de contribuição positiva de Hume à filosofia, Popper sequer via filosofia. Para o filósofo da ciência contemporâneo, Hume seria 1) um psicólogo, 2) um psicólogo pouco original, 3) um psicólogo equivocado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu me declaro bastante simpática à leitura popperiana, embora eu faça algumas restrições importantes a ela. Talvez Popper e eu façamos uma leitura de Hume sob a má influência do "Kant leitor de Hume", mas eu confesso que, quanto mais estudo Hume, menos percebo por que Kant seria um mau leitor de Hume, em que pese o costume dos filósofos clássicos não serem bons intérpretes de seus pares. Vejamos então alguns pontos comentados por Monteiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No primeiro, ele sai à frente de Popper, mas talvez seja possível um empate técnico. O prof. explica que Hume não seria um empirista radical, porque o hábito não é uma entidade passível de observação. Ponto para ele! Popper está errado quando, nas &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Conjecturas e Refutações&lt;/span&gt;, aplica à relação entre o hábito e crenças em relações causais o mesmo modelo que Hume aplica para explicar as próprias relações causais. De fato, para Hume, o hábito é uma hipótese explicativa, não um resultado de observações. No entanto, não podemos negar que Hume nos ofereça o que Popper chamará de "critério de significado".  Cito Hume (porque é importante, não porque eu esteja preocupada com muito rigor técnico neste blog recreativo): "sempre que alimentamos alguma suspeita de que um termo filosófico esteja sendo empregado sem nenhum significado ou idéia associada (como frequentemente ocorre), precisamos apenas indagar:&lt;span style="font-style: italic;"&gt; de que impressão deriva esta suposta idéia? E se for impossível atribuir-lhe qualquer impressão, isso servirá para confirmar nossa suspeita&lt;/span&gt;" (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Uma Investigação sobre o Entendimento Humano&lt;/span&gt;, Seção 2, §9). O hábito é um termo filosófico, portanto, ou não tem significado ou... Ponto para Popper!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo &lt;span style="font-style: italic;"&gt;round&lt;/span&gt;, Popper nos diz que Hume negociou com o senso comum e não descartou o indutivismo, apenas o psicologizou. Para Monteiro, Hume não foi indutivista no sentido de validar inferências de "alguns" para "todos". Ora, eu entendo que regras causais, para Hume, não validam induções, pois são elas mesmas o fruto de induções do tipo "alguns, portanto, todos". Explico (ou tento). Não vejo como concebermos, humeanamente, a causalidade sem o princípio "mesmas causas-mesmos efeitos". Causalidade, para Hume, seria, na minha sugestão que me parece acompanhar o texto de perto, essencialmente, a universalização de alguns casos observados de contiguidade temporal. Vejamos a semântica proposta por Hume para o conceito de causa: "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;um objeto, seguido de outro, tal que todos os objetos semelhantes ao primeiro são seguidos por objetos semelhantes ao segundo&lt;/span&gt;" (idem, Seção 7, parte 2, §29). Eu só posso brincar de juíza da disputa, mas dou o ponto para Popper. Claro, hoje, sabemos, graças a Kant, que a semântica das relações de causa-efeito implica em simultaneidade, não em sucessão temporal (a sucessão é o efeito), mas não vou entrar neste mérito aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O terceiro &lt;span style="font-style: italic;"&gt;round&lt;/span&gt;, este com a ausência de Popper, se dá em torno da "etiqueta" do associacionismo. Considero bastante perspicaz a observação de Monteiro de que a associação de uma suposta causa com um suposto efeito seria possibilitada pela própria causalidade. A conclusão é que a associação seria posterior. Mas aqui entra o ponto da contiguidade temporal. Para Hume, contiguidade no tempo é um princípio de associação e este princípio precede a causalidade, não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quarto, e mais importante, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;round: &lt;/span&gt;o psicologismo! Monteiro pontua logo contra Popper ao assinalar que o hábito humeano não pressupõe sensibilidade ao tempo, ao contrário do hábito do senso comum. O ponto vai, por conseguinte, pela originalidade demonstrada em Hume. Mas confesso que não alcanço a importância filosófica desta observação. É uma psicologia original, mas deixa de ser psicologia por isso? O fato da psicologia não estar organizada como ciência à época de Hume tão pouco me parece relevante. Vamos definir então por que Hume seria um psicólogo. Simples, como diria Popper, porque tentou explicar um fato natural, que, por acaso, era um evento mental (uma crença), a luz de outro fato natural que, por acaso, seria outro evento mental (um sentimento). Está envolvida aqui, primeiramente, a recusa da estratégia de Hume como uma justificativa racional para o princípio causal. Evoco a distinção entre explicação de crença e justificativa de validade. Certamente, esta distinção é marcadamente kantiana, mas, nem por isso, equivocada. Assim, Hume, na melhor das hipóteses (concordo com Popper que a explicação fracasse), explicaria por que acreditamos (e não podemos deixar de acreditar) em relações de causa e efeito, mas não há nenhuma razão que sustente o princípio da relação causal, seja lá qual for sua roupagem. Considero bastante forte, em Hume, a idéia 1) de que se busca a origem das crenças, 2) de que se nega a origem racional. Posteriormente, Kant distinguiu o problema da aquisição da crença do problema da validade do conhecimento adquirido: um ganho filosófico monumental. Não me parece que a distinção entre um jovem e um maduro Hume mude este quadro significativamente, exceto se aceitarmos jogar com palavras e chamar de racional (ou razoável, que seja) o que explica sem justificar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais ainda, o psicologismo de Hume se acentua na medida em que ele intérpreta a crença em uma relação supostamente objetiva, a conexão necessária embutida no conceito de causa e efeito, como a projeção de uma necessidade patológica: "Se vejo uma bola de bilhar movendo-se em direção a outra, sobre uma mesa lisa, posso facilmente conceber que ela se detenha no momento do contato. Essa concepção não implica contradição, mas ainda assim provoca &lt;span style="font-style: italic;"&gt;um sentimento&lt;/span&gt; muito diferente da concepção pela qual represento para mim o impulso e a comunicação de movimento de uma bola a outra" (idem, seção 5, parte 2, §11, itálico meu).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E Hume trata o ponto sistematicamente. Certamente, o psicologismo é sua posição refletida: "Essa conexão, portanto, que nós &lt;span style="font-style: italic;"&gt;sentimos&lt;/span&gt; [agora, o destaque é dele] na mente, essa transição habitual da imaginação que passa de um objeto para seu acompanhante usual, é o sentimento ou impressão a partir da qual formamos a idéia de poder ou conexão necessária [notem a consistência com o critério de significado]" (idem, seção 7, parte 2, §28). O hábito é uma hipótese auxiliar para explicar uma impressão interna (ele também chama esta impressão ou sentimento de "habitual") que dá significado e origem à causalidade como conexão necessária (Esta questão do significado é interessante. Notem que, para o termo, ter significado é corresponder a uma idéia. Já idéia é cópia de impressão. Assim, o significado do termo depende da origem da idéia, que é o que faz dela uma idéia em sentido próprio ou não) .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Relações objetivas, para finalizar e sumarizar, em vez de serem justificadas, são explicadas enquanto conteúdos de crenças, e isto a partir de sentimentos: "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;sentimos&lt;/span&gt; [de novo, o destaque é dele próprio] uma conexão habitual entre as idéias, transferimos esse sentimento aos objetos, pois nada é mais comum do que aplicar aos corpos externos todas as sensações internas que eles ocasionam" (idem, seção 7, parte 2, §29, nota). Se isto não é psicologismo, não sei mais o que é...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36459076-6078587367105954932?l=andreafaggion.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://andreafaggion.blogspot.com/feeds/6078587367105954932/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36459076&amp;postID=6078587367105954932' title='7 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/6078587367105954932'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/6078587367105954932'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://andreafaggion.blogspot.com/2008/08/teria-sido-hume-um-popperiano-ou-popper.html' title='Teria sido Hume um popperiano ou Popper um bom leitor de Hume?'/><author><name>Niemand</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05507574057753299136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/SLfmgkkp0II/AAAAAAAAAVY/qWOXr_UV4A0/s72-c/David_Hume.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36459076.post-3261580871538774757</id><published>2008-08-02T14:47:00.000-07:00</published><updated>2008-08-02T15:06:45.808-07:00</updated><title type='text'>Estado Liberal x Estado Ético</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp3.blogger.com/_D48t18uazGI/SJTabdxoA2I/AAAAAAAAAVA/YoiTsLiRyrE/s1600-h/filosofia-uv-lienzo.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://bp3.blogger.com/_D48t18uazGI/SJTabdxoA2I/AAAAAAAAAVA/YoiTsLiRyrE/s320/filosofia-uv-lienzo.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5230045232668083042" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Coloquei-me a pensar, porque queria que uma tese fosse verdadeira. Queria que a universidade pública fosse o refúgio da filosofia e das ciências puras. Assusta-me pensar em um mundo em que o conhecimento se reduz à técnica. Pior, não vejo saída para tanto se as pesquisas acadêmicas forem financiadas exclusivamente pela iniciativa privada. Por interesse - pessoal, ético, estético... - coloquei-me a pensar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como carrego o fardo filosófico do dever de coerência, pensei a partir de meus princípios. Acredito que o Estado deva existir em função de um só propósito: defender a liberdade dos indivíduos. Qualquer propósito mais edificante, a filosofia explica e a história mostra, leva ao totalitarismo. Mas será que o Estado Liberal não poderia defender o conhecimento exatamente como condição para uma sociedade livre? Recuei diante da idéia... Estava inventando um propósito moral para o Estado Liberal. O Estado não deve nos esclarecer, mas apenas permitir que sejamos esclarecidos. Se quisermos a estupidez, o Estado não pode nos impedir. Um Estado que assume para si qualquer responsabilidade pelo esclarecimento dos seus cidadãos olha para estes como um pai olha para os filhos que precisa educar, ou como o artesão olha para a massa que pretende moldar... Não nos olha, portanto, como sujeitos livres. É um Estado que não pode ele próprio ser esclarecido, que não pode ser liberal e, que em nome da liberdade, nos priva de sermos, cada um de nós, os verdadeiros sujeitos da história. Que o Estado nos deixe então sermos o que somos. Seremos o que merecermos...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36459076-3261580871538774757?l=andreafaggion.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://andreafaggion.blogspot.com/feeds/3261580871538774757/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36459076&amp;postID=3261580871538774757' title='7 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/3261580871538774757'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/3261580871538774757'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://andreafaggion.blogspot.com/2008/08/estado-liberal-x-estado-tico.html' title='Estado Liberal x Estado Ético'/><author><name>Niemand</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05507574057753299136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_D48t18uazGI/SJTabdxoA2I/AAAAAAAAAVA/YoiTsLiRyrE/s72-c/filosofia-uv-lienzo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36459076.post-7297218547211146802</id><published>2008-07-20T07:36:00.000-07:00</published><updated>2008-07-20T08:04:04.377-07:00</updated><title type='text'>O Orgulho de Piquet</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp2.blogger.com/_D48t18uazGI/SINN19P2BRI/AAAAAAAAAUw/SW--AF4Mo8E/s1600-h/piquet.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://bp2.blogger.com/_D48t18uazGI/SINN19P2BRI/AAAAAAAAAUw/SW--AF4Mo8E/s320/piquet.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5225105582049330450" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Tudo bem que o verdadeiro gênio traz um sobrenome sem glórias passadas, Hamilton, e Nelsinho teve muita sorte hoje, mas a primeira coisa que me ocorreu vendo o garoto cruzar a linha de chegada em segundo agora há pouco foi: "Nelsão deve estar explodindo de felicidade". Eu sempre vi o desejo pela maternidade/paternidade como uma determinação fisiológica tirânica que revela a lei maior da natureza: o indivíduo pela espécie. Meus parabéns por uma maternidade/paternidade, por conseguinte, são apenas protocolo, já que meu pensamento íntimo sempre é: "pobre coitado, eis que sua vontade está colocada em função de outra para sempre". Claro que eu me reconheço como aberração neste pensamento, não se enganem. Disfarço o prazer que carrego em segredo por ter, sei lá por que cargas d'água, escapado à legislação hormonal da (quase) sempre triunfante natureza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensando agora a maternidade/paternidade em termos propriamente humanos, e não apenas fisiológicos, me ocorre que ela se justificaria, talvez, pelo anseio que sempre nos acompanha: a sobrevivência à própria morte. Sempre há as aberrações, eu que o diga, mas uma regra parece escrever a necessidade de que uma marca sua permaneça no mundo. Evitamos o pensamento de que nem o sistema planetário será eterno e, desde que não há humanidade desde sempre, também não haverá para sempre. Com o fim da espécie, toda marca do indivíduo será apagada. Então, também não fará muita diferença se esta marca durou 2 minutos ou 2 milênios. Talvez seja da minha natureza, não da natureza humana, mas, evitar a consciência em ato desta verdade é evitar a ataraxia (algo que, eu, ao menos, não desejo).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fato é que, se é da natureza humana buscar a permanência, o único meio acessível à grande maioria para tanto é a procriação. Por que eu não o utilizo? Porque não basta qualquer marca! Eu não quero que meu efeito sobre a terra seja algum preguiçoso de habilidades intelectuais medianas e moral duvidosa, e a verdade é que não tenho controle sobre o que ele viria a ser. Filho é efeito, mas não é obra. De todo modo, ver um filho continuando a própria obra, aquilo pelo que seríamos lembrados mesmo que ele nunca existisse, é um capricho interessante. Piquet só pode estar feliz...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36459076-7297218547211146802?l=andreafaggion.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://andreafaggion.blogspot.com/feeds/7297218547211146802/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36459076&amp;postID=7297218547211146802' title='6 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/7297218547211146802'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/7297218547211146802'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://andreafaggion.blogspot.com/2008/07/o-orgulho-de-piquet.html' title='O Orgulho de Piquet'/><author><name>Niemand</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05507574057753299136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_D48t18uazGI/SINN19P2BRI/AAAAAAAAAUw/SW--AF4Mo8E/s72-c/piquet.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36459076.post-8529431551272118579</id><published>2008-07-19T11:38:00.000-07:00</published><updated>2008-07-19T12:15:03.654-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='http://www.blogger.com/img/gl.photo.gif'/><title type='text'>Universidade e Liberalismo</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp2.blogger.com/_D48t18uazGI/SII8nbEVlwI/AAAAAAAAAUo/-2N_KNoO0U0/s1600-h/UFPR-universidade.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://bp2.blogger.com/_D48t18uazGI/SII8nbEVlwI/AAAAAAAAAUo/-2N_KNoO0U0/s320/UFPR-universidade.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5224805165681710850" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Odeio cerimônias... Não sinto a menor necessidade dos ritos, ainda reconhecendo a eles a devida função social. Daí que, com muito tédio e má vontade, eu tenha comparecido à minha própria posse como coordenadora do colegiado do curso de filosofia da UEM e, consequentemente, como membro do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão dessa universidade. Mas confesso que a penosa atividade de contar os minutos para o final daquela manhã foi, de certo modo, recompensada por uma sentença do discurso do reitor que me trouxe certo alívio. Dizia para que, como legisladores, não nos esquecessemos que uma universidade não existe apenas para atender demandas de mercado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, desde meus tempos de graduação, este cuidado nunca esteve ausente de minhas reflexões. Até os dias de hoje, não digeri a justificativa de terem cancelado o curso de alemão que eu frequentava: não havia muita demanda. Nem precisa dizer então que grego e latim não eram cursos disponíveis. A regra era fechar um curso quando a procura era muito pequena e abrir cursos que o mercado demandava. Obviamente, esta lógica não poupava mesmo as graduações. Cursos técnicos, que caberiam bem em 2 anos de um Senac ou instituição que o valha, são transferidos para os bancos universitários, afinal, acabaram com as escolas técnicas e o título universitário soa mais pomposo para os filhos da sociedade das aparências. Não tenho idéia do tipo de pesquisa que se faça, por exemplo, em um curso de secretariado, mas sei que, seja lá o que se publique a respeito, isto não terá o menor valor em, digamos por generosidade, 30 anos. Onde está a universalidade de nossas universidades no final das contas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Infelizmente, não se trata apenas de entulhar a universidade com um saber-fazer passageiro. O mal maior reside na ameaça constante aos cursos que não têm potencial para gerar lucros, não por acaso, justamente os cursos clássicos... universais! Quanto mais pura a ciência, menor seu atrativo para investimentos do mercado, consequentemente, maior o perigo que lhe ronda. Pior ainda, quando a ciência é atrativa, a linha de pesquisa e seu objeto serão determinados pelo financiador externo. Com muita sorte, quando esta ideologia for levada às últimas conseqüências, terei que vender palestras sobre ética empresarial. Ou alguma instituição privada vai financiar estudos sobre semântica transcendental? Com a desculpa da necessária extensão social, a esquerda, pragmática por natureza (por mais que queira escamotear o fato) loteia e vende a universidade pública. Por seu amor pelo capitalismo, a direita lhe dá as mãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui entra o meu problema. Também prezo pelo livre mercado. Na verdade, poucos liberais podem ser mais radicais do que eu, que acredito que o Estado deveria se limitar, única e exclusivamente, à coação da coação. Ora, se é assim, conhecimento não é questão de Estado. Mas será que não? Um Estado liberal consistente poderia salvar a universidade dos interesses mercadológicos da direita e sociais da esquerda? Quero pensar sobre isso...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36459076-8529431551272118579?l=andreafaggion.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://andreafaggion.blogspot.com/feeds/8529431551272118579/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36459076&amp;postID=8529431551272118579' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/8529431551272118579'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/8529431551272118579'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://andreafaggion.blogspot.com/2008/07/universidade-e-liberalismo.html' title='Universidade e Liberalismo'/><author><name>Niemand</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05507574057753299136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_D48t18uazGI/SII8nbEVlwI/AAAAAAAAAUo/-2N_KNoO0U0/s72-c/UFPR-universidade.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36459076.post-5383963469964038624</id><published>2008-06-21T15:42:00.001-07:00</published><updated>2008-06-21T16:08:08.973-07:00</updated><title type='text'>Fim dos Tempos... Modernos</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/SF2D8f9sF7I/AAAAAAAAAUY/EidTDoR5L88/s1600-h/happening_2.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/SF2D8f9sF7I/AAAAAAAAAUY/EidTDoR5L88/s320/happening_2.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5214469018960533426" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;O filme "Fim dos Tempos" é a última empreitada do diretor indiano que conquistou o Ocidente com "Sexto Sentido" e, desde então, tenta repetir a fórmula do sucesso. Como entretenimento, é péssimo. Dificilmente, você vai se lembrar da indústria cultural ter produzido algo tão enfadonho. Mas, como documento que registra as idéias da moda e talvez mesmo o espírito de nosso tempo, o filme vale a pena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já na primeira seqüência, um professor de alguma coisa parecida com teoria da ciência impressiona os alunos desinteressados representando causas naturais como a ação de forças insondáveis. Não se tratava de uma defesa popperiana da falibilidade da ciência (quem me derá!) ou de uma explicação à la Kuhn do caráter perpetuamente substituível dos paradigmas científicos, mas sim do renascimento de uma idéia mitológica da natureza encantada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes do Esclarecimento, a Natureza era temida porque dotada de um mistério intrínseco. No Esclarecimento, o incognoscível é condenado ao supra-sensível e a natureza define o reino do compreensível pela mente humana. Ora, o que pode ser entendido, pode ser controlado. O conhecer, como poder, faz da natureza um instrumento para nossos fins. Como instrumento, a natureza não tem dignidade nem merece respeito. Mas o pré-moderno, eu sempre digo, é o pós-moderno. Lá se foram os tempos em que um pé de alface era só um pé de alface...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto o prestígio da idéia de dignidade humana, como mostra a violência urbana, cai em ritmo vertiginoso, as coisas ganham estatuto moral. Assim, a Natureza do nosso cineasta indiano, no mesmo movimento em que escapa à ciência, também é animada com a capacidade de se revoltar contra ela. Shyamalam capta bem a idéia tão em voga em tempos de "aquecimento global" de que estamos sendo objeto de uma vingança consciente e merecida. Só faltou explicar que rito exatamente deveríamos ter aplicado para aplacar tamanha fúria. Talvez devêssemos fazer uma viagem a Stonehenge para sacrificar alguns vegetarianos em um solstício de inverno...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36459076-5383963469964038624?l=andreafaggion.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://andreafaggion.blogspot.com/feeds/5383963469964038624/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36459076&amp;postID=5383963469964038624' title='7 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/5383963469964038624'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/5383963469964038624'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://andreafaggion.blogspot.com/2008/06/fim-dos-tempos-modernos.html' title='Fim dos Tempos... Modernos'/><author><name>Niemand</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05507574057753299136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/SF2D8f9sF7I/AAAAAAAAAUY/EidTDoR5L88/s72-c/happening_2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36459076.post-4806889317646175212</id><published>2008-05-24T17:11:00.000-07:00</published><updated>2008-05-24T18:05:46.555-07:00</updated><title type='text'>O Verdadeiro Espírito Crítico</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/SDixELylRhI/AAAAAAAAAUQ/SP8olXqPquo/s1600-h/critica.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/SDixELylRhI/AAAAAAAAAUQ/SP8olXqPquo/s320/critica.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5204104054869149202" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Possivelmente, o problema que mais me interesse como pesquisadora hoje em dia é a determinação da verdadeira natureza da filosofia crítica de Kant. Historicamente, ela foi apresentada como psicologia, ontologia, epistemologia, semântica... E todas estas correntes continuam vivas ainda; por vezes, correndo paralelamente, por vezes, se cruzando. Talvez cada uma delas tenha sua gama de razões, já que é indiscutível que todas elas têm fortes abonos textuais. No entanto, não podemos bancar os relativistas e nos esquivarmos da discussão sobre a melhor compreensão do programa de pesquisa levado a cabo por Kant, sob pena de diluirmos o que ele chamou de "revolução copernicana" na simples repercussão do espírito iluminista de sua época.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste sentido, algumas das discussões mais interessantes das quais participei em Porto Alegre e Campinas nos últimos dias diziam respeito justamente a tal questão e seus desdobramentos. Aprendi que preciso estudar mais textos pré-críticos como "Sonhos de um Visionário...", além das fascinantes Reflexões da década do silêncio. Porém, por mais que diversos filósofos kantianos estejamos em busca de uma precisa demarcação para o projeto crítico kantiano, para afastá-lo da amplitude algo infértil do racionalismo crítico tal qual definido por Popper, não posso deixar de admitir, e mesmo confessar, a emoção que senti por ver este mesmo racionalismo, herdeiro direto de Kant, sendo posto em prática com tanta vivacidade nos últimos dias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diz Popper que a ciência é racional quando a teoria, em vez de buscar se preservar antecipando todos os ataques possíveis, gesta em seu próprio ventre as refutações possíveis. Popper não acredita que exista um conjunto neutro de enunciados básicos capazes de derrotar sistemas científicos a partir do lado de fora. Ele acredita que os enunciados que levam as teorias à ruína dependem dela própria. Assim, o cientista, antes de mais nada, deve ter uma certa postura que eu me arriscaria até a chamar de moral. Ele é cientista na medida em que se dispõe a ser criticado, na medida em que não acredita que haja teoria digna de reivindicar o direito de não ser avaliada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, na filosofia, não temos experimentos que possam ser descritos por nossas teorias como capazes de refutá-las. Fosse este o caso, por definição, estaríamos fazendo ciência, e não filosofia. Aparentemente, muitos pensam  então  que a irrefutabilidade empírica lhes dá o direito ao dogmatismo. É comum o jovem estudante de filosofia ser intimidado com o peso dos nomes dos clássicos, para quem muitos departamentos em peso erguem altares. Mais comum ainda por essas bandas é que colegas estudando um mesmo problema ignorem solenemente os trabalhos uns dos outros. Não se citam, não porque acreditem na irrelevância e na falta de originalidade do colega mais próximo, mas pura e simplesmente porque se dão ao direito de furtarem-se ao debate. Não citar significa não ser citado e, graças a Deus, não ser criticado. Quando participam de eventos, em vez de desafios, ouvem apologias e convites a um maior aprofundamento do pensamento exposto quanto a este ou àquele ponto. Ninguém lhe diz: "você está errado!" Ninguém quer ouvir: "você está errado!" A regra de ouro é: "não me critique que eu não lhe critico" e a desculpa pomposa para essa "imoralidade" é a suposta irrefutabilidade da filosofia somada à santidade dos autores de sistemas filosóficos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, Popper acredita que as teorias filosóficas podem sim ser criticadas. Podemos avaliar sua capacidade de resolver problemas. Como nossa matéria-prima é a linguagem, nosso laboratório é o auditório. A filosofia crítica então é a filosofia que vai a público, que se lança ao debate anunciando, antes de mais nada, quais problemas pretende resolver. Dizendo vulgarmente, é a filosofia que dá a cara à tapa! Pensando assim, é natural que eu vibre por pertencer à comunidade que pertenço e que faça questão de vir eu mesma a público dizer que tiro meu chapéu ao trabalho dos meus colegas, verdadeiros racionalistas no sentido lato e glorioso do termo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu parabenizo Zeljko Loparic por ter trazido da Alemanha Wolfgang Carl, um dos maiores kantianos vivos, sabendo se tratar de um feroz opositor seu, justamente com o único intuito de ouvir suas críticas e procurar rebatê-las em público. Eu parabenizo João Carlos Brum Torres por ter proclamado não respeitar Kant diante da plenária do Congresso da Sociedade Kant, acrescentando que só queria avaliar como resolver certos problemas usando Kant. Eu parabenizo meus amigos Julio Esteves e Aguinaldo Pavão por terem dado um show de filosofia buscando reciprocamente desmontar suas teses diante de uma platéia maravilhada e, por que não dizer, emocionada com o que via. Eu parabenizo a cada uma das pessoas, incluindo a mim mesma, que tiveram a ousadia de pegar o microfone em Campinas e defender suas teses, sabendo que não encontrariam a condescendência covarde comum em outras platéias. Parabéns, meus amigos, e até 2009...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36459076-4806889317646175212?l=andreafaggion.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://andreafaggion.blogspot.com/feeds/4806889317646175212/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36459076&amp;postID=4806889317646175212' title='7 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/4806889317646175212'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/4806889317646175212'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://andreafaggion.blogspot.com/2008/05/o-verdadeiro-esprito-crtico.html' title='O Verdadeiro Espírito Crítico'/><author><name>Niemand</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05507574057753299136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/SDixELylRhI/AAAAAAAAAUQ/SP8olXqPquo/s72-c/critica.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36459076.post-1805017733159500210</id><published>2008-05-16T16:21:00.000-07:00</published><updated>2008-05-16T16:52:12.157-07:00</updated><title type='text'>Campeonato Kantiano Brasileiro</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/SC4eCMfEqxI/AAAAAAAAAUI/mbcpx-rwZQo/s1600-h/1291823.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/SC4eCMfEqxI/AAAAAAAAAUI/mbcpx-rwZQo/s320/1291823.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5201127642719628050" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Eis que uma discussão nascida em um blog, logo aí abaixo... o post sobre Fritzl, se desdobrou e aprofundou em um Congresso, quem diria... Confesso que fiquei com vontade de pesquisar o tema mais seriamente. A comunicação da Dudi mostrou que o que eu disse aqui é perfeitamente compatível com a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Doutrina da Virtude&lt;/span&gt; de Kant (basicamente, Dudi e eu pensamos o mesmo quanto ao ponto), mas o trabalho do Julio mostrou que a questão está longe de poder ser fechada com esse abono textual (basicamente, Julio e Aguinaldo pensam o mesmo quanto ao ponto). Tenho muito que pensar e, provavelmente, será um problema que deixarei em aberto por não ser meu objeto de trabalho no momento, mas foi uma discussão instrutiva e divertida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por falar em diversão, penso que as edições do Congresso Kant trazem a perfeita oportunidade para que gente como eu, que vê a filosofia também como um "esporte" apaixonante, possa participar dos torneios mais prazerosos. Muito provavelmente, se alguém estivesse ouvindo atrás da porta de certas salas de comunicação do Congresso, poderia ter tido a falsa impressão de tratar-se de algum campeonato estudantil dos mais barulhentos. Em vez de intervenções tediosas do tipo "você poderia comentar um pouco mais...", nosso espião ouviria expressões triunfantes como "você perdeu!", acompanhadas, por vezes, até mesmo de vaias e aclamações da torcida que, ao mesmo tempo, também joga (aqui, literalmente). Por tudo isso, tive pena dos novatos que foram escalados para arbitrar certas partidas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falando sério agora, sem deixar de falar a verdade, o Congresso não nos proveu com as mesmas condições materiais do passado, mas mostrou que a comunidade kantiana está cada vez mais produtiva e, por que não dizer, engajada. Tenho a impressão que a percepção externa que se tem da Sociedade Kant é a de um grupo organizado como poucos no Brasil, o cume de um trabalho bem feito, mas nossas discussões internas revelam um clima de começo de trabalho e projetos de expansão que muito me agradam. Ao contrário do que eu disse brincando em uma de nossas reuniões, não queremos colonizar o Brasil, mas, certamente, temos tornado a academia mais vibrante e autenticamente filosófica (em vez de apenas historiográfica).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por tudo isso, apesar da grande saudade de casa, estou feliz por estarmos apenas no meio do campeonato argumentativo. A próxima rodada acontece em Campinas, com direito a time concentrado e tudo mais. Ah, a gente não anota o placar e o jogo está sempre virando...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36459076-1805017733159500210?l=andreafaggion.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://andreafaggion.blogspot.com/feeds/1805017733159500210/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36459076&amp;postID=1805017733159500210' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/1805017733159500210'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/1805017733159500210'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://andreafaggion.blogspot.com/2008/05/campeonato-kantiano-brasileiro.html' title='Campeonato Kantiano Brasileiro'/><author><name>Niemand</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05507574057753299136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/SC4eCMfEqxI/AAAAAAAAAUI/mbcpx-rwZQo/s72-c/1291823.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36459076.post-2188797297671210329</id><published>2008-05-10T12:34:00.000-07:00</published><updated>2008-05-10T12:45:49.925-07:00</updated><title type='text'>X Colóquio Kant da Unicamp</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/SCX5Ne0khwI/AAAAAAAAAUA/C6Xz3KHUdx0/s1600-h/main_kant.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/SCX5Ne0khwI/AAAAAAAAAUA/C6Xz3KHUdx0/s320/main_kant.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5198835354876282626" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;De Porto Alegre, sigo direto para Campinas. O X Colóquio Kant da Unicamp tem por tema "Problemas semânticos na filosofia de Kant". Vou falar sobre uma tema que me parece controverso, para dizer o mínimo: a ampliação da leitura semântica para além da CRP. Como a pergunta de Kant é sempre a possibilidade do juízo sintético &lt;span style="font-style: italic;"&gt;a priori&lt;/span&gt;, a bem da verdade, se aceitam que há uma semântica na primeira &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Crítica&lt;/span&gt;, deveria ser natural aceitá-la também nas demais. A polêmica então se dá porque a tese básica desta semântica seria o requisito de sensificação. Mas o homem moral, para Kant, não seria justamente o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;homo noumenon&lt;/span&gt;? Bem... aqui vai meu resumo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Sobre a Semântica Transcendental para além da Crítica da Razão Pura&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é problemático dizer que a principal linha de crítica contra a leitura da Filosofia Crítica como Semântica Transcendental se baseia na hipótese de que Kant estaria preocupado com problemas semânticos apenas na Crítica da Razão Pura, de modo que essa interpretação não faria sentido além daquela obra. Neste trabalho, eu descrevo a Semântica Transcendental em poucas palavras e analiso mais detidamente a teoria dos conceitos de Kant na Analítica Transcendental da Crítica da Razão Pura para fazer uma sugestão: todo conceitos tem que atender as demandas da Semântica Transcendental para ser chamado de conceito em sentido crítico.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36459076-2188797297671210329?l=andreafaggion.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://andreafaggion.blogspot.com/feeds/2188797297671210329/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36459076&amp;postID=2188797297671210329' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/2188797297671210329'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/2188797297671210329'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://andreafaggion.blogspot.com/2008/05/x-colquio-kant-da-unicamp.html' title='X Colóquio Kant da Unicamp'/><author><name>Niemand</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05507574057753299136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/SCX5Ne0khwI/AAAAAAAAAUA/C6Xz3KHUdx0/s72-c/main_kant.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36459076.post-336381291784425415</id><published>2008-05-05T06:20:00.000-07:00</published><updated>2008-05-05T07:33:31.599-07:00</updated><title type='text'>"Nunca simplesmente como um meio"</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/SB8Jsu5avLI/AAAAAAAAAT4/lJgraezyKN4/s1600-h/josef.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/SB8Jsu5avLI/AAAAAAAAAT4/lJgraezyKN4/s320/josef.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5196883159116594354" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Infelizmente, sei pouco sobre o caso de Josef Fritzl. Meu grau de conhecimento do caso é inversamente proporcional à fascinação que a violação sistemática da moral sempre exerceu sobre mim. Assassinos em série, estupradores em série, sádicos, etc... Os arquivos das instituições de combate ao crime do mundo todo estão repletos de ilustrações dos feitos da razão humana violando suas próprias leis. É isto que tanto me intriga! Quanto maior a afronta à moralidade, parece ser maior o engenho para a execução e acobertamento do crime. Impossível, por tudo que sabemos, alguém conseguir levar a cabo tais ações sem estar de plena posse da capacidade de raciocinar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, aprendi com Kant que a fórmula da moralidade nada mais é do que a forma da racionalidade em sua pureza. Diz Kant que, se retirarmos todos os condicionamentos empíricos de um princípio racional, obteremos imediatamente a lei da moralidade. Eu acredito nesta lição de Kant. Mais ainda, penso que esta tenha sido uma de suas principais descobertas e não estou disposta a abrir mão dela. Mas a questão então é a seguinte: o que ganhamos quando obtemos a fórmula do princípio moral? Tornamo-nos imputáveis? Seres racionais são sempre pessoas? São sempre capazes de moralidade? Assim, Josef Fritzl, homem racional, é uma pessoa má?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira observação aqui diz respeito à falibilidade de nossa razão. Como somos imperfeitos, sujeitos ao erro, podemos jamais descobrir o princípio moral. Parece logicamente possível que concebamos um ser racional imperfeito que nunca tenha atinado para a lei moral. Parece-me, inclusive, que é a consciência da lei neste sentido que Guido de Almeida pensa ser factual na doutrina do facto da razão. Neste sentido, poderia ser que Fritzl fosse inimputável por não ter tido consciência da moralidade. Mas isto me parece empiricamente inviável, desde que Fritzl vive em uma comunidade ocidental que certamente lhe apresentou à moralidade. Teríamos que pensar então em Fritzl como um filósofo equivocado. Diante do ensinamento moral, ele conclui que a lei não tem validade e que, portanto, está desobrigado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu vou ignorar esta hipótese em prol do exercício que quero desenvolver aqui e porque não consta que Fritzl tenha se importado em questionar filosoficamente o princípio da moralidade, produzindo algum tratado em que defendesse por argumentos seu direito ao despotismo absoluto. Parece-me, inclusive, ser parte integrante da personalidade do déspota que ele se sinta acima de qualquer procedimento de validação de suas máximas. E, aqui, chegamos a um ponto interessante. As máximas de Fritzl! Poderíamos conhecê-las? Eu ousaria dizer que, em alguns casos, podemos inferir as máximas a partir da coerência da conduta externa do sujeito. A motivação moral é insondável, justamente porque sempre há a possibilidade da explicação da conduta moral por móbiles empíricos. Porém, o inverso não é verdadeiro. Há condutas que não são inteligíveis se admitimos a consciência do dever como móbil. Assim, seria, no mínimo, insensato pensar que Fritzl acreditaria ser conforme ao dever e, portanto, moralmente permitido usar todo ser humano à sua volta sistematicamente como um meio, e jamais como um fim em si mesmo. Que eu saiba, novamente, Fritzl não agiu como um filósofo propondo um princípio alternativo da moralidade que justificasse sua conduta. Algo como fez Hitler, muito mal e porcamente, é verdade, em Mein Kampf.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fritzl, ao contrário de seu compatriota que tentou desenvolver uma moralidade racista anti-humanista, simplesmente parece agir sob a máxima: "Eu trato a humanidade na pessoa alheia sempre como um meio, e nunca como um fim em si mesmo". Do mesmo jeito que nós usamos automóveis, roupas, livros... para o nosso prazer, Fritzl usa pessoas. Ele reconhece tanta dignidade nelas quanto nós em uma caneta. E notem um ponto importante. Não se infere uma máxima de uma ação isolada, um deslize em que o sujeito simplesmente não considerou o impacto da sua busca pelo prazer na vontade de outro ser racional e desejante. Não, Fritzl fez dos últimos 24 anos de sua vida (ao menos) a instrumentalização da vontade alheia. Ele teve 24 anos para sentir remorso, mas, pelo que consta, não o manifesta nem agora. Conta o que fez, dizem os jornalistas, como quem conta como vendeu um carro. Fritzl não tem consciência moral? Mas ele não é racional? As duas coisas não deviam andar juntas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será que Fritzl é mesmo racional? Será que não estamos dizendo que ele é racional em um sentido diferente daquele em que dizemos que a moralidade é o ápice da racionalidade? Penso que não pelo seguinte. O procedimento racional posto em questão por Kant é justamente o processo de universalização de nossos princípios de conduta. Ele observa que este processo é limitado, mas existe, quando perseguimos nossos fins escolhendo simplesmente os meios mais adequados. O ato racional é o oposto de um ato baseado apenas nas idiossincrasias do indivíduo, como é o caso, por exemplo, das "manias", como nas pessoas que sofrem de TOC. Elas podem, digamos, impedir a entrada de alguém num recinto, porque não são capazes de suportar a cor da roupa que a pessoa está usando, mas elas sabem que este ato não é racionalmente justificável, ou seja, não é válido para outro além delas próprias, que sofrem com a obsessão específica. É diferente do ato de alguém que quer entrar numa faculdade e então se matricula em um cursinho. Este alguém tem uma ação justificável exatamente na medida em que os outros, no seu lugar (tendo o mesmo fim empírico), poderiam fazer o mesmo. Este processo implica em uma extrapolação do próprio ego. A nossa razão amadurece na medida em que aprendemos a pensar como os outros pensam, a saber o que eles fariam no nosso lugar. É assim que podemos jogar xadrez, por exemplo. Sabemos antecipar o que os outros fariam, mesmo sem conhecer a pessoa, justamente por isso dizemos que suas jogadas são racionais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Josef Fritzl era racional no sentido que importa à moral. Ele sabia se colocar no lugar dos outros. Do contrário, ele não queimaria o lixo produzido por seus prisioneiros. Ele sabe antecipar o que nós pensaríamos. Não fosse por isso, nem o porão tão engenhoso existiria. Ele sabia o que fazia e ele não estava interessado em ser moral. Ele estava interessado em não ser descoberto. Ele é mal? Ele tem consciência moral e não age conforme a seus ditados?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A consciência moral tem que ser necessariamente acompanhada da punição interna quando a lei é violada. Em uma palavra, voltamos à culpa de que falávamos abaixo. Ao que parece Fritzl é um excelente caso de insensibilidade à razão. A razão está nele como uma escrava de suas paixões, mas é incapaz de comandá-las, porque Fritzl não a sente. Leio a mente dele? Ora, leiam o segundo Wittgenstein e verão que é muito razoável falar do que alguém sente. Aliás, a lição deste outro mestre é que palavras como "culpa" sequer teriam significado se este tivesse que repousar numa espécie de estado oculto que acompanharia a palavra. O processo mental pouco importa, pode nem existir. A culpa é um comportamento. Fritzl não se comporta com culpa. Não se mata, não grita pelo perdão dos céus, que é a simbolização de sua própria consciência... Fritzl nos mostra que a razão não basta. É como possuir uma lanterna, mas ser cego para sua luz...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36459076-336381291784425415?l=andreafaggion.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://andreafaggion.blogspot.com/feeds/336381291784425415/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36459076&amp;postID=336381291784425415' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/336381291784425415'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/336381291784425415'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://andreafaggion.blogspot.com/2008/05/nunca-simplesmente-como-um-meio.html' title='&quot;Nunca simplesmente como um meio&quot;'/><author><name>Niemand</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05507574057753299136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/SB8Jsu5avLI/AAAAAAAAAT4/lJgraezyKN4/s72-c/josef.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36459076.post-9151827758227763665</id><published>2008-05-03T09:49:00.000-07:00</published><updated>2008-05-03T10:05:50.790-07:00</updated><title type='text'>Congresso Kant</title><content type='html'>&lt;a style="font-style: italic;" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/SByX_-5avKI/AAAAAAAAATw/ebk1tafMflA/s1600-h/kant1798.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/SByX_-5avKI/AAAAAAAAATw/ebk1tafMflA/s320/kant1798.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5196195195550088354" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;No dia 12 de maio, tem início o próximo Congresso Nacional da Sociedade Kant Brasileira, evento sempre tão aguardado pela comunidade. Terei a honra de participar com uma comunicação cujo resumo publico abaixo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Observações sobre o Papel e a Natureza dos Esquemas Transcendentais&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diante de muitas respostas kantianas para a questão “O que é um esquema?” no capítulo sobre o Esquematismo, Allison e Loparic defendem que um esquema transcendental deveria ser identificado com a intuição pura. Contudo, Allison admite que em lugar algum da &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Crítica da Razão Pura&lt;/span&gt; os esquemas são explicitamente caracterizados como intuições puras. Kant diz que esquemas são intuições &lt;span style="font-style: italic;"&gt;a priori &lt;/span&gt;na &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Crítica da Razão Prática&lt;/span&gt; (cf. A 120), enquanto, na &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Crítica da Faculdade do Juízo&lt;/span&gt;, nós encontramos que intuições que se referem a conceitos puros do entendimento são esquemas (cf. Ak, VI, 251). Mas, de volta ao capítulo sobre o Esquematismo na &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Crítica da Razão Pura&lt;/span&gt;, além da falta de abono para esta leitura, há ainda um problema. Kant formula a principal questão daquele capítulo dizendo: “conceitos puros do entendimento, comparados com as intuições empíricas (até mesmo com as intuições sensíveis em geral), são completamente heterogêneos e nunca se podem encontrar em qualquer intuição” (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;CRP&lt;/span&gt;, A 137, B 176, itálicos meus). Muito bem, se esquemas são necessários, porque conceitos puros do entendimento são heterogêneos com relação a “qualquer intuição sensível”, então como eles poderiam resolver o problema &lt;span style="font-style: italic;"&gt;sendo&lt;/span&gt; &lt;span style="font-style: italic;"&gt;intuições&lt;/span&gt;? Em primeiro lugar, nós devemos checar se a hipótese de Allison e Loparic pode sobreviver a uma interpretação em perspective ampla, então nós lidaremos com a citação feita acima e até mesmo aprofundaremos o problema para tentar resolvê-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;----&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como podem ver, trata-se de um esforço hermenêutico para demonstrar a coerência interna da doutrina do Esquematismo, um dos momentos mais obscuros da &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Crítica da Razão Pura&lt;/span&gt; (e considerem que a concorrência para este título é grande). Terei o prazer de apresentar meu trabalho na mesma mesa que o prof. João Carlos Brum Torres, que falará sobre "Schematism and Indexality", no dia 14 de maio, às 14h00.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36459076-9151827758227763665?l=andreafaggion.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://andreafaggion.blogspot.com/feeds/9151827758227763665/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36459076&amp;postID=9151827758227763665' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/9151827758227763665'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/9151827758227763665'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://andreafaggion.blogspot.com/2008/05/congresso-kant.html' title='Congresso Kant'/><author><name>Niemand</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05507574057753299136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/SByX_-5avKI/AAAAAAAAATw/ebk1tafMflA/s72-c/kant1798.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36459076.post-3207142078288032213</id><published>2008-04-27T10:58:00.000-07:00</published><updated>2008-04-27T11:37:47.441-07:00</updated><title type='text'>O Dom da Culpa</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/SBS_Fe5avJI/AAAAAAAAATo/Vs0bgfhoH0k/s1600-h/Entrevista-com-o-Vampiro-1.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/SBS_Fe5avJI/AAAAAAAAATo/Vs0bgfhoH0k/s320/Entrevista-com-o-Vampiro-1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5193986371179166866" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;O modismo pós-moderno quer nos libertar do fardo da culpa. Esta teria sido imposta a nós, artificialmente, pela tradição judaíco-cristã, como um mecanismo de controle. Parece que eles acreditam que este mecanismo deve continuar sendo imposto ao povo-gado, que precisa de um pastor, mas faria parte da superação do homem, coisa para poucos, abandoná-lo. Alguma coisa neste sentido... Assim, Raskólhnikov seria o perfeito herói pós-moderno, até sua conversão ao cristianismo, quando, após o crime, encontra o castigo que lhe traz alívio. Por isso, Paulo Francis dizia que o Raskólhnikov pré-cristianismo era uma das maiores criações humanas. Como se a culpa não tivesse se manifestado na consciência do personagem de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Crime e Castigo&lt;/span&gt; quase que simultaniamente ao crime, fazendo-o ser atraído pela punição como uma mariposa pela luz, para usar a metáfora do próprio Dostoiévski.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De minha parte, sempre fui atraída pelo fenômeno moral da culpa. Nunca a vi com o desprezo de nietzscheanos e pós-modernos (separo as categorias, mas suspeito que dê tudo no mesmo). Vejo até uma grandeza estética na sua expressão. Como se ela fosse uma marca sensível impressa em nós para dar concretude à razão e nos separar carnalmente do reino animal. É por isso que gosto tanto da obra de Anne Rice. Tudo bem que ela não possa caminhar ombro a ombro com os mestres da literatura russa (minha favorita), mas teve o mérito de criar (até onde eu sei) um novo gênero de literatura sobre vampiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Drácula,&lt;/span&gt; de Bram Stoker, é um livro que merece ser lido, mas devia ser guardado em uma estante diferente de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;O Vampiro Lestat&lt;/span&gt; ou &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Entrevista com o Vampiro&lt;/span&gt;. Para Stoker, o vampiro é um cadáver animado que usa poderes sobrenaturais para atrair suas vítimas. Ele é repulsivo e desprovido de qualquer sentimento humano. Em suma, Stoker escreve sobre um monstro, do ponto de vista das vítimas e dos caçadores. Mas, para Rice, é com o vampiro que devemos nos identificar. Eles é que são entrevistados e escrevem diários. Querem contar suas histórias e são seus heróis. Por quê? Porque eles sentem culpa. Suas histórias são as histórias desse sentimento que "materializa" a moralidade. O vampiro é como se fosse apenas a personificação dessa experiência moral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, é interessante prestarmos atenção à negativa de Louis, quando Armand lhe oferece o fim do sofrimento em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Entrevista com o Vampiro&lt;/span&gt;. Louis opta por continuar a sentir a dor moral, podendo se entregar aos prazeres bestiais sem pesares. Lestat, na mesma obra, também observa como o companheiro  depende de sua culpa, de seus arrependimentos para continuar vivendo. Na verdade, em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;O Vampiro Lestat,&lt;/span&gt; o mesmo é válido para o próprio personagem título. Assim, apenas nesta última obra, ele é humanizado. O que Rice percebeu então muito bem é que a escolha de Louis não era a escolha entre ser humano e ser um deus ou algum &lt;span style="font-style: italic;"&gt;übermensch&lt;/span&gt;, algo cujo significado nem poderíamos entender, mas sim a escolha entre ser homem ou ser apenas animal. Disto, entendemos muito bem. Talvez com exceção dos pós-modernos e dos nietzscheanos, não estamos dispostos a abrir mão do dom da culpa, porque não queremos ficar "aquém do homem".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36459076-3207142078288032213?l=andreafaggion.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://andreafaggion.blogspot.com/feeds/3207142078288032213/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36459076&amp;postID=3207142078288032213' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/3207142078288032213'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/3207142078288032213'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://andreafaggion.blogspot.com/2008/04/o-dom-da-culpa.html' title='O Dom da Culpa'/><author><name>Niemand</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05507574057753299136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/SBS_Fe5avJI/AAAAAAAAATo/Vs0bgfhoH0k/s72-c/Entrevista-com-o-Vampiro-1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36459076.post-4889810907610170136</id><published>2008-04-12T11:45:00.000-07:00</published><updated>2008-04-12T12:06:49.729-07:00</updated><title type='text'>O Pragmatismo como Razão de Estado</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/SAEDec_fixI/AAAAAAAAATg/cZXnpi6fFAQ/s1600-h/hugo.png"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/SAEDec_fixI/AAAAAAAAATg/cZXnpi6fFAQ/s320/hugo.png" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5188432067420982034" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Há algumas semanas, Hugo Acero Velasquez, sociólogo colombiano que esteve à frente do bem sucedido e propalado projeto de contenção à violência em Bogotá, esteve em Londrina para uma palestra. Embora eu seja miserável com o uso do meu tempo, como havia lido uma matéria interessante sobre o assunto no caderno Mais da Folha de S. Paulo, resolvi investir um pouco de atenção no intelectual administrador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade, de intelectual, não vi nada. Velasquez parece ser do tipo que acredita que os fatos tenham voz própria e devam ser ouvidos na linguagem dos números e imagens. Gráficos e mais gráficos, tabelas e mais tabelas e, no meio de tudo isso, seqüências de fotos "antes e depois", como naqueles programas de cirurgia plástica. O método expositivo de Velasquez reflete bem sua "filosofia" de trabalho: uma política de resultados tão agressiva quanto em qualquer negócio privado e mais destituída de escrúpulos do que a maioria deles.  Vimos de motociclistas obrigados a se vestirem como presidiários a  deportações em massa de cidadãos colombianos para serem julgados pela justiça norte-americana, passando, é claro, pela facilidade das desapropriações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mais assustador foi verificar o absoluto desapego a qualquer valor político por parte da platéia. Se um método era mostrado como eficaz, aplaudia-se. Sendo assim, já era de se esperar que as questões que se seguiram à fala do colombiano seguissem sempre a mesma fórmula: "como fazer para..." Ninguém ficou curioso, por exemplo, em saber de onde vinha o dinheiro para a construção de bibliotecas monumentais em vários e vários bairros miseráveis. A menção aos Estados Unidos só foi feita quando Velasquez citou os últimos 850 deportados para o país. Alguém quis debater o caso juridicamente? Não aquela platéia. Pensam que a palavra "soberania" foi citada? Não por aquela platéia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquela platéia era uma boa amostra de uma classe média que aplaude e cobra atos de força do Estado no combate à violência, mas não tem organização e nem sofisticação intelectual o bastante para reivindicar o que verdadeiramente precisa ser feito: Quando os presídios deixarão de ser escritórios do crime? Quando juízes, promotores e políticos deixarão de estar à venda? Quando os magnatas do tráfico, que não estão no morro, serão presos? Quando os esquemas de lavagem de dinheiro serão desmontados? Quando as fronteiras estarão fechadas para a entrada de armamento militar? Quando a polícia será bem paga e treinada? Quando os policiais corruptos serão punidos? É mais fácil, para governantes e governados, optar simplesmente pelo "terrorismo de Estado". Os números resultantes podem ser positivos, mas eles não falam do preço que foi pago por eles: o Estado de Direito.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36459076-4889810907610170136?l=andreafaggion.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://andreafaggion.blogspot.com/feeds/4889810907610170136/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36459076&amp;postID=4889810907610170136' title='8 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/4889810907610170136'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/4889810907610170136'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://andreafaggion.blogspot.com/2008/04/o-pragmatismo-como-razo-de-estado.html' title='O Pragmatismo como Razão de Estado'/><author><name>Niemand</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05507574057753299136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/SAEDec_fixI/AAAAAAAAATg/cZXnpi6fFAQ/s72-c/hugo.png' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36459076.post-2275937839503742321</id><published>2008-03-30T09:58:00.000-07:00</published><updated>2008-03-30T10:50:07.517-07:00</updated><title type='text'>Sobre um prazer que os cínicos nunca terão</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/R-_HfD0tGtI/AAAAAAAAATY/gBSVH0dppYQ/s1600-h/carid.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/R-_HfD0tGtI/AAAAAAAAATY/gBSVH0dppYQ/s320/carid.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5183581032542968530" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Quando eu concentrava minhas reflexões nos temas da filosofia moral, aprendi que as nossas intenções, na mesma medida em que definem nosso caráter, bom ou mau, são insondáveis. Na verdade, a maldade sempre me pareceu mais palpável. Como desconfiarmos da maldade quando alguém sistematicamente demonstra desprezar a própria avaliação moral de suas máximas, atendo-se firmemente à perseguição incondicional de seus fins egoístas? Mas isto não tem muita importância, porque um comportamento assim não parece ter potencial para se constituir em regra. Deve ser avaliado como uma anomalia, uma vez que o egoísta incondicional que se expusesse como tal perante à sociedade inviabilizaria a realização de seus próprios fins. Via de regra, os seres humanos parecem ter a tendência a irem mesmo além do teatro social, esforçando-se por construir teorias que legitimem moralmente suas ações perante si próprios. Tenho certa convicção, fundamentada na leitura de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Mein Kampf&lt;/span&gt;, de que o próprio Hitler, personificação da maldade para tantos, acreditava estar cumprindo seu dever com suas ações políticas, e não simplesmente perseguindo um objetivo pessoal. Ok, no fundo, tenho até um palpite de que os maiores males da história da humanidade tenham sido provocados por teorias morais equivocadas, e não por egoístas despreocupados com relação a fins mais nobres. Mas mesmo que concordem comigo (e acho que vão concordar), se nos lembrarmos de que o bem ou o mal reside nas intenções, esse palpite não nos autoriza a julgar moralmente os grandes fascínoras. Assim, contra nossos ímpetos mais profundos de apontarmos para pessoas, a reflexão moral mais racional nos convida a considerar apenas máximas. A máxima é boa ou má, mas, quanto a quem age sob ela, nada ou pouco sabemos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na contramão dessas minhas crenças de ordem filosófica, deparo-me com um princípio geral do mais profundo cinismo enraigado nos juízos morais proferidos cotidianamente. Trata-se do que quero chamar de "pressuposição de maldade". Interpretamos ações, incluindo aqui as linguísticas, adotando como princípio hermenêutico a idéia de que o autor pretende com ela realizar fins que não podem se tornar públicos, justamente porque são decorrentes de sua máxima do egoísmo incondicional. Para não citar nomes e fatos do meu dia-a-dia, atenho-me ao modo como pensamos em doações feitas por pessoas públicas, por exemplo. Se uma celebridade faz uma doação, a conclusão é tão automática que mal se pode dizer que passou pelas nossas mentes antes de chegar às línguas: ela quer publicidade! É só um exemplo. Estou certa de que vocês podem pensar sobre dezenas de ações conforme ao dever que presenciaram em um período de poucos dias e atribuíram, sem maiores reflexões, à mera intenção egoísta. Simplesmente, esta é a regra que rege nossas relações sociais. Se ousamos demonstrar fé em uma intenção moral, somos acusados então de uma hipocrisia muito mais perniciosa. Os cínicos que propagandeiam enxergar o mal com transparência ao menos passam por honestos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quais os males decorrentes deste estado de coisas? Simples imprecisão filosófica nos juízos? Certamente, os problemas são mais profundos. Além do fato de não nos ouvirmos mais, já que cada palavra significa verdadeiramente aquilo que quer esconder, e não o que diz, há a perda do sentimento de acolhimento na humanidade. Quem já recebeu uma boa ação sabe que, muito mais do que o resultado concreto, vale a sensação de ter tido contato com a bondade, ainda que isto seja apenas questão de fé. Vou dar um exemplo, agora do meu dia-a-dia. Quando eu ainda dependia do sadismo das empresas de transporte coletivo para chegar em Maringá, não podia me atrasar para apanhar o primeiro circular do dia, porque isto significaria um atraso em cascata que poderia me levar a perder o dia de trabalho. Pois, por 20 segundos ou menos, isto me ocorreu uma única vez em cerca de 17 meses. Eu ainda estava no meio do indesejável e forçado cooper matinal quando fui interrompida por uma estranha, que deu a volta na rua com seu carro. A princípio, eu não entendi bem o que ela queria (acho que estava ofegante demais para conseguir pensar...). Ela se ofereceu para sair do trajeto do próprio trabalho e me levar a uma avenida próxima, onde eu poderia pegar outros ônibus. Um gesto tão simples e tão significativo. Uma pessoa olhando ao redor e percebendo que alguém está em apuros. (Por vezes, acho que nem disso sou capaz, se permitem a confissão entre parênteses...) Ela, além de me perceber precisando de ajuda, ainda se dispôs a ajudar. Uma completa estranha! É claro que não posso negar ao cínico o direito de pensar: ela só queria o prazer de se sentir magnânima. Pode ser. Quem sabe? O fato é que eu me despedi dizendo: "Então ainda existe bondade no mundo, heim?" Ao que ela respondeu com uma fé singela: "Com certeza!" Podemos estar ambas erradas, mas que somos mais felizes do que o cético, disso, não tenho dúvidas...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36459076-2275937839503742321?l=andreafaggion.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://andreafaggion.blogspot.com/feeds/2275937839503742321/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36459076&amp;postID=2275937839503742321' title='7 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/2275937839503742321'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/2275937839503742321'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://andreafaggion.blogspot.com/2008/03/sobre-um-prazer-que-os-cnicos-nunca.html' title='Sobre um prazer que os cínicos nunca terão'/><author><name>Niemand</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05507574057753299136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/R-_HfD0tGtI/AAAAAAAAATY/gBSVH0dppYQ/s72-c/carid.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36459076.post-1892057963834101939</id><published>2007-12-28T08:21:00.000-08:00</published><updated>2007-12-28T08:48:46.864-08:00</updated><title type='text'>Doce Ignorância</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/R3Uiw-Uqw6I/AAAAAAAAAD8/H73UiBOn69U/s1600-h/setimo%2Bselo.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/R3Uiw-Uqw6I/AAAAAAAAAD8/H73UiBOn69U/s320/setimo%2Bselo.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5149059973726782370" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Graças ao meu amigo Bruno, que não desiste de tentar sofisticar meu gosto cinematográfico moldado pelos efeitos especiais hollywoodianos, tive ontem meu primeiro contato com um filme de Bergman. Assisti "O Sétimo Selo". A primeira impressão é a do choque cultural. A idade média hollywoodiana somos nós a cavalo. Habituamo-nos com o mocinho que reconhecemos facilmente por só se distinguir de nós devido à falta das facilidades modernas. Somos nós sem celular, computador, televisão, máquina de lavar... Já os personagens de "O Sétimo Selo" não conquistam a nossa empatia em um primeiro momento. Pelo contrário, eles despertam nossa repugnância, por razões diferentes a cada cena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda assim, assistir esse filme está longe de ser recomendável apenas pela experiência de alteridade. Conforme "O Sétimo Selo" avança, encontramos o que há de mais fortemente humano e, portanto, aquele elemento sempre presente, seja num cavaleiro medieval ou num cowboy americano, desde que ele ouse romper com a redoma de familiaridade com a existência que a sociedade, seja ela qual for, está ali para proporcionar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antonius Block, cavaleiro de Bergman, quer que Deus saia das sombras, se horroriza com a possibilidade do vazio da morte. Quer que ela esconda segredos, sejam eles quais forem. Ele pede à bruxa condenada que lhe apresente ao diabo para que ele lhe ajude a conhecer Deus. Mas, quando a bruxa queima, ele assiste o terror em seus olhos e não suporta a triste compreensão de que aquela expressão é resultado apenas da contemplação do nada. Ele preferia que ela estivesse vendo um anjo, Deus... ou mesmo o demônio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Felizmente, não resta garantido a Block que ele nada encontrará quando terminar de jogar xadrez com a morte. Diante da certeza mais íntima da dor do vazio que nos espera, Block sempre pode recorrer à nossa ignorância. Aqueles homens retratados por Bergman são como crianças assustadas na floresta. Eles não ousam se proclamar senhores da natureza como nós modernos. Em vez disso, fogem de seus fantasmas e também da peste. O mundo, para eles, é encantado e assustador. Olhando para nós, este parece ser um tempo distante, pois temos tudo muito mais domesticado. Porém, como Bergman nos mostra, o medo dos medos continua lá. Não importa que possamos vencer pestes em laboratórios ou se agora rimos de fantasmas atrás de árvores. Ainda temos a mesma ignorância quanto ao que vem "depois"... e se há um "depois".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se não houver, teremos que levar as mãos à cabeça e gritaremos como Block, pois seremos um rápido relâmpago encerrado entre dois tempos incomensuráveis de escuridão, e não fará o menor sentido, por resultar no mesmo nada, o que tivermos feito de tão ínfima existência.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36459076-1892057963834101939?l=andreafaggion.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://andreafaggion.blogspot.com/feeds/1892057963834101939/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36459076&amp;postID=1892057963834101939' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/1892057963834101939'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/1892057963834101939'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://andreafaggion.blogspot.com/2007/12/doce-ignorncia.html' title='Doce Ignorância'/><author><name>Niemand</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05507574057753299136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/R3Uiw-Uqw6I/AAAAAAAAAD8/H73UiBOn69U/s72-c/setimo%2Bselo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36459076.post-1323245456173854495</id><published>2007-12-15T14:02:00.000-08:00</published><updated>2007-12-15T15:00:38.895-08:00</updated><title type='text'>Animais Racionais Também Andam de Moto</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/R2RPL-Uqw5I/AAAAAAAAAD0/yOQmjKCtaWs/s1600-h/caes_moto.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/R2RPL-Uqw5I/AAAAAAAAAD0/yOQmjKCtaWs/s320/caes_moto.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5144323741490791314" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Se você quiser que alguém olhe para você como se você tivesse perdido a razão, a receita é muito simples: diga que você comprou uma moto. Não adianta explicar que não se trata de um meio de transporte como outro qualquer, mas que andar de moto é um prazer em si mesmo, porque a suposta voz da prudência fará uma objeção muito simples: você pode morrer na primeira curva que fizer.  Ora, é neste momento que você saberá que você está de um lado de uma certa linha divisória que podemos traçar em meio à humanidade e seu interlocutor está do outro. Seu interlocutor está entre os que temem a morte. Você está entre os que temem o leito de morte. Em outras palavras, seu interlocutor vê um bem em si mesmo no simples prolongamento da existência, seja ela como for, mas você teme os fantasmas de todas as aventuras perdidas assombrando sua mente enquanto você morre tranquilamente em meio a lençóis limpos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O curioso é que seu interlocutor será denominado por muitos "racional". Você será "louco". Digo, pois, que, nesta concepção, "louco" é quem acredita, corretamente, que a razão não dita fins. Tudo que a razão pode fazer é deliberar quanto aos meios para nossos fins (a moto mais adequada para a aventura que quero) ou avaliar a correção moral da máxima que determina nosso fim. Se esta máxima é moralmente permitida, a razão nada tem a dizer quanto à sua adoção ou não. A paixão é que nos determinará. O que sucede então com nossos amigos do outro lado da linha? Eles buscam calar as paixões. Ou mais rigorosamente dito, a paixão que os determina é apenas o puro e simples temor do inevitável: a morte. Por medo da morte, perdem tudo que têm: o gozo da vida, que, na ordem geral das coisas, é sempre incomensuravelmente breve.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36459076-1323245456173854495?l=andreafaggion.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://andreafaggion.blogspot.com/feeds/1323245456173854495/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36459076&amp;postID=1323245456173854495' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/1323245456173854495'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/1323245456173854495'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://andreafaggion.blogspot.com/2007/12/animais-racionais-tambm-andam-de-moto.html' title='Animais Racionais Também Andam de Moto'/><author><name>Niemand</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05507574057753299136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/R2RPL-Uqw5I/AAAAAAAAAD0/yOQmjKCtaWs/s72-c/caes_moto.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36459076.post-7783953131217933870</id><published>2007-11-14T18:21:00.000-08:00</published><updated>2007-11-14T18:30:47.131-08:00</updated><title type='text'>E o Rei Não Perdeu a Majestade...</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/RzuvSlSvV_I/AAAAAAAAADs/Nyw6dLBmyLQ/s1600-h/treino.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/RzuvSlSvV_I/AAAAAAAAADs/Nyw6dLBmyLQ/s320/treino.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5132888934102030322" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;“O que Michael fez é inacreditável. Parece que ele ficou um dia fora, não um ano. Definitivamente, ele é o piloto mais rápido do mundo. Raikkonen é bom, mas o Schumacher é um fenômeno”. Faço minhas estas palavras de Luca Badoer, comentando o último feito de Schumacher, o homem que até aposentado brilha. O alemão ficou um ano sem pilotar, tirou férias, engordou 5 Kg e resolveu matar as saudades do carrinho vermelho como que para mostrar a razão de ser da nostalgia que tenho expressado neste blog quando falo de F1. Para resumir, andou na frente da molecada toda, incluindo aí Felipe Massa...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"FORZA SCHUMMY" (OK, OK, só estou matando as saudades também rsrsrs).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36459076-7783953131217933870?l=andreafaggion.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://andreafaggion.blogspot.com/feeds/7783953131217933870/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36459076&amp;postID=7783953131217933870' title='6 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/7783953131217933870'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/7783953131217933870'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://andreafaggion.blogspot.com/2007/11/e-o-rei-no-perdeu-majestade.html' title='E o Rei Não Perdeu a Majestade...'/><author><name>Niemand</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05507574057753299136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/RzuvSlSvV_I/AAAAAAAAADs/Nyw6dLBmyLQ/s72-c/treino.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36459076.post-1165904733708373069</id><published>2007-10-21T11:00:00.001-07:00</published><updated>2007-10-21T11:22:49.696-07:00</updated><title type='text'>Muito Cuidado com o que Desejar</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/RxuUC9ln6mI/AAAAAAAAADY/pTsdPOeaTf0/s1600-h/schummy.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/RxuUC9ln6mI/AAAAAAAAADY/pTsdPOeaTf0/s320/schummy.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5123851779677088354" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;"Fórmula de um homem só", este era o apelido da F1 até ano passado e também a razão pela qual muitos torcedores (aqueles que não vestiam vermelho, é claro) diziam que o esporte não tinha mais graça. Na verdade, esta crítica, baseada na falta de competitividade do esporte, havia ganhado força já muito antes da "Era Schumacher", vindo quase a se confundir com a história da F1, meio que definindo sua essência e servindo para contrastá-la com outras categorias, onde o alto do pódio recebe um colorido diferente a cada corrida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Particularmente, nunca acompanhei tais categorias, pois sempre achei profundamente desinteressante essa alternância de líderes que democratiza a glória da vitória. Nunca vi nelas o herói triunfante que se separa da plebe como se fosse feito de um outro material: aquele a ser derrotado, aquele a ser amado, aquele a ser odiado... Pois bem, o dia de hoje confirmou categoricamente esta minha opinião de tantos anos. O campeonato de F1 esteve aberto entre 3 pilotos até o último momento, sendo que um mísero ponto fez a diferença entre eles no final. Pergunto então àqueles mesmos críticos: Gostaram? Era isso que vocês queriam?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi um final tão chato que nem Galvão Bueno, expert em forjar emoções, conseguiu fingir o mínimo de entusiasmo. Dêem uma olhadinha na imagem aí acima e comparem com o que acabaram de ver na TV. Tudo bem, que seja dado o devido desconto à frieza de Raikkonen, mas quem comemoria um campeonato que bem poderia ter sido conquistado por outros dois, sem que ninguém pudesse dizer que haveria então alguma falta de mérito para o título? A verdade é que a conquista do finlandês não foi injusta, mas teria sido igualmente merecida a conquista de qualquer um dos outros. A sensação, assim, é que Kimi apenas estava na frente na hora em que o campeonato acabou. Sorte dele. Nenhum grande feito!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não fosse por Hamilton, não haveria nada a ser dito sobre esta temporada há tanto esperada por tantos. Foram dele os únicos momentos memoráveis, como a ultrapassagem no próprio campeão, de quem eu, honestamente, não conseguiria destacar um único lance depois de tantas corridas. Só que o mesmo Hamilton, ao tentar fazer história ultrapassando Alonso por fora onde não se passa nem por dentro, provou que também não é herói, ao menos por enquanto. A aposentadoria do último gênio instaurou o campeonato da mediocridade. Contra aqueles que torciam para que ele se afastasse, eu, agora mais ainda, continuo na torcida para que surja um outro monarca, fazendo renascer a "fórmula de um homem só". Abaixo a democracia na F1!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36459076-1165904733708373069?l=andreafaggion.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://andreafaggion.blogspot.com/feeds/1165904733708373069/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36459076&amp;postID=1165904733708373069' title='10 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/1165904733708373069'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/1165904733708373069'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://andreafaggion.blogspot.com/2007/10/muito-cuidado-com-o-que-desejar.html' title='Muito Cuidado com o que Desejar'/><author><name>Niemand</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05507574057753299136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/RxuUC9ln6mI/AAAAAAAAADY/pTsdPOeaTf0/s72-c/schummy.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36459076.post-7294508359475254777</id><published>2007-10-16T04:41:00.001-07:00</published><updated>2007-10-16T05:24:50.393-07:00</updated><title type='text'>A Universidade e a Demagogia</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/RxSjgNln6kI/AAAAAAAAADI/mUhOhTSbLFw/s1600-h/universidade.gif"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/RxSjgNln6kI/AAAAAAAAADI/mUhOhTSbLFw/s320/universidade.gif" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5121898450025704002" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Algumas cenas do meu passado como aluna do ensino fundamental e médio são, para mim, muito emblemáticas. Lembro-me, por exemplo, da professora de história corrigindo as provas em sala de aula enquanto batíamos papo ou do professor de literatura que, sem muita cerimônia, me perguntava se eu já tinha lido o livro a ser discutido em sala para falar um pouco sobre ele, já que ele mesmo já não se lembrava mais do que lera há tantos anos. Estes episódios deprimentes refletem não apenas professores desmotivados com os baixos salários e condições precárias de trabalho, mas, talvez sobretudo, o fato de um professor precisar necessariamente passar, no mínimo, 30 horas em sala de aula para poder se sustentar. Ora, em que horário exatamente espera-se que ele corrija as avaliações (o que, diga-se de passagem, deve sempre ser muito mais do que atribuir uma nota) ou que ele prepare as aulas, o que, via de regra, consome mais tempo do que o necessário para ministrá-las propriamente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, se este cenário representa o abismo profundo do nosso ensino fundamental e médio, condenando o Brasil ao eterno subdesenvolvimento, imagine o potencial de devastação do quadro uma vez transferido para o ensino superior. O professor do ensino fundamental e médio deve ter uma carga horária em sala de aula compatível com a realização das demais atividades que sua profissão exige e com a necessidade de que ele próprio receba uma formação continuada. Além dessas mesmas necessidades, o professor universitário tem ainda toda uma outra dimensão em sua carreira. Ele deve ocupar o topo do edifício do conhecimento em uma sociedade, não apenas no sentido em que ele formará os demais professores, mas, principalmente, no sentido em que cabe a ele não apenas receber uma formação ativa e contínua, podendo reproduzir conhecimentos, mas ser um produtor de conhecimento científico e de inovações tecnológicas. Neste contexto, é fácil perceber a mentalidade provinciana daqueles que percebem um vaga-bundo na figura do professor universitário que não passa mais de 8 horas semanais em sala de aula. O que parece pensar tanto o governo (ao menos o paranaense) quanto o mais simples dos cidadãos é que o professor universitário está trabalhando única e tão somente quando está lecionando, logo, se ele recebe por 40 horas semanais e leciona durante 8 horas, ele é um privilegiado, termo que gostam tanto de nos aplicar (agora, começando pelo presidente da República).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, certamente, a sedução pela idéia de elevação dessa carga horária mínima em sala de aula não passa apenas pela ignorância e provincianismo da população e dos governantes, mas, acima de tudo, pela marca suprema que rege a educação no Brasil: o anseio pelo progresso quantitativo para fins de propaganda eleitoral. Da mesma forma que arrebentaram as escolas para poderem dizer no "horário político" que a grande maioria das crianças brasileiras está matriculada, ainda que "escola" agora signifique "fábrica de analfabetos funcionais diplomados", querem arrebentar as universidades, destruindo a pesquisa, para poderem dizer que os jovens brasileiros têm acesso aos bancos universitários. Claro, é muito mais simples pensar que o professor que leciona 8 horas pode lecionar 10 ou que quem leciona para 40 alunos pode lecionar para 60, do que pensar em novos investimentos na contratação de professores. E, no final das contas, a propagando surtirá o mesmo efeito, porque o número será o mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se quisermos agora buscar a raíz ainda mais profunda do problema, ela se localiza na idéia perniciosa de que a universidade deve ser para todos, ao passo que, enquanto instituição responsável pela produção do conhecimento acadêmico, ela  deve claramente ser o lugar de uma elite intelectual (seja ela provinda da classe econômica que for).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A destruição da universidade começa a se tornar realidade quando, primeiramente, seu conceito é subvertido e ela se torna uma grande escola técnica, abrangendo cursos obviamente profissionalizantes, como, por exemplo, contabilidade e secretariado executivo. Agora, eu pergunto: que tipo de pesquisa faz um acadêmico de contabilidade? Eu mesma respondo: muito pelo contrário, em geral, ele já trabalha em escritórios de contabilidade em período integral. Só estão na universidade porque o diploma é a única forma de obterem o registro para poderem almejar a posição de contador propriamente. Pelo que eu mesma ouvi desses acadêmicos, bem prefeririam um curso técnico fora da universidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O curioso é que, enquanto cursos assim ocupam as universidades, durante a minha graduação, tive que interromper meus estudos de alemão, porque este curso deixou de ser ofertado por "falta de demanda". Na mesma lógica, uma certa biblioteca universitária não compra os livros requisitados pelos professores de filosofia porque eles "não têm saída". Quer dizer, fica transparente que a universidade foi mergulhada no mercado e posta para atender exigências do mercado de trabalho, daí que encham o peito para reclamar que ela deva ser "para todos", quando ela só precisa ser para uns poucos interessados em passar o resto da vida com a cara mergulhada nos livros ou os pés fincados em laboratórios. É o fim da universidade na província da demagogia e do contra-senso...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36459076-7294508359475254777?l=andreafaggion.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://andreafaggion.blogspot.com/feeds/7294508359475254777/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36459076&amp;postID=7294508359475254777' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/7294508359475254777'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/7294508359475254777'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://andreafaggion.blogspot.com/2007/10/universidade-e-demagogia.html' title='A Universidade e a Demagogia'/><author><name>Niemand</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05507574057753299136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/RxSjgNln6kI/AAAAAAAAADI/mUhOhTSbLFw/s72-c/universidade.gif' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36459076.post-8862607539699930066</id><published>2007-10-07T11:32:00.000-07:00</published><updated>2007-10-07T11:58:28.915-07:00</updated><title type='text'>Ser-para-a-Morte</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/RwkrgFZ2SYI/AAAAAAAAADA/GPvu_kvWKOg/s1600-h/Heideggercabana.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/RwkrgFZ2SYI/AAAAAAAAADA/GPvu_kvWKOg/s320/Heideggercabana.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5118670281689680258" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Tem cabido a mim a grata tarefa de tentar aprender Heidegger (ao lado, sua cabana na floresta negra, minha inveja) para lecionar sobre ele no curso de filosofia em que trabalho. Confesso que cada vez que me sinto penetrar mais no pensamento do mais grego dos alemães, meu fascínio (não necessariamente concordância) só faz por aumentar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na última aula, conversamos um pouco sobre o "ser-para-a-morte". É profundamente interessante o modo como Heidegger faz uso de nossa capacidade de antecipação do fim para nos distinguir dos demais entes, aqueles que simplesmente ocorrem no mundo. Tenho refletido sobre isso, até não necessariamente em termos heideggerianos. Mas, para ficarmos com Heidegger, toda a história da metafísica ocidental, desembocando na ciência moderna e, por fim, na técnica, tem uma função não apenas encobridora do sentido do Ser, mas, na mesma medida, tranquilizante por calar essa mesma pergunta que, do contrário, ecoaria ao infinito. É como se todo edifício do conhecimento fosse erigido para desviar nosso olhar do que nos deixa perplexos, do enigma que nos é imposto, em troca de uma sensação de familiaridade que poderia ser facilmente abalada se, como doutos, nos déssemos conta de que uma coleção de predicados nunca diz nada sobre a presença que se revela e se encobre ou se, como leigos, nos déssemos conta de que não dominamos os fundamentos do conhecimento que perpassa a tradição em que nascemos e que caminha à nossa frente, sem que sequer saibamos dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Temos a tendência a querer desviar o olhar não só da questionabilidade que cerca nossa existência, mas também de nossa própria finitude. Pensava eu então que implicações surgiriam se nos apoderássemos de nossa finitude, em vez de negligenciá-la. Imediatamente, ocorreu-me a lembrança de Milan Kundera, em A Imortalidade. Para Kundera, a vida pode ser vivida como uma estrada ou como um caminho. A estrada, percorremos para chegarmos a algum lugar. Ela é só um meio. O caminho, seguimos para desfrutá-lo. Caminhamos por eles, tantas vezes, sem nem saber onde vão dar. Assim, se morremos na estrada, portanto, antes de chegarmos a nosso objetivo, morremos em vão. Mas, se morremos no caminho, em qualquer ponto dele, desfrutamos de cada passo dado. Parece então que o Dasein que reconhece seu ser-para-a-morte viverá em caminhos, não em estradas...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36459076-8862607539699930066?l=andreafaggion.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://andreafaggion.blogspot.com/feeds/8862607539699930066/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36459076&amp;postID=8862607539699930066' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/8862607539699930066'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/8862607539699930066'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://andreafaggion.blogspot.com/2007/10/ser-para-morte.html' title='Ser-para-a-Morte'/><author><name>Niemand</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05507574057753299136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/RwkrgFZ2SYI/AAAAAAAAADA/GPvu_kvWKOg/s72-c/Heideggercabana.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36459076.post-7802048126249465881</id><published>2007-09-20T18:45:00.000-07:00</published><updated>2007-09-20T19:06:33.491-07:00</updated><title type='text'>O Teste É de Paciência...</title><content type='html'>Da Folha Online (porque eu não me contive e tive que vir postar sem tempo e tudo): "O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou o pessimismo dos brasileiros e, numa referência indireta à imprensa, a imagem ruim que o País cria para si mesmo. 'No Brasil, muitas vezes nós trabalhamos com pessimismo e não conseguimos, dentro de nós mesmos, ter uma visão do Brasil tal qual ele é, tal como as coisas acontecem. E sempre que acontece uma coisa boa nós ficamos procurando uma ruim para ficar justificando nosso discurso', reclamou em reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES)".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora ele passou dos limites. Não é possível! O Partido dos Trapaceiros deve estar engajado em alguma campanha para aumentar o índice de suicídio entre os poucos cidadãos sensatos que ainda habitam este inferno tupiniquim. Uma hora, é a perua que nos manda relaxar e gozar (no chão dos aeroportos madrugada a dentro). Depois, vem aquele outro farsante nos dizer que a mesma crise referida pela ilustre colega de quadrilha é resultado do crescimento econômico. Agora, chega o  "porteiro de gafieira com problemas sintáticos", como diz o outro, para dizer que nós, os pessimistas, estamos procurando coisas ruins enquanto coisas boas acontecem. Quer dizer, em vez de ficarmos procurando problemas onde eles não existem, como é o caso do nosso glorioso senado, eu suponho que devíamos estar celebrando a auspiciosa prorrogação daquela extorsão legalizada chamada CPMF, por exemplo.  Eles nos infligem um mal para poderem nos fazer outro mal e ainda querem que a gente relaxe, goze, ria... Assim, só parafraseando Maluf, estupra, mas não debocha, "presidente"!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36459076-7802048126249465881?l=andreafaggion.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://andreafaggion.blogspot.com/feeds/7802048126249465881/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36459076&amp;postID=7802048126249465881' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/7802048126249465881'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/7802048126249465881'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://andreafaggion.blogspot.com/2007/09/o-teste-de-pacincia.html' title='O Teste É de Paciência...'/><author><name>Niemand</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05507574057753299136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36459076.post-9155493999137330349</id><published>2007-09-15T14:04:00.000-07:00</published><updated>2007-09-15T14:43:45.140-07:00</updated><title type='text'>A Morte de um País</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/RuxJW_QfbmI/AAAAAAAAAC4/MVvl8RHsMf0/s1600-h/luto.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/RuxJW_QfbmI/AAAAAAAAAC4/MVvl8RHsMf0/s320/luto.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5110540336445222498" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Creio que, em uma rápida enquete sobre o período mais negro da história do Brasil, a maioria votaria na ditadura militar, seja lá qual fosse a amostra de nossa pesquisa de opinião. Neste caso, eu votaria com a minoria e diria que nunca houve momento pior do que o atual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante a ditadura militar, havia quem &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;acreditasse&lt;/span&gt; que o governo militar cumpria com seu dever de livrar o país de uma ditadura comunista. Talvez possamos até dizer que os próprios militares, ou alguns deles, deveriam ser contados entre esses. Por outro lado, havia quem &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;acreditasse&lt;/span&gt; que valesse a pena morrer e matar pela queda do governo militar e o estabelecimento de um governo mais justo, seja lá qual fosse o conceito de justiça e o quanto estivesse equivocado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquela época, não havia instituições próprias a uma República liberal, seja formal ou concretamente. A liberdade era coisa menor e o indivíduo o instrumento de um bem comum, seja lá como fosse interpretado, à direita ou à esquerda. Ainda assim, havia uma idéia de país a ser construído, ou melhor, havia duas ou três delas, pois havia até quem simplesmente marchasse pelas eleições diretas, hoje instituídas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, já que foram instituídas as eleições e ao menos temos um congresso e poderes separados, por que então dizer que vivemos em uma época mais nebulosa? Talvez porque o próprio período da ditadura tenha nos ensinado que o futuro de um país está estreitamente condicionado por aquilo em que seu povo acredita, por aquilo que ele está disposto ou não a tolerar. Pois bem, vivemos em uma época em que a política simplesmente não é mais vista pela população como um instrumento transformador, como o meio de execução de seus ideais, de materialização de seus valores. Ela se constitui em uma esfera quase totalmente apartada da sociedade civil e o único contato estabelecido entre ambas se dá por meio do sustento que a primeira recebe da segunda, ao modo de um parasita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O divórcio definitivo entre a sociedade brasileira e a política se deu pela absolvição de Renan Calheiros e está plenamente retratada na crença generalizada de que Renan não significa uma exceção no quadro político do país. Vale agora, na "voz rouca das ruas", a máxima de que todos são culpados até que se prove o contrário e a única excepcionalidade do caso Renan, bem como de todos que precederam-no, foi o fato do senador ter sido descoberto. O cinismo é a resposta que a sociedade brasileira tem dado à conduta vexaminosa de seus governantes, talvez porque ela própria, perdendo o medo de olhar para si mesma, entenda que está sendo verdadeiramente representada, isto é, que cada anônimo não faria coisa diferente diante das mesmas oportunidades de um Renan.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para aqueles que por ventura vejam muita dureza em minhas palavras, eu faço a singela pergunta: e as urnas, elas cassarão Renan? É muito fácil prever que o senador será reeleito. E alguém pensa que será por ignorância da parte de seus eleitores? Não, será simplesmente porque o voto dos eleitores de Renan tem um preço, assim como tem o voto de cada senador que o absolveu ou se absteve. Em suma, eu não tenho vergonha de Renan e nem de quem o absolveu, eu tenho vergonha dos 70% de alagoanos que votaram em Collor, de não sei quantos paulistas que votaram em Maluf, dos 60% de brasileiros que votaram em Lula. Eu tenho vergonha do Brasil!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36459076-9155493999137330349?l=andreafaggion.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://andreafaggion.blogspot.com/feeds/9155493999137330349/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36459076&amp;postID=9155493999137330349' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/9155493999137330349'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/9155493999137330349'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://andreafaggion.blogspot.com/2007/09/morte-de-um-pas.html' title='A Morte de um País'/><author><name>Niemand</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05507574057753299136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/RuxJW_QfbmI/AAAAAAAAAC4/MVvl8RHsMf0/s72-c/luto.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36459076.post-2404957423415562319</id><published>2007-09-08T11:59:00.000-07:00</published><updated>2007-09-08T12:22:00.089-07:00</updated><title type='text'>Um Popstar na Cozinha</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/RuLxUtnJI7I/AAAAAAAAACw/aX5BkyEEIH0/s1600-h/jamie.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/RuLxUtnJI7I/AAAAAAAAACw/aX5BkyEEIH0/s320/jamie.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5107910265535013810" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Finalmente, encontrei a resposta ideal para os amigos que ficam me chateando pelo fato de eu não me casar: "Jamie Oliver não está disponível" rsrsrs&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ok, falando sério, eu sempre vi a culinária como uma arte, uma paixão e uma terapia antistress infalível. Mas os grande chefs, por outro lado, para mim, não passam de figuras insuportavelmente refinadas e distantes, enquanto os cozinheiros que aparecem em programas de TV sem muita sofisticação, aqueles populares, são glutões sem sal e sem pimenta. Eis então que um dia estou trocando os canais e dou de cara com um garotão... tudo bem, um cara de 31  anos, mas com pinta de vocalista de boyband, cozinhando como se aquilo fosse a coisa mais entusiasmante para alguém fazer da vida em um sábado à noite. Melhor ainda, fazendo pratos acessíveis a todos e ensinando truques que de fato funcionam (por conta dele, há uma pedra de granito dentro do meu forno). Para completar, ele ainda tinha senso de humor e um carisma impressionante. Deste jeito, confesso que eu até poderia dispensar o sempre sexy sotaque inglês, mas, já que acompanha o prato principal... &lt;span style="font-style: italic;"&gt;lovely&lt;/span&gt;!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, não preciso dizer que virei fã do programa, mas logo descobri que eram "os programas". Na verdade, para minha surpresa, até shows ao vivo o rapaz faz. Já imaginou? Uma turnê de culinária lotando grandes teatros em vários países? Pois, outro dia, fiquei sabendo que o loirinho se tornou um popstar, com direito a não poder andar na rua sem dar autógrafos, ser alvo de fofocas de tablóides e tudo mais. Tudo bem que, em um mundo em que isso acontece o tempo todo com gente cuja profissão nem sabemos dizer qual é, não é de se espantar. Mas não deixa de ser digno de registro que, desta vez, a culinária tenha se transformado em um espetáculo de massas. Não é a simples idéia de consumir a comida, sabe como é, aprender uma receita nova para variar o cardápio e tal. Quando Jamie cozinha, cozinhar já é um fim em si mesmo, um prazer em si mesmo. Não importa anotar os ingredientes (cozinheiro que se preze não faz isso mesmo) e aprender a receita propriamente. Você quer é simplesmente cozinhar também. Eu mesma cozinho pratos que nem como (massas, por exemplo), pelo simples prazer de prepará-los e é este prazer que Jamie certamente está divulgando. Com certeza, graças a ele, muitos jovens estã vendo a cozinha como um laboratório divertido. Suspeito que os grandes chefs odeiem-no, mas, cá entre nós, esta é a melhor parte. A cozinha agora é pop. Palmas para Jamie Oliver e seu &lt;span style="font-style: italic;"&gt;lovely&lt;/span&gt; show!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36459076-2404957423415562319?l=andreafaggion.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://andreafaggion.blogspot.com/feeds/2404957423415562319/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36459076&amp;postID=2404957423415562319' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/2404957423415562319'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/2404957423415562319'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://andreafaggion.blogspot.com/2007/09/um-popstar-na-cozinha.html' title='Um Popstar na Cozinha'/><author><name>Niemand</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05507574057753299136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/RuLxUtnJI7I/AAAAAAAAACw/aX5BkyEEIH0/s72-c/jamie.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36459076.post-3132826613217081384</id><published>2007-09-02T10:47:00.000-07:00</published><updated>2007-09-02T11:26:40.882-07:00</updated><title type='text'>Modernidade: de Locke a Kafka</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/Rtr3cZapf8I/AAAAAAAAACo/qJiEeeQn7rU/s1600-h/kafka.gif"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/Rtr3cZapf8I/AAAAAAAAACo/qJiEeeQn7rU/s320/kafka.gif" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5105665194808934338" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Uma das obras que mais me entusiasmam em toda história da filosofia são os &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Dois Tratados&lt;/span&gt; de Locke.  Poucas vezes, senti tanta afinidade com o que li quanto neste livro. É belo o modo como Locke mostra a incompatibilidade entre nossa situação natural, de liberdade, e a ausência de restrição ao poder soberano. A meu ver, podemos facilmente derivar dos &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Dois Tratados&lt;/span&gt; a idéia de que a lei se distingue do arbítrio daquele que detém a autoridade, subordinando mesmo a ele, o que me parece uma tese profundamente moderna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu diria, neste sentido, que a modernidade alcança sua plenitude quando o poder político deixa de ser visto como a autoridade que Deus, o Patriarca dos patriarcas, concedeu a um indivíduo que representa justamente a figura do Pai na Terra. Em suma, somos modernos quando Locke derrota Filmer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, no mesmo espírito, a modernidade, como realização histórica da liberdade, se degenera quando a lei é reificada.  Na nossa sociedade doentiamente (pós-?) moderna, sentimos o peso das normas como fatos naturais incontornáveis a cada simples telefonema cujos números comecem por um 0800.  É como se ninguém mais tivesse autoridade no mundo! A vontade humana cedeu lugar a um conjunto de protocolos incompreensível em sua lógica interna... ou justamente pela falta dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As grandes companhias contratam outras companhias para atenderem a seus clientes. Essas últimas treinam mecanicamente jovens já adestrados desde o berço exatamente para não resolverem problemas fora dos protocolos. Você liga para o serviço de atendimento, diz o seu nome e apresenta seu problema. A primeira pergunta que o jovem humanamente morto fará do outro lado da linha é "qual o seu nome, senhora?" Não importa que você já o tenha dito. O que importa é que a norma é que ele faça esta pergunta em primeiro lugar. E, afinal, "a sua ligação está sendo gravada". Quando foi a última vez que você teve um encontro face à face com o dono do estabelecimento do qual você é cliente? E, se tivesse, provavelmente, de nada adiantaria. Você correria o risco de ouvir um comentário do tipo "são as normas da empresa", em um tom que lhe faria pensar que estas estão gravadas em um pedaço de pedra de 20 séculos de idade, cultuado em catacumbas sobre as quais se construiram os grande edifícios para protegê-las.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No serviço público, naturalmente, tudo se passa da mesma forma... ou muito pior. "Nós nos adequamos às normas e não as normas a nós", ouvi recentemente de uma triunfante burocrata atrás de uma pilha de formulários indecifráveis. Rapidamente, percebi que a análise de cada formulário feita por ela seguia os padrões da inteligência artificial: "este campo tem que começar com um verbo!". Pouco importa se o sentido do texto é o mesmo que de um verbo. Não há seres humanos ali para que haja interpretação. Aliás, são proibidos de interpretar, pois, por aí, pela interpretação, a subjetividade banida poderia novamente se imiscuir entre nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não somos mais modernos! Não sabemos mais o porquê de nossas leis, não nos reconhecemos nelas, não sabemos nem quais e quantas são. Precisamos de autômatos treinados  para reagir a elas por nós. São os chamados "advogados"... Nós acordamos um dia e éramos insetos, havíamos perdido nossa humanidade. Nós nascemos já em um livro de Kafka, em que o pobre K é surpreendido em uma manhã por um processo, sem poder descobrir sequer do que é acusado. Os guardas têm a função de detê-lo, não de dar informações. Ou somos então aquele agrimensor de "O Castelo", que nunca consegue se aproximar de quem o contratou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém teve melhores e mais modernas intenções do que Locke, ninguém melhor do que Kafka entendeu a dor da falência do projeto moderno...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36459076-3132826613217081384?l=andreafaggion.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://andreafaggion.blogspot.com/feeds/3132826613217081384/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36459076&amp;postID=3132826613217081384' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/3132826613217081384'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/3132826613217081384'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://andreafaggion.blogspot.com/2007/09/modernidade-de-locke-kafka.html' title='Modernidade: de Locke a Kafka'/><author><name>Niemand</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05507574057753299136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/Rtr3cZapf8I/AAAAAAAAACo/qJiEeeQn7rU/s72-c/kafka.gif' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36459076.post-6608877727624143193</id><published>2007-07-28T10:06:00.001-07:00</published><updated>2007-07-28T10:19:17.774-07:00</updated><title type='text'>Quando Celebridades Eram Estrelas...</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/Rqt34hOcbMI/AAAAAAAAACg/a4L2NYu56J4/s1600-h/cantando.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/Rqt34hOcbMI/AAAAAAAAACg/a4L2NYu56J4/s320/cantando.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5092295616547810498" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Recentemente, meu grande amigo Bruno (blog ao lado) me presenteou com o DVD de "Singin' in the Rain". Acredite quem quiser, nunca tinha visto. Bom, ocioso dizer que, quando o filme acabou, achei inacreditável que eu tivesse estado privada de algo assim por tanto tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ver o filme foi como fazer uma viagem a um tempo em que as celebridades eram estrelas, porque pertenciam a um plano diferente do nosso por fazerem o extraordinário, o que nem poderíamos imaginar repetir. Elas, enfim, brilhavam entre os meros mortais. Ou, para resumir tudo, era um tempo em que as revistas de fofoca falavam sobre Gene Kelly, e não sobre Diego Alemão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A verdade é que fiquei tão encantada com o que vi que queria falar sobre o filme aqui no blog, mas, dado que não me julguei à altura de tecer comentários sobre essa obra-prima, imediatamente, fiz um pedido ao Bruno: que ele escrevesse sobre ela, usando seu amplo conhecimento de cinema. Já que meu pedido, como de hábito, foi prontamente atendido, compartilho meu presente com vocês&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://vilangelo.blogspot.com&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36459076-6608877727624143193?l=andreafaggion.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://andreafaggion.blogspot.com/feeds/6608877727624143193/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36459076&amp;postID=6608877727624143193' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/6608877727624143193'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/6608877727624143193'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://andreafaggion.blogspot.com/2007/07/quando-celebridades-eram-estrelas.html' title='Quando Celebridades Eram Estrelas...'/><author><name>Niemand</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05507574057753299136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/Rqt34hOcbMI/AAAAAAAAACg/a4L2NYu56J4/s72-c/cantando.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36459076.post-367525653239556180</id><published>2007-07-23T18:18:00.001-07:00</published><updated>2007-07-23T18:33:54.049-07:00</updated><title type='text'>Meros Mortais</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/RqVTkROcbLI/AAAAAAAAACY/ynEWNf_Q2zM/s1600-h/morte.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/RqVTkROcbLI/AAAAAAAAACY/ynEWNf_Q2zM/s320/morte.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5090566836376595634" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;A tragédia com o airbus da TAM nos lançou em um daqueles momentos em que nos arrepíamos até o fundo da alma ao termos nossa condição humana atirada em nossa face da forma mais brutal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há cerca de um mês, eu descia naquela mesma pista, em um avião daquele mesmo tipo. Como não pensar então: podia ter sido eu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não é a morte simplesmente que nos arrepia neste tipo de pensamento. Imaginem se simplesmente fossemos seres condenados a cumprir um ciclo vital que não pudesse ser prolongado e nem encurtado. Haveria o momento da infância, a vez da juventude, a chegada da maturidade e, então, a velhice, quando nossas forças, até a hora marcada, nos abandonariam gradativamente. A vida não seria um teatro bem menos trágico? Creio que a famosa, e algo patética, questão pelo sentido da existência sequer teria sido uma vez levantada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reflexões assim me fazem pensar que o drama humano não está na finitude em si, na simples mortalidade, mas sim na incerteza em que o ciclo (?) da vida transcorre. Um bebê de dois meses foi carbonizado... eu segui viagem...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Somos seres orientados para o futuro. Ninguém consegue viver como se cada instante fosse o último. Nossa consciência está determinada a antecipar cada momento como se fossemos fazer parte dele por certo. Alguns planejam os próximos 30 anos, ou ao menos sonham com o próximo sábado à noite. Outros apenas perdem o sono pensando em como pagar as contas no final do mês. Todos acreditam que sobrevivem até chegar à cozinha se querem pegar um copo d'água. Quem garante? Esta é a nossa desgraça: somos criaturas invariavelmente interrompidas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36459076-367525653239556180?l=andreafaggion.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://andreafaggion.blogspot.com/feeds/367525653239556180/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36459076&amp;postID=367525653239556180' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/367525653239556180'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/367525653239556180'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://andreafaggion.blogspot.com/2007/07/meros-mortais.html' title='Meros Mortais'/><author><name>Niemand</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05507574057753299136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/RqVTkROcbLI/AAAAAAAAACY/ynEWNf_Q2zM/s72-c/morte.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36459076.post-2253434953518180062</id><published>2007-07-10T05:29:00.000-07:00</published><updated>2007-07-10T05:57:09.542-07:00</updated><title type='text'>Ainda sobre Direito de Greve e Afins</title><content type='html'>Continuo tentando entender os grevistas em geral. Não me refiro a suas motivações e interesses, posto que não sou freudiana nem marxista. Como boa kantiana, meu ponto de interrogação se direciona fundamentalmente para as justificativas que deveriam resgatar as pretensões de validade por eles levantadas. Neste sentido, tenho observado que, via de regra, o argumento para um pedido de reajuste salarial gira em torno da suposta necessidade (aliás, garantida por leis positivas, das quais nunca me socorro) de que todo e qualquer salário garanta o indispensável para a sobrevivência com certa dose de bem-estar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este quadro me remete exatamente a um momento essencial da filosofia kantiana: a distinção entre moral e direito, que nos proporciona os fundamentos para uma distinção entre Estado de Direito, Estado Ético e Estado do Bem-Estar Social. Para Kant, a legislação jurídica, ou seja, externa deve regular &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;relações entre arbítrios&lt;/span&gt;, e não a relação entre o arbítrio de um e as inclinações de outro. Colocado de outra forma, isto significa que, por um dever jurídico, jamais estaremos obrigados à satisfação de inclinações do outro. Tudo que temos a fazer é não &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;impedir&lt;/span&gt; ou&lt;span style="font-weight: bold;"&gt; obstaculizar&lt;/span&gt; a realização de seu arbítrio, lembrando que não poder colocar uma pedra no caminho de outro não é o mesmo que ter que ajudar a tirar as que porventura lá estejam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deste modo, o empregador kantiano, perante o Estado de Direito, teria que ter o pleno direito de responder o seguinte ao empregado que lhe pede um reajuste salarial baseado na suposta insuficiência material do salário: "Nada tenho a ver com seus fins e não tenho a obrigação jurídica de colaborar para a realização dos mesmos. Não impeço seu arbítrio da realização de nenhum fim ao lhe oferecer o salário x em troca do serviço y, porque não lhe obrigo a aceitar o contrato".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou aqui dizendo então que um Estado baseado na filosofia do direito kantiana deveria apenas observar se os contratos são firmados espontaneamente ou por coação e, no primeiro caso, se são cumpridos. Neste contexto, a argumentação com o empregador pautada nas minhas inclinações se reduz à mera tentativa de comoção moral (quase um pedido de esmola). Argumentos mais efetivos manteriam seus olhos no mercado, observando o que diz a lei da oferta e da procura sobre a propriedade que vendo: minha força de trabalho. Neste caso, eu, particularmente, como não estou sendo exatamente disputada por outras vinte instituições que poderiam me empregar, mas,  ao  contrário, sei de outros vinte profissionais que aceitariam minha vaga por salário até menor, não vejo argumentos, mas vejo que é assim que deve ser em uma economia de livre mercado. No entanto, sei que não prezam por ela nem o governador do estado do Paraná e nem os aspirantes a grevistas perante ele, deste modo, nada tenho a dizer nem a um lado nem a outro. Desconfio ainda que argumento algum resolverá algum impasse entre eles. Como não são legítimos descendentes de Kant, a tendência é que a decisão se dê pela força e não pela razão, isto é, que possa ser explicada posteriormente, e até incorporada em leis positivas, mas não necessariamente justificada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36459076-2253434953518180062?l=andreafaggion.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://andreafaggion.blogspot.com/feeds/2253434953518180062/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36459076&amp;postID=2253434953518180062' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/2253434953518180062'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/2253434953518180062'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://andreafaggion.blogspot.com/2007/07/ainda-sobre-direito-de-greve-e-afins.html' title='Ainda sobre Direito de Greve e Afins'/><author><name>Niemand</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05507574057753299136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36459076.post-5343985836945440237</id><published>2007-07-07T11:10:00.000-07:00</published><updated>2007-07-07T11:35:37.248-07:00</updated><title type='text'>Educação para Inglês Ver</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/Ro_XX3sy5SI/AAAAAAAAACQ/St5H9rkxisQ/s1600-h/escola.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/Ro_XX3sy5SI/AAAAAAAAACQ/St5H9rkxisQ/s320/escola.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5084519309413377314" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Diz a lenda que, em uma época muito muito distante, existiam de fato escolas no Brasil. Em outras palavras, havia instituições que educavam crianças e jovens. Mas eram poucos os privilegiados com acesso ao saber. Como de hábito, o governo brasileiro acabou dando conta do problema: acabou com o privilégio acabando com a escola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, o problema não era o acesso de poucos? Então a solução foi apenas universalizar o ensino público, abarrotando salas de aula localizadas em prédios precários e multiplicando professores por via do achatamento dos salários. Minha bisavó só fez o primário e sabia ler, escrever e calcular perfeitamente. Hoje em dia, o egresso do ensino médio, sobretudo público, é um analfabeto funcional. Dê a ele um artigo de jornal e agradeça a Deus se ele souber lhe dizer qual era o tema!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Longe de haver uma solucação no horizonte, fala-se mesmo em um "apagão do ensino" após o "apagão dos aeroportos" (não que este tenha fim previsto, é claro, o outro é que tem hora marcada para começar). Atualmente, em todo país, faltam mais de 230 mil professores no ensino médio. Só para a disciplina de física faltam 55 mil. Como haverá pouco mais de 7 mil formandos em física, para ficar com o exemplo, nos próximos anos, até um aluno da escola brasileira consegue entender que boa coisa não vai dar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o governo está mais preocupado em tratar de outro problema, resolver outro privilégio: o acesso às universidades. Como elas são um patrimônio da elite, é preciso... acabar com ela, obviamente. A mesma pressão para que a quantidade, para inglês ver, se sobreponha à qualidade já chegou faz tempo ao ensino superior. Há alunos que ingressam em cursos de graduação quase no meio do primeiro ano em uma exótica "terceira ou quarta chamada". Não se tolera que haja vagas ociosas! Mas este não é o mal maior, longe disso!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pior é a pressão para que os cursos não tenham altos índices de evasão. Em suma,  se  o aluno não consegue acompanhar o curso e  desiste da universidade, as "otoridades" nunca vão concluir que aquele primário mal feito fez com que ele não estivesse apto a receber ensino de nível superior. O problema estará na própria universidade, que não é "democrática", é "elitista".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os cursos concorridos no vestibular são os menos afetados, porque ainda têm a sorte de contar com a nata da turma do primário mal feito. A coisa fica feia mesmo nos cursos de ciências humanas e nas licenciaturas em geral (olha o círculo vicioso aí). Eu ousaria afirmar categoricamente que o professor que leciona nesses cursos têm duas opções: ou ele não permite que se formem mais de dez alunos por turma (sim, estou sendo muito generosa) ou ele está permitindo que receba o diploma universitário um aluno que não está apto a exercer sua profissão. Em suma, somos cúmplices de um governo que quer fechar os olhos para a qualidade da educação nos níveis básicos e transformar a universidade pública em uma grande instituição beneficente para a distribuição de diplomas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Curioso, e paradoxal, é que o mesmo professor que colabora (por desinterese ou por coação) com esse esquema macabro do governo é aquele que, injustamente ou não, tem má fama na universidade pública por liderar os movimentos de oposição a decisões governamentais e de reivindicações. Eu me pergunto então se esses professores não exerceriam um papel transformador mais efetivo se, simplesmente, doesse a quem doesse, tivessem a coragem de cobrar do seu aluno o mesmo que cobra dos seus um professor de engenharia, de medicina...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36459076-5343985836945440237?l=andreafaggion.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://andreafaggion.blogspot.com/feeds/5343985836945440237/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36459076&amp;postID=5343985836945440237' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/5343985836945440237'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/5343985836945440237'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://andreafaggion.blogspot.com/2007/07/educao-para-ingls-ver.html' title='Educação para Inglês Ver'/><author><name>Niemand</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05507574057753299136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/Ro_XX3sy5SI/AAAAAAAAACQ/St5H9rkxisQ/s72-c/escola.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36459076.post-1173191830743333841</id><published>2007-06-30T11:45:00.000-07:00</published><updated>2007-06-30T12:08:27.389-07:00</updated><title type='text'>Direito de greve?</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/RoapBnsy5RI/AAAAAAAAACI/3ib5Syy92aE/s1600-h/greve.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5081935074836014354" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/RoapBnsy5RI/AAAAAAAAACI/3ib5Syy92aE/s320/greve.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Eu, honestamente, não tenho uma boa compreensão do tal "direito de greve". Não falo apenas do caso dos funcionários públicos. Refiro-me ao conceito de greve em geral e, naturalmente, não me assiste aqui a legislação positiva. O fato é que a situação comum me parece ser a seguinte: Um indivíduo se candidata a uma vaga como empregado e, sendo aceito, assina um contrato com seus direitos e deveres nele estabelecidos. Tal contrato pode especificar ou não quando ele terá um reajuste salarial e de quanto será (os documentos que assinei ao ser contratada, que eu me lembre, não especificam esses pontos). Mas então o que ocorre é que, uma vez contratado, o trabalhador, estando ou não de posse de um compromisso expresso do empregador em lhe reajustar o salário periodicamente, decide suspender o exercício da parte que lhe cabe, esta sim expressamente definida no documento que ele assinou, até que o empregador conceda o reajuste. O empregador, por sua vez, conforme diz o tal "direito de greve", não pode demiti-lo, ou seja, dar o contrato por encerrado, desde que ele afirme ter paralizado a atividade contratada em função de uma reivindicação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, a coisa toda me parece por demais exótica! Se o empregador violou o contrato ao não conceder o reajuste, parece-me vir ao caso que se acione justamente o árbitro dos contratos (no mínimo, uma das vestimentas do Estado), que então decidirá pela forma como a parte lesada terá seu direito restituído. Agora, se o empregador não violou o contrato, não se trata de direito a se reclamar, mas de um problema de insatisfação a ser sanado. O caminho que me parece então mais natural é a tentativa de renegociação do contrato, a que o empregador poderia perfeitamente se furtar, caso em que o referido contrato poderia vir a ser dado por encerrado por ambas as partes. No entanto, o sagrado "direito de greve" diz que o empregador deve aceitar renegociar o contrato e o insatisfeito determina quando ele volta a vigorar. O mundo, por vezes (tantas vezes), me escapa...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36459076-1173191830743333841?l=andreafaggion.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://andreafaggion.blogspot.com/feeds/1173191830743333841/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36459076&amp;postID=1173191830743333841' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/1173191830743333841'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/1173191830743333841'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://andreafaggion.blogspot.com/2007/06/direito-de-greve.html' title='Direito de greve?'/><author><name>Niemand</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05507574057753299136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/RoapBnsy5RI/AAAAAAAAACI/3ib5Syy92aE/s72-c/greve.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36459076.post-461487254716294769</id><published>2007-06-23T10:33:00.000-07:00</published><updated>2007-06-23T10:51:56.587-07:00</updated><title type='text'>"Orgulho Gay, Orgulho Hetero..."</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/Rn1aCEzEqhI/AAAAAAAAACA/9ViMRL3hqIM/s1600-h/parada.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5079314946437982738" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/Rn1aCEzEqhI/AAAAAAAAACA/9ViMRL3hqIM/s320/parada.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Outro dia, vi um documentário no GNT sobre uma comunidade lésbica. Algumas entrevistadas mostraram um enorme preconceito contra heteros e, em especial, contra homens heteros. Havia uma moça que falava dos homens exatamente como um nazista falaria de um não-ariano ("são inferiores, nunca serão capazes do desenvolvimento intelectual de uma mulher...", coisas assim). Pelos mesmos dias, eu já tinha lido umas frases de depoimentos de homossexuais que participavam da parada gay e o conteúdo era abominável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ocorre que, como a parada cresceu, agora ela é frequentada por gente de todo tipo, inclusive, quem não veste camisa, calça e cueca forum. Só vendo o desprezo com que os membros mais "praticantes" da comunidade, digamos assim, falavam dessa gente. Enfim, assim como o racismo contra os negros criou o racismo contra os brancos, porque criou um grupo que se fechou e montou estratégias de auto-defesa, o mesmo ocorre com a discriminação contra os homossexuais: criou-se uma comunidade com identidade própria (como se a opção sexual definisse absolutamente todos os seus outros valores, de gosto por música à posição política) que se considera, por sua vez, superior ao grupo majoritário que a discriminou. É uma coisa muito triste!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando você ouve essas pessoas, você nota como elas reforçam justamente a raiz do preconceito. Quero dizer que penso que, em vez desse papo de orgulho gay, deviam reforçar o fato de que ser gay é apenas mais uma característica dentre milhares de outras que um ser humano tem, um predicado que somado aos demais o diferencia e, por fim, o torna um indivíduo, um ser único, mas não o torna superior nem inferior. Da mesma forma, em vez de black power, deviam defender que, cientificamente, não existe o conceito de raça, de modo que o nazismo e teorias afins, além de fundarem-se em uma grande falácia naturalista, ainda dependem de concepções científicas precárias. Mas, não, ao reforçarem a identidade pela raça ou pela opção sexual, só reforçam os pressupostos desse tipo de visão de mundo excludente e avessa ao humanismo, que cairia por terra justamente se as pessoas tivessem em mente que a cor da pele define um ser humano tanto quanto a cor dos olhos, e a opção sexual, tanto quanto o gosto por morango ou chocolate...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em resumo, o que estamos vendo é um movimento circular que não faz a sociedade evoluir em nada. Primeiro, no universo mais amplo da cultura, inventa-se que o bacana é ser branco/hetero e que, portanto, estes devem ter mais diretos. Então os discriminados reagem, mas adotam a mesma premissa: o bacana é ter uma determinada cor/orientação sexual, os outros são inferiores. Aí, pelo politicamente correto, torna-se &lt;em&gt;cool&lt;/em&gt; adotar a posição reativa daquele que foi discriminado a princípio e deixá-lo discriminar os demais quando chega sua vez, mas, na fase seguinte, o primeiro grupo majoritário acha que deve ter a coragem de reagir também e, assim, a coisa vai embora em um círculo estúpido. Quer saber então em que passeata eu vou? Bom, se eu fosse fazer uma passeata, provavelmente, seria de uma pessoa só e a faixa seria assim: "não sou idiota a ponto de ter orgulho ou vergonha da minha cor/líbido"&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36459076-461487254716294769?l=andreafaggion.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://andreafaggion.blogspot.com/feeds/461487254716294769/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36459076&amp;postID=461487254716294769' title='11 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/461487254716294769'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/461487254716294769'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://andreafaggion.blogspot.com/2007/06/orgulho-gay-orgulho-hetero.html' title='&quot;Orgulho Gay, Orgulho Hetero...&quot;'/><author><name>Niemand</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05507574057753299136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/Rn1aCEzEqhI/AAAAAAAAACA/9ViMRL3hqIM/s72-c/parada.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36459076.post-3618202780876123520</id><published>2007-06-17T09:31:00.000-07:00</published><updated>2007-06-17T12:13:04.891-07:00</updated><title type='text'>"Vamos comer bagaço de cana"</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/RnViOEzEqgI/AAAAAAAAAB4/sD7wrIm4c1w/s1600-h/onibus.gif"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5077072148875749890" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/RnViOEzEqgI/AAAAAAAAAB4/sD7wrIm4c1w/s320/onibus.gif" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Eu ouvi a frase título no ar enquanto passeava pela última Exposição Agropecuária de Londrina. Tive a impressão dela ter vindo de um produtor rural, perto de quem eu passara. Outra impressão que tive foi da sentença ter sido muito bem inserida no atual contexto. Na verdade, para um povo que nunca conseguiu erguer um país de um berço esplêndido, nada mais apropriado como castigo histórico do que a volta aos tempos da monocultura da cana-de-açúcar. Mesmo assim, vale a reflexão...&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Não pretendo ser tão versada em biodiesel quanto nosso obcecado presidente (aliás, depois reclama quando é chamado de alcoólatra...), mas desconfio seriamente das intenções por trás de tal obsessão. Em outras palavras, será que o biodiesel seria uma idéia fixa natural quando se tem em vista o tão propalado aquecimento global e a consequente necessidade de evitarmos o consumo excessivo de petróleo, pelo fato deste gerar um combustível mais sujo, que, além disso, não é renovável? Tenho cá minhas dúvidas...&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Para explicar mais claramente o que tenho em mente, vou voltar a abusar do costume do pequeno relato pessoal. Eu moro a quase 100km do meu local de trabalho, sendo que quase toda esta distância deve ser percorrida em rodovias. Para pegar um ônibus rodoviário, no entanto, eu preciso de dois circulares que me levam até a rodoviária da cidade em que vivo. O primeiro circular passa pelo ponto próximo à minha casa de 25 em 25 minutos, o segundo sai do terminal urbano para a rodoviária de 20 em 20 minutos. Moral da história, conciliando os horários de ambos e considerando o tempo gasto no trajeto, gasto mais de uma hora da minha casa até a rodoviária. Trata-se, quase, do mesmo tempo que o ônibus rodoviário gasta de uma rodoviária a outra. Chegando à rodoviária de destino, para me locomover até o terminal urbano da cidade, preciso aguardar um ônibus circular por cerca de 10 minutos, e isto em um ponto dos mais movimentados da cidade. Agora, reflitam comigo, quem perderia todo este tempo em terminais e pontos de ônibus podendo fazer a viagem com um veículo próprio? E vejam que, propositadamente, eu nem menciono o fato de eu ter que viajar de pé em todos os circulares que tomo, sendo alguns ainda bastante apertados. Naturalmente, assim que possível, usarei meu próprio automóvel, oferecendo ao mundo minha própria parcela individual de poluição, seja ela pouco mais limpa ou pouco mais suja.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Pergunto então: tal precariedade no sistema de transporte coletivo, ineficiente e descômodo, é compatível com uma política pública voltada ao combate ao aquecimento global ou à economia no consumo de combustíveis? É óbvio que há algo podre no ar... e não é a poluição.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Eu vejo as campanhas da Honda e da Sundown, por exemplo, com novos produtos no mercado (a Pop e a Hunter, respectivamente) visando o público que anda de ônibus e penso se, caso fosse sincera, a discussão em torno de combustíveis menos poluentes não levaria a sociedade na direção oposta. É claro que todo o esforço, público e privado, devia se dar no sentido da adesão ao transporte coletivo. De quebra, o trânsito seria bem melhor! &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Para brincar ainda mais com a nossa inteligência, ainda querem nos convencer que o aumento da área de plantio de cana não vai afetar a produção de alimentos. Dizem que não afeta as lavouras, porque vão reduzir a área dos pastos. Ora, então, para comermos carne e bebermos leite, o gado não precisa se alimentar? Francamente! Fosse sincera e/ou inteligente, a idéia fixa do nosso presidente não seria "biodiesel" mas sim "transporte coletivo". O último, o nome já diz, interessa a todos nós, o primeiro, com certeza, interessa aos usineiros, a nós, não estaria tão certa...&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36459076-3618202780876123520?l=andreafaggion.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://andreafaggion.blogspot.com/feeds/3618202780876123520/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36459076&amp;postID=3618202780876123520' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/3618202780876123520'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/3618202780876123520'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://andreafaggion.blogspot.com/2007/06/vamos-comer-bagao-de-cana.html' title='&quot;Vamos comer bagaço de cana&quot;'/><author><name>Niemand</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05507574057753299136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/RnViOEzEqgI/AAAAAAAAAB4/sD7wrIm4c1w/s72-c/onibus.gif' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36459076.post-7359693758065647966</id><published>2007-06-01T15:01:00.000-07:00</published><updated>2007-06-01T15:36:38.074-07:00</updated><title type='text'>Colóquio Kant</title><content type='html'>Está chegando a hora de cumprir tantas promessas de ser mais presente aos amigos/irmãos. Neste domingo, viajo para Campinas para mais um Colóquio Kant e também para defender meu doutorado. Quinta-feira, vida nova! Ou ao menos a idéia é essa...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O doutorado foi uma meta que estabeleci durante a graduação e pela qual vivi nos últimos anos. Lembro-me até hoje das palavras do Aguinaldo, meu orientador na época: "determine a sua vontade", imperativo pra lá de oportuno, pois, na ocasião, eu me lamuriava pelas eventuais dificuldades que encontraria pelo caminho até chegar lá. Mas o engraçado é que, agora que "lá" é "aqui", nem me ocupei muito disso. Imaginava que eu fosse ficar um tanto paranóica quando chegasse a época da defesa, mas a verdade é que o Colóquio Kant cuidou de manter a minha sanidade roubando a cena da defesa no hall das minhas preocupações mais imediatas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não deixa de ser simbólico para mim que Colóquio e defesa tenham coincidido, afinal, o doutorado me deixa feliz não por ser o final de uma longa etapa, mas sim por ser o início de uma fase mais autônoma e madura em minha formação. Nesta nova fase, o trabalho com os colegas da Seção de Campinas da SKB e do Grupo de Pesquisa Criticismo e Semântica me causa uma satisfação toda especial. A mesma satisfação que sinto em fazer parte do futuro departamento de filosofia da UEM. Posso dizer que sou uma pessoa privilegiada por ter crescido a ponto de estar ao lado de todas essas pessoas com quem tenho projetos em conjunto. Aproveito então o post para tornar públicos os agradecimentos de minha tese:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Eu sou grata a Capes, que financiou parte de minhas pesquisas neste trabalho, até que eu iniciasse minha carreira no magistério. Agradeço também ao funcionário da Unicamp Rogério José Cerveira Ribeiro, secretário da pós-graduação em filosofia do IFCH, pelo zelo incomum na realização de seu trabalho, propiciando a devida tranqüilidade para que façamos o nosso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou grata ainda a todos os membros da Seção de Campinas da Sociedade Kant Brasileira e do Grupo de Pesquisa Criticismo e Semântica, pela influência que suas pesquisas vêm tendo sobre minha formação enquanto participante dessas associações. Devo destacar, em especial Orlando Bruno Linhares, pela ajuda direta com meu trabalho, e Aguinaldo Pavão e Daniel Omar Perez, por todos os aconselhamentos recebidos em geral ao longo dos últimos anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim, e sobretudo, sou grata ao meu orientador, Zeljko Loparic, que foi quem me possibilitou ser parte desses esforços conjuntos que favorecem o desenvolvimento de todos nós, sendo ele, inclusive, o fundador das referidas associações. De modo mais direto, estou em profundo débito com as pesquisas de Loparic, sobre as quais construí a estrutura de meu próprio trabalho, mesmo nos pontos em que divergimos mais profundamente, pois, mesmo nestes momentos, eu vincularia meus esforços interpretativos à leitura semântica de Kant, por ele disseminada no Brasil com características bastante peculiares. Ter o principal inspirador de meu trabalho como professor e, portanto, interlocutor foi, certamente, um privilégio."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim, aproveito para compartilhar o resumo da comunicação que apresento no dia 05, meu último trabalho como jovem Padawan rsrsrsrs:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Podemos dizer que o princípio geral da causalidade é aquele que diz que todo evento terá uma causa. Naturalmente, não decorre de tal princípio que eventos do mesmo tipo tenham sempre o mesmo tipo de causa, o que seria o princípio das 'mesmas causas-mesmos efeitos'. Esta independência dos princípios dá ensejo à polêmica em torno do que estaria para ser fundamentado na Segunda Analogia da Experiência da Crítica da Razão Pura: se apenas o princípio geral da causalidade ou também o princípio mesmas causas-mesmos efeitos. Com base em evidências levantadas a partir do esquema da causalidade, eu defendo que os dois princípios tornam-se indissociáveis para seres constituídos tal como somos".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu discutia muito sobre isso com o Eduardo Barra (sujeito brilhante!) quando estava na graduação. Ele defendia a tese oposta. Acho que só agora consegui formular melhor minha posição. Vamos ver o que os colegas acham...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, a chegada da quinta-feira também significa que este blog vai deixar de criar teias de aranha. Isto, é claro, se eu me mostrar ser do tipo que cumpre promessas rsrsrs...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36459076-7359693758065647966?l=andreafaggion.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://andreafaggion.blogspot.com/feeds/7359693758065647966/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36459076&amp;postID=7359693758065647966' title='8 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/7359693758065647966'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/7359693758065647966'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://andreafaggion.blogspot.com/2007/06/colquio-kant.html' title='Colóquio Kant'/><author><name>Niemand</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05507574057753299136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36459076.post-6825233015013496093</id><published>2007-05-12T17:28:00.000-07:00</published><updated>2007-05-12T18:00:48.562-07:00</updated><title type='text'>O Pecado da Incoerência</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/RkZcI02ogDI/AAAAAAAAABw/N9X4fv1B3vY/s1600-h/papa.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5063836137721200690" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/RkZcI02ogDI/AAAAAAAAABw/N9X4fv1B3vY/s320/papa.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Vou quebrar o silêncio deste blog jogado às traças apenas para bancar a advogada do diab... ooops... do Papa.  Aviso que não conheço a fundo a doutrina católica, embora tenha sido criada em uma família que sempre professou essa religião, e também confesso que li a bíblia pela última vez quando a mesma família ainda podia e queria me obrigar a tanto, ou seja, aos 10 anos de idade. No entanto, apesar do meu ateísmo adolescente convertido em agnoticismo filosófico com o avanço da idade (e, espero, da maturidade), sempre nutri certo desprezo pelas críticas usualmente lançadas contra as posições da Igreja Católica. Explico. Vulgarmente, ouvimos à exaustão que a Igreja, representada pela figura do Papa, é culpada pela gravidez indesejada e, pior (ou não?), pela disseminação de doenças venéreas, pois recusa-se a endossar o uso de preservativos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O curioso é que eu nunca ouvi um desses críticos se dar ao trabalho de demonstrar a coerência de tal recomendação cobrada da Igreja em relação à sua própria doutrina. Quer dizer, se esse exame não está em jogo, cobra-se da Igreja das duas uma: ou que ela mude seus princípios conforme a conveniência para a saúde pública de cada sociedade ou que ela simplesmente desconsidere seus princípios ao se pronunciar sobre regras de comportamento. De fato, João Paulo II bem observou, vivemos na época do sincretismo, e não da sistematicidade. A partir do momento em que a religião tornou-se assunto de foro íntimo, cada um arranja suas convicções, extraídas dos mais diferentes e incompatíveis sistemas, a seu bel-prazer. Neste sentido, por mais que os fundamentos da Igreja Católica não sejam abonados pela razão, ela se torna mais racional do que seus críticos: ao menos, há a pretensão de racionalidade interna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em um mundo supostamente pós-moderno, embora nada faça além de resgatar e nivelar por baixo os argumentos do ceticismo pré-moderno, eu ouso dizer, doa a quem doer, que tiro o chapéu para Bento XVI quando ele diz que não subordinará os princípios da Igreja a necessidades sociais. Triste a época em que valores universais, ao menos fora da academia, são novamente defendidos apenas pelo pontificado, sendo que, do contrário, ficariam sem voz para o grande público. O relativismo mais rasteiro e irrefletido é o pensamento da moda, como um verme que escapa de um tubo de ensaio universitário e se transforma em um monstro devorando mentes à luz do dia...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais desprezo ainda eu sinto quando tento formular exatamente o que pensam aqueles que honestamente acreditam que alguém contrai AIDS, porque o Papa não permite expressamente o uso do preservativo. Afinal, se a Igreja só julga legítimas as relações sexuais dentro do matrimônio e condena severamente a infidelidade, então os fiéis infectados diriam não ter usado preservativo, porque disseram a eles que isto é pecado e eles não gostariam de acumulá-los por já estarem cometendo um pecado na própria relação? Ora, francamente, se alguém está tendo uma relação proibida pela Igreja, por que deixaria de usar o preservativo porque a Igreja o proibiu? &lt;em&gt;Nonsense&lt;/em&gt;...  é este o verdadeiro diabo da nossa época, Deus me livre...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36459076-6825233015013496093?l=andreafaggion.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://andreafaggion.blogspot.com/feeds/6825233015013496093/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36459076&amp;postID=6825233015013496093' title='8 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/6825233015013496093'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/6825233015013496093'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://andreafaggion.blogspot.com/2007/05/o-pecado-da-incoerncia.html' title='O Pecado da Incoerência'/><author><name>Niemand</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05507574057753299136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/RkZcI02ogDI/AAAAAAAAABw/N9X4fv1B3vY/s72-c/papa.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36459076.post-5817046755136700677</id><published>2007-03-25T10:08:00.000-07:00</published><updated>2007-03-25T11:04:27.252-07:00</updated><title type='text'>Leviatã no Estado de Natureza</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/Rga5gzq86aI/AAAAAAAAABk/Z1sYFXh2_Ho/s1600-h/lev.png"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5045924405792532898" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/Rga5gzq86aI/AAAAAAAAABk/Z1sYFXh2_Ho/s320/lev.png" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Uma expressão que marcou a minha graduação, por mais que a filosofia política nunca tenha conquistado verdadeiramente o meu interesse, foi o "medo da morte violenta em mãos alheias". Eu sempre achei muito instigante a proposta de que imaginássemos nossa sociedade sem o Estado. Hobbes tinha razão! Viver sem o Estado dá medo!&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Mais interessante ainda é que a falta de instrumentos de coerção pairando sobre nossas cabeças, Leibniz que me perdoe, destrói a própria sociabilidade. A razão é muito simples. O medo nos deixa acuados, nos humilha... e, desta humilhação, nasce o ódio, o sentimento de que aquele que você não reconhece imediatamente como um aliado é um agressor em potencial. Permitam que eu ilustre rapidamente o que tenho em mente. Há algum tempo, eu ainda acreditava que vivia sob um Estado Civil ou talvez eu ainda vivesse mesmo, não importa. O resultado é que se um sujeito me dissesse ao interfone que estava vendendo doces caseiros, eu poderia deixá-lo entrar na minha casa e me expor os seus produtos com todos as histórias que ele se acreditava no direito de me contar. Hoje em dia, agora que eu sei que não há Estado, se eu vejo um desconhecido andando pela minha rua, que não é movimentada, eu sinto medo dele e, por ter que ter medo, eu sinto raiva: "O que esse infeliz tem que fazer justo aqui?"&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Pelo jeito, não sou a única. Por mais que seja trágico, outro dia, tive que rir de um fato que presenciei na frente de casa. Um coitado de um jardineiro explicando aflito para um grupo de moradores que só estava por ali para oferecer os serviços: "Eu sou jardineiro, sou irmão do Alceu, não vou roubar nada, não", foi a frase que eu ouvi. Mais adiante, alguém tranquilizava não sei quem: "Ele é jardineiro mesmo". &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Foi mais ou menos o que me aconteceu ontem mesmo. Eu estava caminhando por uma estradinha de terra próxima a chácara de um amigo e não aproveitei um único instante do passeio por estar ocupada calculando mentalmente qual seria o meu prejuízo se aparecesse um ladrão por ali. Posso imaginar então que minha expressão não foi das melhores quando um morador do local saiu do meio do mato e pediu para ver minha máquina: "eu posso ver a minha casa aí?" Ele só queria ver como funcionava mesmo, mas sentiu imediatamente a necessidade de dizer: "você sabe que eu não sou ladrão, né?" Claro que eu não sabia! Desnecessário dizer que eu voltei assim que pude para a propriedade e respirei aliviada quando entrei, me sentindo uma estúpida por ter saído sozinha (eu só queria testar o binóculo novo do meu amigo e a mata fechada da chácara não ajudava).&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O fato é que o rapaz que mora no meio do mato ou o jardineiro que pede serviço de casa em casa bem podiam ser muito mais do que ladrões e nada lhes aconteceria, ou melhor, nada mudaria substancialmente em suas vidas. O Estado se retirou de tal maneira de tantos territórios que só os muito covardes ou os realmente bons não se tornam criminosos. Qual é a diferença entre viver em um barraco sem água, luz, telefone, comida... e viver em um presídio? O mundo cão do presídio também é o mundo que já se conhece em cada favela. A verdade é que o Estado permitiu que pessoas vivessem em situação material tão precária que simplesmente não há mais por que não concluirem racionalmente que o crime compensa, e isto mesmo se a polícia e a justiça funcionassem propriamente. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;E se formos falar então da miséria moral, intelectual, cultural... que ocorre quando o Estado abdica de seu papel civilizador? Esses meninos, que antes víamos no JN e agora vemos na nossa esquina, têm plena consciência de que vão morrer antes de atingirem a vida adulta. Portanto, uma vida humana, para eles, mesmo que seja a própria, não vale nada! Daí o drama especial do meu vizinho que, há poucos dias, foi manobrar o carro na garagem para tirá-lo da chuva, às 21h00, e acabou refém dentro do próprio banheiro. Quem te garante que só vão levar o seu DVD e coisas assim numa hora dessas?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Para resumir tudo, estamos jogados no meio dos lobos, obrigados a pensar como lobos para sobrevivermos. E o que vamos fazer? Simples: vamos fazer passeatas idiotas com camisetinhas brancas enquanto continuamos sustentando o tal leão com nosso próprio sangue, porque achamos que é essa a nossa obrigação. Como gado manso, até o próximo dia 30 de abril, entregaremos ao "governo" um quinhão de tudo o que conquistamos com nosso trabalho sem recebermos absolutamente nada em troca. Continuaremos cegos para o fato de que esta farsa chamada Brasil não passa de uma máquina que funciona para seus próprios fins e às nossas custas. Não há mais Estado Civil aqui! Só não querem que saibamos disto, porque querem que nós continuemos a cumprir nossa obrigação unilateralmente. Nós vivemos acuados, com "medo da morte violenta em mãos alheias" e, para piorar, há um Leviatã só para nos extorquir. Da minha parte, às favas com qualquer pacto! Isto não é estado de natureza e nem estado civil, é muito pior, é simplesmente o Brasil...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36459076-5817046755136700677?l=andreafaggion.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://andreafaggion.blogspot.com/feeds/5817046755136700677/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36459076&amp;postID=5817046755136700677' title='15 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/5817046755136700677'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/5817046755136700677'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://andreafaggion.blogspot.com/2007/03/leviat-no-estado-de-natureza.html' title='Leviatã no Estado de Natureza'/><author><name>Niemand</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05507574057753299136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/Rga5gzq86aI/AAAAAAAAABk/Z1sYFXh2_Ho/s72-c/lev.png' height='72' width='72'/><thr:total>15</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36459076.post-6874131017772032659</id><published>2007-03-18T09:47:00.000-07:00</published><updated>2007-03-18T10:26:02.689-07:00</updated><title type='text'>Stand By no Circo</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/Rf1uZJK9PVI/AAAAAAAAABc/jPyG6C_OgXg/s1600-h/f1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5043308535962484050" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/Rf1uZJK9PVI/AAAAAAAAABc/jPyG6C_OgXg/s320/f1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Estes cavalheiros à esquerda fizeram uma corrida como eu nunca tinha visto na vida nesta madrugada. Simplesmente, foi a primeira vez que vi um GP de F1 sem um herói na pista. Explico, caí de amores pelo esporte ainda criança, quando Senna estava começando a se tornar um monstro sagrado. Vi a morte do meu ídolo ao vivo, mas já sabia que não ficaria órfã de gênios. Lá estava um alemão que me encantou desde o primeiro momento, de modo que pude torcer para cada um dos seus inúmeros triunfos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conforme a idade de Schummy ia avançando, eu ia pensando em quem herdaria minha torcida com sua aposentadoria. Há anos, optei por Raikkonen, mas com o mesmo entusiasmo com que ele comemorou a vitória de hoje. Claro que eu não preciso explicar o que Raikkonen não tem mas Senna e Schumacher tinham. Seria o post mais longo da história deste blog. Basta que eu sugira então que esqueçam mesmo a escapadinha que ele deu sozinho e olhem justamente a comemoração do Ice Man. Dá para não sentir saudades do alemão subindo no carro, se jogando nos braços dos mecânicos e, para coroar a celebração, regendo o hino da Itália? Nossa, ver Raikkonen imóvel na passagem dos hinos foi um momento de profunda melancolia para mim, e olhem que não sou nostálgica. É que era inevitável aquele sabor de finitude que experimentamos em cada situação simples do cotidiano em que a vida nos lembra que estamos esperando nossa vez à beira de um turbilhão temporal que vai engolindo tudo, toda dor e todo prazer. Porém, a beleza dessa nossa condição é que o velho é destruído não pela simples aniquilação em si mesma, mas para dar passagem ao novo. Sendo assim, na F1 como na vida, lá estava Lewis Hamilton!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu temia muito que este garoto, 22 anos, fosse apenas um golpe de marketing: primeiro negro da história da F1. Nada disso! O moleque foi para uma corrida de F1 pela primeira vez na vida e já pulou na frente do companheiro de equipe, que por acaso é o atual bicampeão do mundo, logo na largada. Melhor ainda: ele manteve a posição pela maior parte da prova, com um ritmo forte de uma constância espetacular. Não me lembro de um único erro dele na prova. Fico pensando se foi normal a estratégia da Mclaren ter-se dado de tal forma que o último pit dele fosse de 8.5 segundos ao passo que o de Alonso fosse de 6.2, o que resultou na inversão das posições... Mas não tem importância. A perda da posição não tira o brilho do feito, que nos enche de esperança para o nascimento de um novo ídolo, na mesma proporção em que o encheu de lágrimas no pódio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que os deuses da F1 queiram que este talento vingue, porque se depender do outro estreante que pintava como esperança, Kovalainen... Pobre Renault com um dinossauro que esqueceu de se aposentar e um novato que não sabe diferenciar asfalto de grama. Se continuar assim, já prevejo um movimento para cassarem a superlicença do rapaz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas é verdade que Hamilton não foi a única boa notícia da prova. Já conhecíamos Kubica, mas é sempre bom vê-lo se afirmar a cada prova. Eis um duelo que se apresenta para o futuro. Na verdade, basta que a BMW consiga ser mais confiável e este futuro pode caber dentro desta temporada mesmo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para não dizerem que não falei das flores, Felipe Massa... Medíocre!! Corrida totalmente burocrática! Tanto é que os únicos adjetivos que aquele aloprado ufanista que narra as corridas para a Rede Globo conseguiu garimpar foram "sábio, tranquilo...", assim por diante. Tudo que um piloto não deve ser. Aí vem o passado bater na porta da nossa mente outra vez. No último ano, em corrida de recuperação, Schumacher de tranquilo não teve nada e acabou abandonando uma prova que viria a lhe custar o título por um toque em Heidfeld, a quem tentava ultrapassar. Ele não foi sábio? "É assim que eu sou e é por isso que ganhei tudo que ganhei, eu sempre quero o primeiro lugar", disse. É assim que Massa não é! É por isso que eu fico com o Raikkonen e à espera do Hamilton...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36459076-6874131017772032659?l=andreafaggion.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://andreafaggion.blogspot.com/feeds/6874131017772032659/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36459076&amp;postID=6874131017772032659' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/6874131017772032659'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/6874131017772032659'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://andreafaggion.blogspot.com/2007/03/stand-by-no-circo.html' title='Stand By no Circo'/><author><name>Niemand</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05507574057753299136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/Rf1uZJK9PVI/AAAAAAAAABc/jPyG6C_OgXg/s72-c/f1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36459076.post-5441810267732134149</id><published>2007-03-11T13:05:00.000-07:00</published><updated>2007-03-11T13:47:07.855-07:00</updated><title type='text'>Direito de Permanecer Calada</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/RfRo-ZK9PUI/AAAAAAAAABU/F7Dxr2OtRZU/s1600-h/anacarolina.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5040769304052448578" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/RfRo-ZK9PUI/AAAAAAAAABU/F7Dxr2OtRZU/s320/anacarolina.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Como, eventualmente, alguém pode ter percebido, desde o início do ano letivo, não tive tempo para me dedicar a este espaço. No entanto, hoje, já com um belo atraso, tive que conseguir uma exceção para cumprir com o que considero um dever: aproveitar o ensejo do "Dia Internacional da Mulher" para expor minha indignação com nossa condição na sociedade.&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Na verdade, a data foi só um gancho mesmo para o post, porque não creio que haja um único dia em que eu não pense no tema ao menos uma vez e não me revolte silenciosamente em meio a minhas reflexões. Claro, esta revolta acionada por ocasiões simples do cotidiano é maximizada quando paramos para pensar em fatos como, por exemplo: a disparidade salarial entre homens e mulheres, sobretudo, em postos que exijam alta escolaridade (37% de diferença quando ambos possuem pós-graduação!); o maior desemprego entre as mulhres, apesar da maior escolaridade; a raridade da presença da mulher em cargos de chefia (de 10 a 13%), ainda quando são maioria nas funções de base (51%); a ausência da mulher em cargos eletivos (menos de 10% no Brasil); o massacre em países em desenvolvimento, como a Guatemala, em que se fala mesmo em "femicídio", e, talvez o ponto mais sórdido pela proximidade da relação dominador-dominado; a dupla jornada em 91% dos lares brasileiros. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Qual é então a moral dos números, ou melhor, sua imoralidade? Após tantas décadas de luta feminista, a dominação masculina continua sendo elusiva a nossos ataques. Como os piores vírus, ela sofre mutações para se tornar imune a cada novo progresso que façamos. O direito ao trabalho por parte da mulher, no final das contas e no mais das vezes, se resume à conquista do homem de abrir mão de seu dever tradicional de provedor, enquanto a mulher, recebida como subalterna no mercado de trabalho, mantém sozinha todos os deveres domésticos. O próprio divórcio, muito mais do que a chance da mulher de fugir à violência doméstica, mantida em níveis alarmantes, é, sim, o direito do homem de renunciar definitivamente a seu papel na criação dos filhos. É a figura paterna como a visita de final de semana, quando muito.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;É verdade que, ficando apenas nas relações familiares e no que acontece no mundo do trabalho, já temos por demais para protestar. Mas a opressão contra a mulher é como que um ingrediente essencial em cada traço comportamental de nossa cultura. A ditadura da beleza é apenas o mais explícito. A suposta liberdade sexual é o direito da mulher de ser cada vez mais objeto, sobretudo no Brasil, em uma corrida insandecida por cirurgias plásticas, cosméticos e emagrecedores. Estamos no topo do consumo mundial de tudo isso! E consumimos para quem? Uma simples propaganda de cerveja deixa claro quem é sujeito e quem é objeto por essas bandas. Estamos lá, ontologicamente equiparadas à "loira gelada", para saciarmos o macho sedento. Um prêmio para quem diferenciar o olhar masculino direcionado à garrafa e à mulher!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas, calma, a coisa fica ainda mais sinistra. Se o preconceito puder ser quantificado, dificilmente, negros e homossexuais vão conseguir bater as mulheres no quesito esculhambação e servidão. Entretanto, a mulher que trabalha fora, levanta de madrugada para fazer a marmita do marido, prepara as crianças para a escola, faz dieta para não ser trocada por um espécime 20 anos mais novo e ainda leva o chinelo para o "benhê" (né, Joy? rsrs) no banheiro conquistou ao menos um direito inalienável: o de permanecer calada! Se somos feministas, somos feias, chatas, mal amadas ou... lésbicas. Quer dizer, lésbicas, não, porque ser lésbica, desde que feminina, é o máximo. Afinal, quer fetiche masculino maior? Se reclamamos, somos é "sapatão" mesmo. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Eu estou exagerando? OK, faça comigo então o seguinte exercício imaginativo: "um professor de química do ensino médio coloca um exercício no quadro que considera de difícil resolução; para motivar os alunos, ele lança o desafio 'quero ver quem vai ser o primeiro a resolvê-lo'; ato seguinte, um garotinho negro dá a resposta correta e a demonstra; por fim, o professor tenta motivar o restante da classe para o jogo 'não acredito que vocês [dirigindo-se aos brancos] vão deixar um negro resolver um problema antes de vocês, que vergonha!'". Honestamente, o que você acha que aconteceria com este professor? Tenho para mim que ele correria o sério (e merecido) risco de ser manchete do JN, carregando um belo processo nas costas. Pois é, acontece que trocando "negro" por "menina" e "brancos" por "meninos", para mim, isto não é um exercício imaginativo... é só memória.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36459076-5441810267732134149?l=andreafaggion.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://andreafaggion.blogspot.com/feeds/5441810267732134149/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36459076&amp;postID=5441810267732134149' title='15 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/5441810267732134149'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/5441810267732134149'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://andreafaggion.blogspot.com/2007/03/direito-de-permanecer-calada.html' title='Direito de Permanecer Calada'/><author><name>Niemand</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05507574057753299136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/RfRo-ZK9PUI/AAAAAAAAABU/F7Dxr2OtRZU/s72-c/anacarolina.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>15</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36459076.post-106359402804806314</id><published>2007-02-22T14:09:00.000-08:00</published><updated>2007-02-22T14:53:22.971-08:00</updated><title type='text'>Serás Espontâneo!</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/Rd4U0XshsuI/AAAAAAAAABI/4Y3_qxemTHQ/s1600-h/rain.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5034484323393319650" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/Rd4U0XshsuI/AAAAAAAAABI/4Y3_qxemTHQ/s320/rain.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Esta semana, vi "A Rainha". Não esperava um bom filme, "do ponto de vista cinematográfico" (seja lá o que eu esteja dizendo com isso), e não fui surpreendida. A interpretação de Helen Mirren, de fato, é irreparável, mas paro por aqui quanto a considerações "estéticas". O filme é muito mais um documentário sobre a (uma reconstituição da) reação da família real à morte da "princesa" Diana, e era nisto que eu estava interessada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira coisa que o filme nos apresenta é a vitória do partido trabalhista que levaria Tony Blair a deixar uma oposição de 18 anos ao conservadorismo britânico tornando-se primeiro ministro, ou "primeiro ministro trabalhista", como eles fazem questão de dizer. Nisto, em meio às promessas do recém empossado, nos vem à mente de imediato o que presenciaríamos anos depois: o representante da então chamada "terceira via", com todas as suas esperanças, sendo reduzido à humilhante posição de "poodle" do próximo governante americano, ironicamente, um neoconservador de mentalidade das mais tacanhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a farsa que viria a ser o governo Blair tem sua razão de ser desenhada diante de nossos olhos e este é o encanto do filme. Blair é a síntese do político midiático. Cada ato, cada frase é pautada pelas manchetes dos tablóides, pelas pesquisas de opinião...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Blair, realmente, representa, na Inglaterra, a ascensão ao poder de uma nova "filosofia". Mas este novo mundo que vem substituir, ou ao menos transformar, todo um universo pautado pelos costumes e pelas tradições não é aquele estampado no discurso cuidadosamente preparado por um assessor de imprensa. É um mundo que está transparente apenas em seu &lt;em&gt;modus operandi&lt;/em&gt;. Não é a racionalização do mundo da vida que se coloca diante de nós, feito que alguns podem querer atribuir à modernidade com seu Aufklärung. É, bem pelo contrário, a "sentimentalização" da esfera pública. Assim, Blair, em suma, é apenas o sujeito que saberia manipular as emoções da massa... mas não poderia fazê-lo por muito tempo, como já previa a Rainha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por falar neste personagem principal, seu maior dilema é justamente se defrontar com uma Bretanha puramente emocional. Mais do que isso, com um povo que lhe impõe imperativos emocionais. Não apenas "&lt;em&gt;demonstre&lt;/em&gt; suas emoções", mas "demonstre &lt;em&gt;estas&lt;/em&gt; emoções", ainda que não as tenha...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se você, como eu, tem um temperamento naturalmente reservado e instrospectivo, achará difícil não se identificar com a situação da Rainha se lembrando de qualquer festinha ou reunião de amigos em que tenha tido que se curvar às cobranças de espontaneidade. "Dance!", "Cante!", "Conte-nos sua intimidade!", etc. etc. São os imperativos do novo mundo! Aqueles que preferem agir "quietly and with dignity" são apenas aqueles que se reprimem, porque internalizaram os costumes repressores do velho mundo. Não passa pela cabeça dessa gente "moderna", que só compreende a felicidade no modo "uuuuhhhhhhuuuuuuu", que alguém possa ser feliz em silêncio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, a Rainha é um belo filme por nos mostrar que não somos esclarecidos coisa nenhuma. O que chamam de "modernização" é apenas a transição de um mundo em que emoções deviam ser ocultadas, sendo que, algumas delas, sequer deviam ser sentidas para um mundo igualmente autoritário em que nossas emoções precisam ser exibidas em praça pública, sendo que, em alguns casos, devemos exibir mesmo aquilo que não sentimos. Em suma, 10 mandamentos trocados por um, contraditório nos próprios termos: "serás espontâneo!"&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36459076-106359402804806314?l=andreafaggion.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://andreafaggion.blogspot.com/feeds/106359402804806314/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36459076&amp;postID=106359402804806314' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/106359402804806314'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/106359402804806314'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://andreafaggion.blogspot.com/2007/02/sers-espontneo.html' title='Serás Espontâneo!'/><author><name>Niemand</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05507574057753299136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/Rd4U0XshsuI/AAAAAAAAABI/4Y3_qxemTHQ/s72-c/rain.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36459076.post-1280678814000383455</id><published>2007-02-16T08:59:00.000-08:00</published><updated>2007-02-16T10:03:31.072-08:00</updated><title type='text'>Pedir Perdão ou Oferecer Desculpas: o caso Kassab</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/RdXwUnshstI/AAAAAAAAAA8/qATk60-r4qg/s1600-h/kassab.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5032192395700187858" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/RdXwUnshstI/AAAAAAAAAA8/qATk60-r4qg/s320/kassab.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Ultimamente, tenho divagado muito sobre o que consistiria o ato de perdoar, ou melhor, o que queremos dizer ao pedir perdão. Eu sou ignorante quanto a alguma definição clássica do conceito, então, se alguém quiser me educar neste sentido, já agradeço de antemão. Antes disso, vou então apenas dizer quais são minhas impressões.&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Eu penso que só possa perdoar quem também tenha o poder de punir, mesmo que esta punição seja a simples ruptura ou o esfriamento da relação por parte do ofendido. Além disso, parece-me fazer parte da natureza do perdão a idéia de que houve de fato uma ofensa, um erro, uma má conduta. O perdão então se aplicaria na mesma medida em que não há defesa. Um réu absolvido não é um réu perdoado. Só um culpado pode ser perdoado, portanto, só quem reconhece a culpa pode pedir perdão, isto é, pedir para não receber o castigo que merecia. Afinal, também não me parece sensato dizer que, primeiro, se castiga, depois, se perdoa. Se houve castigo, a ofensa está expiada e não há mais de que pedir perdão, a não ser, é claro, que eu peça perdão a quem não me castigou, mas poderia ter castigo, após ter recebido de outrem castigo pelo mesmo ato. Exemplo, posso cumprir pena de prisão e, depois, pedir perdão à família da vítima, mas não faz sentido pensar que me espancarão e, depois, me concederão o perdão. Resumindo, o perdoar é justamente o "tinha razões para tanto, mas não vou te castigar". &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ou ao menos me parece assim, porque me é bem sombrio o que se passa no íntimo de quem perdoa. Não há mais mágoa? O ato foi esquecido? Não! Parece-me que o perdão é consistente com a mágoa e só absurdamente seria ligado ao esquecimento de fato. Esquecer aqui então significaria apenas seguir adiante, justamente, abrir mão de castigar. Mas concedam apenas que o pedido de perdão tenha a ver com o reconhecimento da culpa e penso que eu terei o bastante para me fazer entender. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Sempre me intrigou, ou, para ser mais franca, sempre me enojou a incapacidade que a grande maioria tem de pedir perdão. Sim, o que fazemos (eu me incluo nos momentos em que não me policio) é oferecer desculpas, e não pedir perdão. A desculpa me parece um conceito mais fácil do que o perdão. Uma desculpa é uma justificativa razoável para um erro, uma boa razão para estar em falta. Por exemplo, não devo me atrasar para compromissos que assumo, mas, se uma crátera do metrô se abriu no meio do meu caminho, tenho uma boa desculpa. Assim, alguém pode estar perdoado sem estar desculpado, porque eu posso pedir perdão assumindo que eu podia ter feito a coisa certa, mas, simplesmente, não foi o que aconteceu. Mas meu ponto é que, covardes que somos na maioria das vezes, raramente agimos assim. Agimos como se nunca optássemos pelo que não devíamos fazer. Como se estivéssemos sempre justificados em nossas ações, pois é próprio da essência da desculpa a idéia de que outro em nosso lugar teria feito o mesmo, o que é também um passo para a lógica da moralidade. Daí que a atitude do prefeito Kassab me despertou para divagar sobre esse tipo de questão novamente. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Nem me refiro tanto ao seu primeiro ato em si. Para quem eventualmente não saiba, ele expulsou de uma unidade de saúde que inaugarava, aos berros e em meio a ofensas, um manifestante de última hora que protestava contra a proibição da publicidade visual nas ruas de São Paulo, decisão municipal que afetava sua empresa, produtora de faixas e cartazes. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O que me indignou mais do que o autoritarismo e a primeira covardia do prefeito foi seu artigo na Folha de São Paulo. Dada a pressão da "opinião pública", Kassab recuou no marketing da truculência, estratégia que vem adotando para se popularizar, nulidade política que é, e resolveu pedir perdão em público, ou melhor, oferecer desculpas. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Mesmo reconhecendo repetidas vezes que o que fez foi injustificável, o prefeito usou o espaço privilegiado para se auto-retratar como o defensor do interesse de todos (sim, usou e abusou do coletivismo, mesmo sendo de um partido supostamente liberal... Brasil) que foi desafiado por alguém, um mesquinho, defendendo o interesse próprio. Em sua visão, era como se uma Madre Tereza de Calcutá tivesse sido confrontada por um cruel defensor do capitalismo, pois ele não nos polpou de uma narrativa de sua rotina de combate nas trincheiras do bem público. Vergonha que a Folha tenha se permitido usar desta forma. Pobre do micro-empresário que, certamente, não tem condições adequadas de resposta, se é que as têm para perceber que o prefeito lhe aprontou mais uma.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Como é regra nos casos de quem pede perdão, ele era o coitadinho. Não faltou, é claro, a ênfase na idéia de que, pelo menos a maioria de nós, teria agido como ele agiu. Típico dos truculentos, ele acha que "explodiu" como se explode naturalmente em condições ideias de temperatura e pressão. Típico dos truculentos, ele é um covarde que "explode" quando convém, ou seja, quando a vítima é mais fraca e não se vislumbra a punição. Quanto a esta retórica da "explosão", eu parafrasiaria Kant. Pendurem uma forca do lado de fora do recinto em que ele estava prestes a "explodir", digam que ele vai para lá se não se conter e vejam se ele ainda "explode".&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Triste espetáculo que aquela primeira covardia tenha sido coroada por outra. Afinal, se é típico do truculento ser covarde, é típico do covarde não saber pedir perdão, sem adicionar uma "," na seqüência. Seu pedido de perdão crivado por oferecimentos de desculpas foi direcionado a todos os brasileiros. Não sei quanto a vocês, mas, de minha parte, eu só perdôo quem tem coragem para pedir perdão e fazer uso do "."&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36459076-1280678814000383455?l=andreafaggion.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://andreafaggion.blogspot.com/feeds/1280678814000383455/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36459076&amp;postID=1280678814000383455' title='14 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/1280678814000383455'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/1280678814000383455'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://andreafaggion.blogspot.com/2007/02/pedir-perdo-ou-oferecer-desculpas-o.html' title='Pedir Perdão ou Oferecer Desculpas: o caso Kassab'/><author><name>Niemand</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05507574057753299136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/RdXwUnshstI/AAAAAAAAAA8/qATk60-r4qg/s72-c/kassab.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>14</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36459076.post-6449039701568827760</id><published>2007-02-09T14:30:00.000-08:00</published><updated>2007-02-08T12:54:11.223-08:00</updated><title type='text'>Você quer uma família?</title><content type='html'>Prezando pela sensibilidade de eventuais leitores e pelo mínimo de bom gosto, vou me abster de reproduzir os detalhes de mais um crime digno de filme de terror B ocorrido debaixo dos nossos narizes. Claro que falo da monstruosa morte do garoto de 06 anos arrastado pelo carro roubado no Rio de Janeiro. Só vou citar três pontos que interessam à minha "análise": 1) todos os criminosos eram jovens e só um dos três era maior de idade; 2) na fuga, fizeram zig-zag para se livrar do corpo; 3) dois dos rapazes foram a uma festa após o ocorrido. O que quero destacar com isso é que trata-se de um caso limite de completo distanciamento de qualquer noção de civilidade por parte de jovens. Isto nos obriga à reflexão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aparentemente, a primeira discussão a aflorar se dá em torno da questão da redução da maioridade penal. De fato, parece contrário ao senso de justiça de cada um que ao menos um dos criminosos, tendo 16 anos, esteja sujeito apenas a medidas socioeducativas durante 3 anos... e nada mais! O castigo soa simplesmente desproporcional em relação ao feito. Claro que o ponto é então se, tendo 16 anos, ele seria imputável para poder estar sujeito a um castigo proporcional à gravidade de seu ato (no caso, aliás, só poderia ser a pena de morte, diga-se de passagem).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Particularmente, acredito então que a redução da maioridade penal é uma questão para especialistas capazes de avaliar, em média, com que idade, em nossa sociedade, está completa a transição para o que poderíamos chamar de fase adulta. De minha parte, se eu dissesse que sou contra ou a favor, seria só um palpite baseado em minhas impressões pessoais dos jovens de 16 anos que conheço. Mas o que eu gostaria de levantar aqui é que esta não é a discussão que mais interessa. Pelo contrário, sua ocorrência soa como a busca por uma solução imediatista e simplista para um problema complexo e estrutural, comportamento típico no Brasil (vide as cotas para alunos de escolas públicas entrarem em universidades).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que realmente importa, parece-me, foi bem captado pelas declarações da CNBB, ao se posicionar contra no debate sobre a redução da maioridade penal, o que aqui não vem ao caso: "São situações de barbárie, insensibilidade, que deveriam ser condenadas por todos através da educação preventiva", diz dom Odilo Scherer, secretário geral da entidade. Dom Geraldo Majella, presidente da CNBB, ressalta o descaso pela dignidade humana e completa: "Quanto mais essa criança ou quanto mais a pessoa esteja numa situação de infância, de adolescência e juventude, mais deve merecer a atenção de toda a comunidade".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De fato, na prática, não me parece factível que uma sociedade possa sobreviver tendo a relação entre os cidadãos reguladas apenas pela perspectiva da coação do Estado, por melhor que esta funcione. Isto pressuporia duas coisas além da eficiência estatal na aplicação das devidas penas: 1) indivíduos sempre capazes de um cálculo racional eficiente quanto às conseqüências de seus atos; 2) indivíduos que não estivessem dispostos a aceitar a probalidade da pena para seus atos, isto é, que não gostassem de viver perigosamente ou não fossem ousados. Por isso, penso que uma sociedade jamais deva abrir mão da introjeção de valores que estejam em conformidade com as leis por uma questão de eficiência das mesmas. Daí que eu diria que o colapso da família está na raiz do desmoramento do restante de uma sociedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca me esqueço de uma expressão usada pela orientadora educacional em um colégio em que trabalhei: "são&lt;strong&gt; órfãos de pais vivos&lt;/strong&gt;!", dizia ela em relação aos alunos. Realmente, não tive acesso a nenhum dado empírico que me fizesse colocar a teoria dela em questão. Creio que seja um fato inegável que a regra em nossa sociedade seja a completa abstenção dos pais no tocante à educação dos filhos. Ou não têm tempo para isso ou simplesmente não estão dispostos. Por vezes, tenho a impressão de que os pais de hoje em dia apenas aguardam que os filhos cresçam e desenvolvam naturalmente uma personalidade digna deste nome. Teria eu perdido alguma coisa e estaria na moda alguma pedagogia inatista? Ou isso ou os pais simplesmente não se importam com o que os filhos se tornarão. No mínimo, não parece ser uma prioridade para eles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou dar um exemplo bastante simples. Estava eu, na fila do guichê do cinema, como sempre, rezando para os selvagenzinhos escolherem um filme diferente do meu. Eis que me intriga um garoto que sistematicamente percorre os guichês se pendurando neles ao se agaichar para então dar um salto e berrar na cara da coitada da atendente. Não que o comportamento em si tenha me intrigado, posto que já tive o desprazer de dividir o mesmo espaço com 40 exemplares do tipo, mas confesso que me chamou um pouco a atenção o fato de ninguém, nem digo repreender o garoto, mas ao menos dirigir a ele a atenção de modo especial de modo que eu pudesse destacar o que costumava merecer o nome de "mãe" ou "pai" antigamente. Só soube que o infeliz não estava abandonado no shopping quando uma mulher saiu de um dos guichês e, com um gesto rápido, fez com que ele a acompanhasse. Desnecessário dizer que ele foi atrás dela pulando e berrando, sem receber mais um olhar que fosse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, eu pergunto, criaturas criadas desta forma crescem e se tornam o quê? Certamente, a resposta que eu receberei é que os pais precisam trabalhar, que o pouco tempo que passam com os filhos não vai ser "desperdiçado" com castigos e sermões, etc. etc. Mas é aí que está! Ter filhos, formar família, não é um imperativo categórico (ao menos não com uma superpopulação ameaçando os recursos naturais do planeta). Se você toma esta decisão, você tem que estar disposto a encarar todas as responsabilidades atreladas a ela e também as dificuldades especiais criadas pelo contexto em que vivemos. E eu não posso pensar em nenhuma decisão mais grave do que colocar um ser humano no mundo. Talvez então seja o caso de, ao refletir se você quer uma família, levar em conta que seres humanos não nascem humanos, você tem que transformá-los nisso. E não é fácil! Ao não pensar nisso, você corre o risco de ter seu filho arrastando um cadáver pelas ruas, o que é pior do que ter por filho o próprio cadáver...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36459076-6449039701568827760?l=andreafaggion.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://andreafaggion.blogspot.com/feeds/6449039701568827760/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36459076&amp;postID=6449039701568827760' title='7 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/6449039701568827760'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/6449039701568827760'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://andreafaggion.blogspot.com/2007/02/voc-quer-uma-famlia.html' title='Você quer uma família?'/><author><name>Niemand</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05507574057753299136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36459076.post-6640497396135632047</id><published>2007-01-30T07:28:00.000-08:00</published><updated>2007-01-30T07:57:51.884-08:00</updated><title type='text'>Rocky Balboa</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/Rb9qCufBB0I/AAAAAAAAAAo/ivEdFMe3wlw/s1600-h/rocky2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5025852304239167298" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/Rb9qCufBB0I/AAAAAAAAAAo/ivEdFMe3wlw/s320/rocky2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Mal pude conter o entusiasmo quando vi o cartaz enquanto estava na fila do cinema. Assim como o superman, Rocky retorna para me levar de volta a bons momentos da infância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece fácil resumir o que agrada tanta gente (os simplórios, como eu, é claro) neste personagem. É só pensar na sua marca registrada. Rocky é um super campeão, mas não tem nada a ver com um homem de golpes extraordinariamente fortes que derrubassem os adversários, sem chance, em poucos assaltos. Não, é bem o contrário. A força do Rocky está em aguentar estes "golpes extraordinariamente fortes". Ele derruba os adversários, perplexos, no último assalto, quando já estão cansados demais de tanto bater nele. Seu trunfo é, portanto, a resistência da vontade e não a força do punho. É como se dor nenhuma pudesse demovê-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Confesso, acho isto lindo! Nem o talento, nem a vocação, nem a inteligência, nem a força física... nada me encanta tanto quanto uma vontade determinada. Se Rocky fosse um homem de punhos de aço, para mim, ele seria um qualquer. Um sujeito de sorte, agraciado pela natureza, e nada mais. Ele arranca minha admiração quando sangra e permanece de pé até que o outro não esteja mais. Um "Rocky" sem sangue não seria o mesmo filme. Um "Rocky" sem o sangue de Rocky não seria um filme sobre Rocky. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Bárbaro?! Selvagem?! Primitivo?! Pode ser... Mas, por outro lado, o que é mais humano do que aguentar a dor pela simples glória de se saber que se aguentou? A glória de saber que a vontade triunfou sobre o corpo... Fez ele ficar de pé pelo simples prazer de fazê-lo obedecer enquanto ele teimava em desmoronar. Eu gosto disso. Seja bem-vindo de volta, Rocky Balboa!!&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36459076-6640497396135632047?l=andreafaggion.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://andreafaggion.blogspot.com/feeds/6640497396135632047/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36459076&amp;postID=6640497396135632047' title='6 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/6640497396135632047'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/6640497396135632047'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://andreafaggion.blogspot.com/2007/01/rocky-balboa.html' title='Rocky Balboa'/><author><name>Niemand</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05507574057753299136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/Rb9qCufBB0I/AAAAAAAAAAo/ivEdFMe3wlw/s72-c/rocky2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36459076.post-9121233405401685385</id><published>2007-01-26T08:42:00.000-08:00</published><updated>2007-01-26T09:12:06.524-08:00</updated><title type='text'>Estereótipo ou Hipocrisia?</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/Rbo1sOfBBxI/AAAAAAAAAAM/eX7MdcTHLco/s1600-h/tur.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5024387368203912978" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/Rbo1sOfBBxI/AAAAAAAAAAM/eX7MdcTHLco/s320/tur.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Eu devo ter recebido umas 15 vezes a mensagem em massa convocando os brasileiros a boicotarem o filme "Turistas", que narra uma &lt;strong&gt;es&lt;/strong&gt;tória de terror vivida por um grupo de jovens estrangeiros nas mãos de criminosos em nosso país. Supostamente, o filme nos representaria com "estereótipos".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem, hoje, logo à hora do almoço, o JH nos contemplou com a idílica &lt;strong&gt;his&lt;/strong&gt;tória de 7 jovens brasileiros que, a caminho do futebol, foram levados por traficantes. Bem, para encurtar, digamos que encontraram os pedaços mais tarde. Claro, eu poderia citar outras milhares de &lt;strong&gt;his&lt;/strong&gt;tórias do mesmo gênero para fazer a pergunta que farei, mas vamos poupar tempo: Será que não seria melhor nos revoltarmos contra nossa realidade em vez de nos doermos em nosso orgulho quando ela é retratada?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É um fato incontestável que existem grandes porções do território brasileiro às quais o braço da lei simplesmente não alcança. Lá, impera, eu não diria a selvageria, mas a monstruosidade, pois a lei da selva é apenas a lei da sobrevivência e não comporta a crueldade com que crimes têm sido adornados a poucos quilômetros (metros?) de nossas residências. A lei não estende seu braço, nós viramos os nossos olhos... Enquanto isso, aqueles rapazes, mais um número no JH, não foram apenas mortos, seja lá por qual "razão", foram, antes, torturados...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será que um documentário sobre o Rio de Janeiro não seria mais aterrorizante do que a ficção? Será que a imaginação do roteirista de "Turistas" alcança as profundezas mais sombrias dessas mentes cultivadas à margem da civilização?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quantos e-mails em massa vocês recebem conclamando a população a cobrar das autoridades simplesmente seu exercício? Eu, de minha parte, vi, ao contrário, imagens de gente caminhando ao pé de um cadáver em um calçadão carioca, como se nada fosse. Fosse eu o roteirista de "Turistas" mostraria não só o pavor de quem sofre nas mãos dos monstros, mas o descaso de quem testemunha. Pior ainda, a hipocrisia suprema de quem reclama se levantam o tapete e mostram nossa sujeira. Para estes, deviam mostrar, é claro, mais uma vez o futebol, mais uma vez o carnaval. Mulheres seminuas para não perdermos nosso turista sexual. Que importa se o jovem aspirante a Ronaldo é esquartejado no caminho da pelada? Que importa se a pelada é estuprada no caminho para casa? Enquanto eu não tiver que olhar, pensam eles, não existe...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36459076-9121233405401685385?l=andreafaggion.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://andreafaggion.blogspot.com/feeds/9121233405401685385/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36459076&amp;postID=9121233405401685385' title='12 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/9121233405401685385'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/9121233405401685385'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://andreafaggion.blogspot.com/2007/01/esteretipo-ou-hipocrisia.html' title='Estereótipo ou Hipocrisia?'/><author><name>Niemand</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05507574057753299136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_D48t18uazGI/Rbo1sOfBBxI/AAAAAAAAAAM/eX7MdcTHLco/s72-c/tur.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36459076.post-116939931868581391</id><published>2007-01-21T08:50:00.000-08:00</published><updated>2007-01-21T09:08:44.193-08:00</updated><title type='text'>Ferrari x Schumacher, Mercedes x Kimi</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/2925/2356/1600/192717/R_Dennis.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/2925/2356/320/693499/R_Dennis.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Para os aficcionados em F1, existe uma razão especial para estarmos ansiosos pela estréia de Kimi ao volante da Ferrari. Mario Illien da Mercedes, que fabrica os motores da McLaren, negou ter dito que o piloto finlândes teria sido a razão pela qual esses motores adquiriram a fama de pouco confiáveis. De todo modo, o fato é que, desde 2002, Kimi, meu piloto favorito após a aposentadoria de Schummy, abandonou nada menos que 20 corridas por quebra de motor! Enquanto isso, seus companheiros, no mesmo período, viram a fumacinha maldita "apenas" 16 vezes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado, o megacampeão alemão, que, ironicamente, perdeu o título de 2006 em função de uma quebra de motor, não abandonava uma corrida por este motivo desde o GP da França em 2000, sendo que a mesma performance não foi repetida por Barrichelo (não disponho de números exatos, &lt;em&gt;sorry&lt;/em&gt;!). Assim, se a Ferrari quebrar nas mãos de Kimi com freqüência similar àquela que rendeu à McLaren o apelido carinhoso de "McLata", mérito do barão vermelho pela conservação do equipamento levado ao limite exato. Do contrário, isto é, se virmos se repetir a mesma durabilidade no carro vermelho com aquele que a Mercedes teria chamado de "piloto de tanque de guerra", a fábrica é que vai ter que se explicar para Ron Dennis (foto).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36459076-116939931868581391?l=andreafaggion.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://andreafaggion.blogspot.com/feeds/116939931868581391/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36459076&amp;postID=116939931868581391' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/116939931868581391'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/116939931868581391'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://andreafaggion.blogspot.com/2007/01/ferrari-x-schumacher-mercedes-x-kimi.html' title='Ferrari x Schumacher, Mercedes x Kimi'/><author><name>Niemand</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05507574057753299136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36459076.post-116939750854702796</id><published>2007-01-21T08:01:00.000-08:00</published><updated>2007-01-21T08:38:28.763-08:00</updated><title type='text'>A Solução Ideal</title><content type='html'>Parece-me que FHC encontrou a solução ideal para todos os dilemas tucanos: uma chapa Serra/Aécio em 2010. Eu festejo o fato de que a idéia, segundo dizem, venha sendo bem recebida entre partidários de um e de outro líder por várias razões. A primeira delas é que, com uma chapa puro sangue, nos livraríamos do PFL e poderíamos defender a história de nosso partido sem carregar os pesos dos pecados pefelistas. Não fará sentido mais que digam: "estão há 500 anos no poder e são culpados de todos os males, da miséria à derrota da seleção em 50". Poderemos defender simplesmente o fato de que somos de um partido fundado no seio do MDB para continuar a luta pela democratização e pelo fortalecimento das instituições, que, gostaríamos, culminaria na implantação do parlamentarismo, com o expurgo definitivo da possibilidade de figuras messiânicas como Lula, Chaves e Morales. Diremos simplesmente que defendemos o partido que também, através do próprio FHC, foi responsável por um dos feitos mais importantes da história econômica do país, senão o mais importante: a derrota da inflação. E teremos que aprender a dizer que fomos os responsáveis pela modernização da economia através das necessárias privatizações que, se tiraram algum benefício de alguém, foi de uma classe que se habituou a tratar o público como privado e, por conseqüência, já tinham aquelas mesmas empresas como suas, mas então sem pagar nada (muito pelo contrário).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além das benesses que a realização da idéia de FHC traria para nosso discurso de campanha, há ainda a se ressaltar a óbvia resolução do maior problema do partido: o próprio conflito entre Serra e Aécio, ambos pré-candidatos ao mesmo único posto. Aceitando a vice-presidência, Aécio somaria à chapa seu imenso capital político e, por mais que seja temerário fazer este tipo de previsão, a princípio, nos tornaria imbatíveis, sem a concorrência direta do carisma de Lula. Isto, é claro, supondo que Lula não encontre ambiente político para realizar aspirações chavistas a um mandato perpetuamente renovável e que tanto Aécio quanto Serra desempenhem com louvor as funções que lhes cabem atualmente, o que eu, particularmente, acredito que acontecerá. Por maiores que sejam os desafios que Serra, em especial, enfrentará em São Paulo (incluindo uma maioria não tão confortável para o exercício do governo), creio que sua competência estará à altura, razão pela qual, inclusive, independentemente de sermos filiados ao mesmo partido, sempre sonhei vê-lo na presidência da República.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certamente, à primeira vista, alguém poderia pensar no que Aécio ganha com isso. Mas não é preciso muita sagacidade para entender. O relativamente jovem político seria então o herdeiro natural de Serra em 2014, quando, provavelmente, para abusar da bola de cristal outra vez, enfrentaria Lula tentando voltar ao poder, então com quase 70 anos. Este arranjo, aliás, revela outro ponto forte da idéia de FHC: o fim da reeleição. Creio que, mais do que mero casuísmo, hoje seja lugar comum entre tucanos a constatação de que a reeleição, a princípio legítima e necessária para a continuidade de um projeto de reformas estruturais profundas da nação, não funcionou pela falta de maturidade político-institucional de nosso país, em outras palavras, pela impossibilidade de se coibir o abuso da máquina. O compromisso de Serra em lutar pela correção deste que talvez tenha sido o maior erro tucano seria, finalmente, a abertura para a canditatura Aécio. E no momento certo!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36459076-116939750854702796?l=andreafaggion.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://andreafaggion.blogspot.com/feeds/116939750854702796/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36459076&amp;postID=116939750854702796' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/116939750854702796'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/116939750854702796'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://andreafaggion.blogspot.com/2007/01/soluo-ideal.html' title='A Solução Ideal'/><author><name>Niemand</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05507574057753299136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36459076.post-116888117435491443</id><published>2007-01-15T08:53:00.000-08:00</published><updated>2007-01-15T09:18:48.476-08:00</updated><title type='text'>Liberdade de Expressão, Ciccareli e Rubinho</title><content type='html'>Se um casal tem relações íntimas em público, ele tem o direito de obrigar o público a virar os olhos? Parece que a justiça brasileira pensa assim, afinal, as cenas de Ciccareli (posando para a câmera, diga-se de passagem, pois é o que dizem) com o namorado em uma praia espanhola cairam no fantástico YouTube e o resultado por essas bandas foi que 5 milhões e 500 mil brasileiros perderam momentaneamente o direito de acesso ao site. Francamente! Mesmo que tivesse um papparazzi invadido a casa da moça, lhe pego em flagrante em cena íntima e então colocado as imagens no YouTube, o direito dela à privacidade não poderia ser sobreposto a nosso direito de acessar o site. De todo modo, quem faz sexo em público, afinal, quer o quê? Privacidade? Há lógica em dizer que os eventuais banhistas poderiam observá-la à vontade, mas, você, em frente ao seu PC, não? Se ao menos ela reclamasse os direitos de imagem e, como Paris Hilton, pedisse participação nos lucros...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas as violências da justiça brasileira, sempre olhando para a internet como um velho mal-humorado e autoritário que não compreende novos tempos, não pararam por aí nos últimos dias. Depois de Ciccareli, foi a vez de Rubens Barrichelo. Tente abrir uma comunidade sobre o "esportista" no Orkut e você descobrirá que isto só será possível caso o título seja um delír... ooops, um presságio do tipo "Rubens Campeão na Honda em 2007". Pois é, "falar mal" dele está proibido! Para exemplicar, se eu disser: "Quando Rubens Barrichelo aceitar a realidade e se aposentar, o grande feito da carreira dele terá sido acatar uma ordem para perder uma corrida diante de centenas de milhões de pessoas em todo mundo"; e der o azar deste ícone do esporte ler meu blog, vou perder meu modesto espaço, quem sabe até receber uma multa... Ainda bem que estou aqui só para dizer a verdade e, portanto, "falar bem" do Rrrrrrrubinho. Por exemplo, todo mundo sabe que o Schumacher só decidiu se aposentar ao final de 2006, porque estava crente que 2007 seria o ano do Rrrrrrubinho na Honda. Pergunte para o alemão, para verem o que ele diz. Meu palpite é que, no Brasil, não deixariam você mostrar a resposta .&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36459076-116888117435491443?l=andreafaggion.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://andreafaggion.blogspot.com/feeds/116888117435491443/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36459076&amp;postID=116888117435491443' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/116888117435491443'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/116888117435491443'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://andreafaggion.blogspot.com/2007/01/liberdade-de-expresso-ciccareli-e.html' title='Liberdade de Expressão, Ciccareli e Rubinho'/><author><name>Niemand</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05507574057753299136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36459076.post-116861984863351144</id><published>2007-01-12T08:27:00.000-08:00</published><updated>2007-01-12T08:37:28.676-08:00</updated><title type='text'>Banco do Lula</title><content type='html'>É impressionante, mas ainda sou capaz de me espantar com as boçalidades deste país. Pois fiquei de queixo caído enquanto passava pela av. Tiradentes outro dia e me deparei, pasmem, com o "Banco da Renata"!!! Fiquei imaginando, ainda bem que não sou correntista deste banco e, muito menos, desta agência, porque seria bem humilhante ter que pedir autorização à tal Renata para continuar movimentando minha conta ali. Será que ela me mandaria ao Banco da Andréa? Aliás, não era o outro partido que ia privatizar o Banco do Brasil?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olha, podem dizer que sou implicante, mas só sob um governo petista mesmo para aprovarem uma campanha publicitária tão imbecil! Este governo se supera a cada dia em seus esforços por nos fazer sentir vergonha. E é a única coisa em que tem sucesso...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36459076-116861984863351144?l=andreafaggion.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://andreafaggion.blogspot.com/feeds/116861984863351144/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36459076&amp;postID=116861984863351144' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/116861984863351144'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/116861984863351144'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://andreafaggion.blogspot.com/2007/01/banco-do-lula.html' title='Banco do Lula'/><author><name>Niemand</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05507574057753299136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36459076.post-116749046965234263</id><published>2006-12-30T06:36:00.000-08:00</published><updated>2006-12-30T06:54:29.663-08:00</updated><title type='text'>Saddam é enforcado...</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/2925/2356/1600/834073/20061230-saddam1.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/2925/2356/320/907314/20061230-saddam1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;...e claro que nosso presidente não aproveitaria a oportunidade de ficar calado: "acho que não resolve o problema do Iraque. Acho que a violência vai continuar". A filósofa do PT tem razão. Quando ele fala, o mundo se ilumina, não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, deixando as costumeiras boçalidades petistas de lado, o post é só para dizer que não me alegro com a notícia. Não que eu seja contra a pena de morte ou pense que ela não convém a alguém como um ditador sangüinário. Pelo contrário, penso que Saddam é a própria personificação do condenado ideal à pena de morte. O problema é que não posso deixar de concordar com ele ao não reconhecer a legitimidade do tribunal que o condenou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para mim, já é suficientemente problemática a idéia de um tribunal internacional capaz de julgar crimes cometidos por um estadista contra seu próprio povo. Tendo a pensar que, para o bem ou para o mal, cada povo deva seguir sua história sem interferência externa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De todo modo, pensemos o que for sobre julgamentos internacionais, certamente, causa arrepios a idéia de uma nação invadir um outro país soberano sem se submeter à comunidade internacional de nações, apelando a um princípio filosófico nefasto de "guerra preventiva" e, ainda por cima, usando de razões comprovadamente falsas para justificar a necessidade de tal prevenção, para então capturar o líder daquele país e submetê-lo a critérios de justiça unilateralmente aplicados. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, é devastadora a idéia de que em pleno século XXI ainda existisse um Saddam, mas é mais sombria ainda a forma como ele chegou a seu, de outro modo desejável, fim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36459076-116749046965234263?l=andreafaggion.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://andreafaggion.blogspot.com/feeds/116749046965234263/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36459076&amp;postID=116749046965234263' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/116749046965234263'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/116749046965234263'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://andreafaggion.blogspot.com/2006/12/saddam-enforcado.html' title='Saddam é enforcado...'/><author><name>Niemand</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05507574057753299136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36459076.post-116705860064485547</id><published>2006-12-25T06:55:00.000-08:00</published><updated>2006-12-30T14:26:29.326-08:00</updated><title type='text'>Que dia triste...</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/2925/2356/1600/644846/061230brownjackson.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/2925/2356/320/246247/061230brownjackson.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/2925/2356/1600/131075/MichaelJacksonJamesBrown-Speech.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;O mundo ficou sem James Brown hoje...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36459076-116705860064485547?l=andreafaggion.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://andreafaggion.blogspot.com/feeds/116705860064485547/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36459076&amp;postID=116705860064485547' title='10 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/116705860064485547'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/116705860064485547'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://andreafaggion.blogspot.com/2006/12/que-dia-triste.html' title='Que dia triste...'/><author><name>Niemand</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05507574057753299136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36459076.post-116641045584273670</id><published>2006-12-17T18:05:00.000-08:00</published><updated>2006-12-17T18:54:15.993-08:00</updated><title type='text'>Minha história com Heidegger</title><content type='html'>Não perdendo o hábito do relato pessoal, desta vez, vou acrescentar uma pitadinha de filosofia no espaço. Quero contar minha história com Heidegger, motivada que estou por conversa com um amigo esta semana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pesa, injustamente, sobre o filósofo alemão a imagem do obscuro que Kant já tão bem descrevia na &lt;em&gt;Crítica da Faculdade do Juízo&lt;/em&gt;: "Se, porém, alguém fala e decide como um gênio até em assuntos da mais cuidadosa investigação da razão, ele é completamente ridículo; não se sabe direito se se deve rir mais do impostor que espalha tanta fumaça em torno de si, em que não se pode ajuizar nada claramente mas imaginar quanto se queira, ou se se deve rir mais do público que candidamente imagina que sua incapacidade de reconhecer e captar claramente a obra-prima da perspiciência provenha de que verdades novas sejam-lhe lançadas em blocos, contra o que o detalhe (através de explicações precisas e exames sistemáticos dos princípios) lhe pareça ser somente obra de ignorante" (§ 47, 187). Em suma, antes de meu primeiro contato com o texto heideggeriano, meu preconceito dizia que eu encontraria um desses pensadores que dizem coisas ininteligíveis para passarem por sábios anunciando à humanidade grandes novidades, como uns e outros como se expressam por aforismos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qual foi então minha surpresa quando me deparei, pasmem, com a rigorosa ordem de razões de Ser e Tempo. Àquela altura dos meus 20 anos de vida e 3 ou 4 de filosofia, eu esperava por poemas truncados, talvez ilustrados com suásticas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até aquele momento então, Heidegger já havia ao menos cumprido com a primeira condição para que eu chamasse alguém de filósofo. Ele argumentava reflexivamente. Colocava em questão, na verdade, o próprio filosofar. Mas eu confesso que apenas posteriormente, ao aprender eu mesma sobre a atividade, tomei conhecimento da grandeza da questão de Heidegger e talvez tenha alcançado uma compreensão pouco mais precisa acerca do diabo da pergunta pelo sentido do Ser e da acusação contra a história da filosofia que vinha no seu bojo: é a história do esquecimento do Ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Penso que o conhecimento que Heidegger tinha de Kant, que eu vim adquirir posteriormente, lhe foi de grande utilidade. Mostro-lhes as passagens e me digam então se Heidegger não foi de grande perspicácia ao indagar: onde foram parar as coisas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; “Em última instância, nós descobrimos que tudo no objeto é &lt;em&gt;accidentia&lt;/em&gt;” (&lt;em&gt;Refl&lt;/em&gt;. 4412 (1771-78), Ak. XVII, 536-37).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O conceito sensorial de suporte [&lt;em&gt;Sustentation&lt;/em&gt;] é um mal-entendido. Acidentes são, unicamente, a maneira de existir da substância...” (&lt;em&gt;Refl&lt;/em&gt;. 5861 (1783-4), Ak. XVIII, 371).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“um sujeito absoluto que permaneceria uma vez que nós tivéssemos abandonado todos os predicados não pode ser pensado e é assim impossível, porque é contrário à natureza humana, pois nós conhecemos tudo discursivamente” (&lt;em&gt;Metafísica Volckman&lt;/em&gt;, Ak. XXVIII-I, 429-30).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“é mais exato e mais correto descrever um acidente como sendo simplesmente o modo em que a existência de uma substância é positivamente determinada (não como inerência, portanto)” (&lt;em&gt;CRP&lt;/em&gt;, A 186-7, B 229-30).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O sujeito mesmo é um predicado (pois tudo é pensado através de predicados, exceto o eu), mas é chamado ‘sujeito’, isto é, algo que não é mais um predicado, porque 1) nenhum sujeito é pensado por ele, 2) é a pressuposição e o substrato dos outros. A última marca somente pode ser deduzida da duração, enquanto o resto muda” (&lt;em&gt;Refl&lt;/em&gt;. 5297 (1776-78), Ak. XVIII, 149).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A internalização do objeto em Kant, as passagens demonstram, representa muito mais do que o abandono da coisa em si. Representa a culminação da filosofia que precedia Heidegger no abandono de toda e qualquer coisidade. O objeto é um sistema discursivo de predicados. Nada além disso.  Eis aí o esquecimento do Ser. Algo ficou pelo caminho e talvez valha perguntar de que serve uma filosofia que gira em conceitos e nunca fala das coisas, pois não há mais coisas em sua concepção de conhecimento. Como ainda sou kantiana, calma, destaco esta passagem como singela resposta a Heidegger:  é contrário à natureza humana, que conhece tudo discursivamente, querer chegar ao mundo que suporta os predicados, nosso mundo&lt;strong&gt; é&lt;/strong&gt; este sistema de predicados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas também não descarto de antemão a legitimidade do que talvez seria uma tréplica heideggeriana. E se existir outra forma de chegarmos ao conhecimento demonstrativo, ou seja, a um conhecimento que aponte para as coisas elas mesmas? A obra de arte, seria o que Heidegger teria em mente, se não estou lhe traindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Creio então que a melhor maneira de fazer um pouco de justiça a Heidegger em poucas linhas seria citar seu lindo comentário sobre a pintura de Van Gogh retratando o par de sapatos da camponesa:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Na escura abertura do interior gasto dos sapatos, fita-nos a dificuldade e o cansaço dos passos do trabalhador. Na gravidade rude e sólida dos sapatos está retida a tenacidade do lento caminhar pelos sulcos que se estendem até longe, sempre iguais, pelo campo, sobre o qual sopra um vento agreste. No couro, está a humidade e a fertilidade do solo. Sob as solas, insinua-se a solidão do caminho do campo, pela noite que cai. No apetrecho para calçar impera o apelo calado da terra, a sua muda oferta do trigo que amadurece, a inexplicável recusa na desolada improdutividade do campo no inverno. Por esse apetrecho passa o calado temor pela segurança do pão, a silenciosa alegria de vencer uma vez mais a miséria, a angústia do nascimento iminente e o tremor ante a ameaça da morte. Este apetrecho pertence à terra e está abrigado no mundo da camponesa" (&lt;em&gt;A Origem da Obra de Arte&lt;/em&gt;, pp. 25-6).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis aí um mundo, o mundo da camponesa, sendo revelado em um quadro. Pode ser então que eu não seja tão temerária ao sugerir que, antes de bancar o gênio na filosofia, Heidegger tenha, ao contrário, dado ao artista o que é da arte.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36459076-116641045584273670?l=andreafaggion.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://andreafaggion.blogspot.com/feeds/116641045584273670/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36459076&amp;postID=116641045584273670' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/116641045584273670'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/116641045584273670'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://andreafaggion.blogspot.com/2006/12/minha-histria-com-heidegger.html' title='Minha história com Heidegger'/><author><name>Niemand</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05507574057753299136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36459076.post-116636932919795711</id><published>2006-12-17T07:18:00.000-08:00</published><updated>2006-12-17T07:28:49.246-08:00</updated><title type='text'>Bem feito!!</title><content type='html'>Bem que eu lamentaria uma vitória do Alckmin na campanha presidencial só por perder as pérolas do Lula. A da última semana, com certeza, foi ter dito que quem não deixa de ser de esquerda ao alcançar a maturidade tem algum problema. Confesso que tive um prazer sádico ao saber disso, porque uma parte considerável da segunda vitória de Lula se deveu a quem caiu na conversa fiada de que ele representaria uma oposição esquerdista à elite que teria governado o Brasil por 500 anos, ou seja, até aquele marco da história da humanidade que foi sua primeira vitória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esses eleitores lulistas, que confessam ter tapado o nariz para votar, desprezaram o fato do governo petista ser sistematicamente corrupto e absolutamente ineficiente no tocante à solução do problema do crescimento, simplesmente em nome da origem do partido. Assim, eu só posso concordar com o presidente. Certamente que esta gente tem problema. E para sorte dele...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36459076-116636932919795711?l=andreafaggion.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://andreafaggion.blogspot.com/feeds/116636932919795711/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36459076&amp;postID=116636932919795711' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/116636932919795711'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/116636932919795711'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://andreafaggion.blogspot.com/2006/12/bem-feito.html' title='Bem feito!!'/><author><name>Niemand</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05507574057753299136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36459076.post-116577013130775946</id><published>2006-12-10T08:34:00.000-08:00</published><updated>2006-12-10T09:12:33.473-08:00</updated><title type='text'>Discriminação: um pequeno relato pessoal</title><content type='html'>Na última sexta-feira à tarde, as letras "e" e "r" do meu teclado entraram em greve. Rapidamente, outras companheiras da mesma carreira aderiram ao movimento. Como boa direitista, demiti todas! Daí que, no único dia da semana que eu havia reservado para estudar para a prova final do curso de inglês, que aconteceria no sábado de manhã, tive que sair para comprar um teclado, sob pena de não poder trabalhar na minha tese durante todo o final de semana, expectativa que provoca uma certa fobia incontrolável em &lt;em&gt;workaholics&lt;/em&gt; como eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como eu estava com muita pressa... Não, na verdade, confesso que, no mais das vezes, sou desleixada com o visual mesmo... enfim... coloquei uma camiseta de malha simples, uma saia esporte qualquer e calcei uma rasteirinha, me dirigindo então a uma loja especializada em informática, que fica razoavelmente perto da minha casa. Chegando lá, fiquei um tempão em pé no saguão de vendas, olhando várias estantes com vitrines de produtos diversos, enquanto um vendedor nem se dava conta da minha presença, ocupado com o atendimento a um empresário, que fazia uma encomenda grande de computadores, em nome de um grupo empresarial, para uma doação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cansei de ficar ali, já tinha visto cada produto, então, gentilmente, perguntei ao vendedor se não haveria outro funcionário para me atender. Ele chamou uma moça pelo telefone e, nisso, o empresário foi embora. Quando a moça chegou, tocou o telefone, ela atendeu e ficou mais uns bons minutos falando, enquanto eu esperava na frente dela e o outro vendedor, a esta altura, estava livre na mesa dele... sem nem me olhar. Aí, ela desligou e eu falei que precisava de um teclado com urgência, porque o meu tinha acabado de quebrar. Ela me mostrou um que estava exposto ao lado dela, mas era de tecla alta, o que odeio. Perguntei então por outros modelos e... dou um doce para quem adivinhar o que ouvi: "dos mais básicos, é só este mesmo".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois é... Agora, não me perguntem em que momento da conversa eu teria dito a ela: "moça, qual seu teclado mais barato?" ou algo do gênero. Porém, como ando muito bem humorada e não queria brigar, para não ter que ir ao centro ou para um shopping fazer minha compra, simplesmente disse que eu tinha visto um que me agradava em uma vitrine e levei o dito cujo, que, aliás, já foi trocado uma vez por defeito no plugue e, agora, está com defeito na letra "d" (nunca sai de primeira, deve ser do sindicato do "e" e do "r" do teclado antigo).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O interessante é que, sem esforço algum, ela me vendeu um teclado que custava exatamente o dobro do tal "mais básico" e, se tivesse apostado um pouco mais em clientes de camiseta de malha, podia ter acabado vendendo um modelo sem fio, bem mais caro, já que sou absolutamente vidrada em tecnologia, coisa que certamente ela não deduziu da minha aparência, pois, como o colega, preferiu, por uma estranha lógica, inferir que, se não sou uma cliente interessante para salões de beleza e boutiques, também não devo sê-lo para lojas de informática.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E esta não foi a primeira ocasião em que recebi este tipo de tratamento. Quando eu estava para comprar a Mel, por exemplo, antes de me responderem se tinha filhote de Schnauzer no Petshop, me falavam que era muito caro rsrs Então, estava pensando, se eu não fosse muito mais branquela do que gostaria de ser, certamente, isto se tornaria um relato do que é o racismo no Brasil, mas eu sinto na pele é a discriminação (burra) pela (enganosa) aparência social. Imagino se eu fosse como aquele empresário, coadjuvante lá do começo da história, e tivesse ligado antes para a loja, avisando quem eu era e o que eu ia fazer, então aparecesse lá de terno e gravata, dentro de um carrão, mas... sendo negro. Tenho certeza que iam me receber bem do mesmo jeito. Acha que o Ronaldinho vai ser distratado em algum lugar? Negro é distratado, quando inferem, do fato de ser negro, que o cara é pobre, porque, se você deixa que eles pensem que você é pobre... pode ser da cor da Xuxa...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36459076-116577013130775946?l=andreafaggion.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://andreafaggion.blogspot.com/feeds/116577013130775946/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36459076&amp;postID=116577013130775946' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/116577013130775946'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/116577013130775946'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://andreafaggion.blogspot.com/2006/12/discriminao-um-pequeno-relato-pessoal.html' title='Discriminação: um pequeno relato pessoal'/><author><name>Niemand</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05507574057753299136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36459076.post-116518411874302464</id><published>2006-12-03T14:10:00.000-08:00</published><updated>2006-12-03T14:20:09.130-08:00</updated><title type='text'>Justice</title><content type='html'>Acharei uma pena se a primeira temporada for a última, como estão dizendo, porque esta série da Warner é importante para mostrar o outro lado da moeda. Em várias e várias séries americanas, a polícia, a promotoria, os detetives forenses etc... são sempre heróis lutando pela verdade, pela justiça, ao passo que os advogados de defesa são sujeitos inescrupulosos que livram culpados e impedem a justiça por dinheiro. Em Justice, não há o mesmo defeito maniqueísta, não se transforma o advogado em herói, mas se tira a inocência do público ao mostrar o que o Estado pode fazer com um indivíduo, seja ele culpado ou inocente. Lembrem-se, por exemplo, da cena em que o promotor não queria que um corte no pé do cadáver da vítima fosse fotografado pelo perito da defesa, porque esta evidência corroborava a versão do acusado. Isto, não tenham dúvidas, está muito mais próximo da realidade do que o rigor científico e o amor à verdade de um CSI. Assim, eu duvido mesmo que a série dure muito. É melhor para a hipócrita sociedade americana que continuem pensando que os promotores estão sempre do lado da verdade e, quando um advogado livra alguém, é só porque o dinheiro superou a lei. É verdade que, nos EUA, quem é rico não vai para cadeia, mas isto é, sobretudo, porque só quem é rico pode enfrentar o Estado de igual para igual. É isto que Justice mostra e é isto que muita gente prefere que fique embaixo do tapete...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36459076-116518411874302464?l=andreafaggion.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://andreafaggion.blogspot.com/feeds/116518411874302464/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36459076&amp;postID=116518411874302464' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/116518411874302464'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/116518411874302464'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://andreafaggion.blogspot.com/2006/12/justice.html' title='Justice'/><author><name>Niemand</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05507574057753299136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36459076.post-116509316722302906</id><published>2006-12-02T12:52:00.000-08:00</published><updated>2006-12-02T12:59:27.223-08:00</updated><title type='text'>Pingüins que dançam</title><content type='html'>Esta semana, por causa da música e das imagens (estas últimas eram propaganda enganosa), fui ver 'Happy Feet'. A trilha sonora realmente valeu a pena o sacrifício de passar quase 2 horas na companhia de uns 30 selvagenzinhos, mas, no final do filme, uma constatação sobre a minha própria reação me chamou a atenção. Até o momento em que mostravam pingüins cantores e sapateadores, tudo parecia "natural". Mas quando a estória apelou à sociedade global se sensibilizando com a dança dos pingüins e abrindo mão de lucros da pesca para que os bichinhos não ficassem sem alimento, imediatamente pensei: "mas isto é que é forçar a barra".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36459076-116509316722302906?l=andreafaggion.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://andreafaggion.blogspot.com/feeds/116509316722302906/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36459076&amp;postID=116509316722302906' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/116509316722302906'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/116509316722302906'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://andreafaggion.blogspot.com/2006/12/pingins-que-danam.html' title='Pingüins que dançam'/><author><name>Niemand</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05507574057753299136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36459076.post-116509271156500362</id><published>2006-12-02T12:50:00.000-08:00</published><updated>2006-12-02T12:51:51.570-08:00</updated><title type='text'>Da mesma "raça"</title><content type='html'>Emir Sader representa o PT na comemoração dos 80 anos de Fidel Castro. Todos se merecem...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36459076-116509271156500362?l=andreafaggion.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://andreafaggion.blogspot.com/feeds/116509271156500362/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36459076&amp;postID=116509271156500362' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/116509271156500362'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/116509271156500362'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://andreafaggion.blogspot.com/2006/12/da-mesma-raa.html' title='Da mesma &quot;raça&quot;'/><author><name>Niemand</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05507574057753299136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36459076.post-116466199128129898</id><published>2006-11-27T13:11:00.000-08:00</published><updated>2006-11-27T13:13:11.290-08:00</updated><title type='text'>Saravá, Michael Jackson!</title><content type='html'>Prometo mudar de assunto no próximo post, mas, antes, deixem-me provar que estou em boa companhia no fascínio pelo tema:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Para Presidente da República, Michael Jackson!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda não ouvi este brado, mas daqui a pouco ele soará. Nas areias do Leblon e nas noites do Asa Branca. Na feira de São Cristóvão. Nas tertúlias do Jockey Club. No Maracanã. Na Cobal. No Lar das Donzelas Incasáveis. Embaixo dos viadutos e passarelas. No bote dos pescadores. No céu estrelado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Michael Jackson, por que custou tanto a aparecer Michael Jackson? Os deuses desapareceram há milênios, o grande Pã morreu ninguém se lembra mais quando. As religiões, sentindo-se solitárias, abraçaram-se ecumenicamente, pórem nenhuma apresentou um fato novo, de importância cósmica. Foi preciso que um útero... Não. Michael Jackson, o divino, nasceu da barriga de um meteoro ou da pura luz ou das entranhas do Fatum. Tinha que nascer diferente, para crescer diferente e seduzir diferente a humanidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Surgem apelos veementes para Michael Jackson fazer isto e aquilo, pagar nossos credores estrangeiros, ressuscitar o PDS, garantir a safra da soja. Só Michael Jackson poderá acabar com a fome no Brasil e com a saúva também. Se Michael Jackson não pacificar os casais desavindos, quem mais o fará? Seu pansexualismo é proposta de vida para a humanidade fatigada disto e daquilo, em fatias tediosas; é ou tudo ou nada. Jackson explode. Michael levita. E nós com ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O disco de MJ substitui plenamente as Epístolas de São Pedro, São Paulo e São Tiago, e até a novela das 8. Colossenses, Tessalonicenses, Coríntios (e cotintianos também), detende-vos e escutai a Voz que vem de Michael. A voz e os gestos. Escutai os gestos, as lantejoulas pretas, a cabeleira incendiada no comercial de tevê, escutai o lobisomen em que ele se transformou. Epa, Michael, mas você abusa da nossa capacidade de admirar. Você, como a gasolina, excede; superexcede a gasolina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As revistas brasileiras que buscam o sensacional só têm uma capa: você. Nem Roberta Close nem Reagan nem Maluf podem contigo. Estás em toda parte. Ouvi dizer que as novas notas de cem mil cruzeiros, em fabricação na Casa da Moeda, terão a efígie cantando Beat It. É uma jogada inteligente para recuperar a confiança no valor das cédulas. Com algumas MJ-100 mil na bolsa, as madamas poderão ir confiantes ao&lt;br /&gt;supermercado, para a compra de abobrinha e sabão branco-total. Porque Michael, como já se proclamou, é o astrototal. Tótem. Totipotente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como ele engasga bem! Até engasgar é uma arte, e Michael a domina como a um potro selvagem. O wet look dele é de endoidar qualquer Clodovil. As crianças do mundo inteiro o adoram como a um meninão batmânico e frágil. O Senador Amaral Peixoto acha que ele pode salvar o Brasil, se de todo o Presidente Figueiredo não quiser incumbir-se dessa chateação. O Deputado Ulysses Guimarães não faz restrições ao garoto que integra os Jackson Five - e isto é dizer o máximo. Em sua dança, Dalal Achcar não bota defeito. Dizem que o Athayde, da Braseleira de Letras, o julga merecedor de uma poltrona imortal, mesmo sem vaga, principalmente sem: é mais glorificador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Michael Jackson quanto custa para o bolso do Brasil? Em discos, cassetes, videocassetes, bugigangas que trazem o nome ou a figura dele? Pergunta evidentemente estúpida, que só formulo aqui para frisar como um acontecimento cultural de tamanha grandeza pode inspirar mesquinhas indagações contábeis. O que gastamos para consumir Michael Jackson, e não Nijinski ou a Malibran, notoriamente falecidos, é nada em comparação como o gozo sensorial-espiritual que ele nos proporciona. E ele, por sua vez, não nos deve nada. Em face da carência nacional de ídolos, natural que importemos um, mais um. Não poderíamos estabelecer reserva de mercado para os imitadores nacionais desse elfo cantarino. Queremos o original, o único, o sem-limite, o tal-total.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Velô, o Mílton, o Chico, o Tom, a Ramalho, o Mato-Grosso, o este e o aquele que se cuidem, se quiserem que continuemos a amá-los e frequentá-los. Michael não vem com espada de fogo para trucidá-los, mas, se não andarem direitinho, o bicho vem e o bicho pega. O espaço ocupado por ele abrange o nosso universo, e para haver convivência pacífica é necessário que todos reconheçamos a originalidade, a imensabilidade, a supragenialidade de Jackson, com ou sem família, que isso de família para ele são babados ou papelotes. A família Jackson é um adjetivo, Michael não é só o substantivo, é o dicionário; a enciclopédia, a tradição cantada e pulada, do homem das cavernas até o homem das estrelas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Palmas para Michael Jackson. Ele merece. Tanta gente por aí que não merece, ganhando, mais do que aplausos: posições, mordomias, o mel da vida. O americano tem tudo isso e nos tem também a seus pés, como é devido. Inclino-me e declaro, altissonante: que seria o mundo se não existisse Michael Jackson e seu show Victory? Saravá, Mic!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Carlos Drummond de Andrade, transcrito do Jornal do Brasil de 19/07/84&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36459076-116466199128129898?l=andreafaggion.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://andreafaggion.blogspot.com/feeds/116466199128129898/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36459076&amp;postID=116466199128129898' title='6 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/116466199128129898'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/116466199128129898'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://andreafaggion.blogspot.com/2006/11/sarav-michael-jackson.html' title='Saravá, Michael Jackson!'/><author><name>Niemand</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05507574057753299136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36459076.post-116389367630855965</id><published>2006-11-18T15:19:00.000-08:00</published><updated>2006-11-18T16:01:35.076-08:00</updated><title type='text'>Viva Michael Jackson, o único verdadeiro subversivo da música pop</title><content type='html'>Ah, pensaram que eu não ia falar dele aqui?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejam só o que um amigo encontrou na Wikipedia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Edcyhis"&gt;http://pt.wikipedia.org/wiki/Edcyhis&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tenho mais a menor vontade de voltar a este tempo, mas li a matéria, muito bem feita por sinal (não sei por quem), com muita nostalgia. Entendam ou não (só os outros fãs vão entender), Michael Jackson sempre será parte da minha vida. Na verdade, eu sei que é difícil compreender, sobretudo, porque o Michael Jackson da mídia é um e o dos fãs é completamente outro em todos os aspectos. De todo modo, é complicado que alguém entenda por que gente adulta e, aparentemente, de desenvolvimento intelectual normal (mediano) tem um estranho como mais importante em sua vida do que a maior parte das pessoas com quem convive. Mas este estranhamento certamente é maior quando se pensa apenas no conceito de ídolo pop em geral. Em outras palavras, compreende-se que um adolescente tenha um ídolo, mas não que ele carregue o herói na transição para a fase adulta, com a personalidade já inteiramente formada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certa vez, li uma matéria de uma antropóloga (de cujo nome, infelizmente, não me lembro) que se infiltrou na comunidade de fãs de Jackson tentando explicar por que afinal um sujeito podia passar o dia desenvolvendo pesquisas médicas de ponta e a noite fazendo campanhas por e-mail em prol do Rei do Pop, como era o caso de um colega. Era engraçado ler declarações do tipo "você não acreditaria no quanto são intelectualmente sofisticados e bem organizados".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Infelizmente, ela não chegou a nenhuma conclusão interessante para explicar o fato, mas fez uma constatação que imediatamente me chamou a atenção pois pude reconhecê-la de pronto: quase todos nos tornamos fãs na infância. De fato, minha mãe me conta que, aos 3 anos, ninguém me tirava da frente da TV quando o &lt;em&gt;moonwalker&lt;/em&gt; estava na telinha. Mas ela mesma se espanta: "você mudou tanto, tudo se transformou e só ele ficou!!!", ela costuma me dizer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como eu gosto de psicologia de botequim, vou arriscar uma resposta que, pelo meu conhecimento de causa, pode se mais precisa que a da tal antropóloga americana. De fato, eu me encantei com Michael Jackson pela dança. Como o canto da sereia, foi com esse artifício que ele me atraiu. Mas eu me lembro bem que, enquanto era só isso, apesar do hipinotismo diante do Fantástico com seus clipes exclusivos de antigamente, eu jogava fora o material dele que ganhava de presente e ainda gozava das garotinhas da minha idade que colecionavam fotos dos ídolos. Michael Jackson... OK, para mim, é só Michael, tá?... entrou definitivamente na minha vida quando, ainda menina, ele me ensinou que devemos fazer o que é certo pela simples razão de que é certo e que valores morais não são convenções sociais, nem podem ser impostos. Tudo isto, bem entendido, muito antes de eu saber que um tal Immanuel Kant existia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu aprendi sobre o que está em jogo na defesa da individualidade perante a sociedade quando Michael disse: "O céu não tem que ser azul, o desenho não tem que estar no centro da folha de papel". Este é o lema da minha vida, digamos assim, e eu o ouvi do Michael quando tinha 12 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ok, isto explica por que Michael entrou na minha vida, mas não diz por que ele ficou até hoje. Tenho para mim que, quando crianças, ao aprendermos nossos valores mais fundamentais, os personalizamos justamente nas figuras que nos ensinam a distinguir o certo do errado. Criança aprende, sobretudo, pelo exemplo. Daí que, crescendo, nos deparamos com o fato de que nossos heróis não têm assim uma conduta tão condizente com aquilo que nos falaram. Por isso, crescendo, deixamos nossos ídolos para trás. Ora, como eu poderia então deixar para trás um ídolo que se tornou meu herói exatamente ao aceitar ser um mártir daquilo que ele pregava? Para você, Michael Jackson é o &lt;em&gt;freak&lt;/em&gt; decadente descrito nos jornais. Para mim, ele é o sujeito que eu assisti colocando o mundo aos pés contra tudo e contra todos, para depois ver jogar tudo fora em nome da própria individualidade. Ele simbolizou bem centenas de episódios da própria vida quando, no último álbum, ao receber o pedido da gravadora para retirar uma frase musical, ao contrário, adicionou uma outra quase inaudível logo na seqüência: "I like it". Well, I like it, Michael!! Muito obrigada por ser como você é e por ter ajudado tanto a fazer de mim o que eu sou. É, meu amigo, we like it!!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36459076-116389367630855965?l=andreafaggion.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://andreafaggion.blogspot.com/feeds/116389367630855965/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36459076&amp;postID=116389367630855965' title='6 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/116389367630855965'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/116389367630855965'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://andreafaggion.blogspot.com/2006/11/viva-michael-jackson-o-nico-verdadeiro.html' title='Viva Michael Jackson, o único verdadeiro subversivo da música pop'/><author><name>Niemand</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05507574057753299136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36459076.post-116360581521296904</id><published>2006-11-15T07:01:00.000-08:00</published><updated>2006-11-15T07:58:14.336-08:00</updated><title type='text'>O que é extrema direita, afinal?</title><content type='html'>É verdade que convencionou-se, com certa razão, dizer que não há mais direita e esquerda na política. No entanto, ainda acho que os problemas da prática política podem ser e são pensados do ponto de vista destas duas grandes bandeiras ideológicas, e não apenas técnica e pragmaticamente, sobretudo, se as considerarmos amplamente como preponderância da defesa da liberdade formal e da igualdade material respectivamente, como propôs recentemente Aguinaldo Pavão em seu blog. Neste sentido, confesso que nunca entendi o que se quer dizer com a classificação "extrema direita". Na verdade, confesso que não sei quem primeiro usou tal expressão e com que justificativa, mas o fato é que ela é mundialmente assimilada ao nazismo, sendo esta minha dificuldade. Seriam os nazistas defensores extremados da liberdade individual? Esta pergunta absurda torna clara minha dificuldade, certo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Historicamente, ou seja, desde o contexto da Revolução Francesa, que eu saiba, quando se fala em direita, fala-se em posições conservadoras em relação ao &lt;em&gt;status quo&lt;/em&gt;, ao passo que, quando se fala em esquerda, entende-se a intenção de uma substituição radical do mesmo, isto é, de uma revolução. Isto não se encaixa perfeitamente na interpretação proposta por Aguinaldo e aceita por mim, porque os defensores da liberdade formal só serão então conservadores daquelas instituições que representem perfeitamente o ideal em questão, de modo que, na prática, tenderão a ser sempre, no mínimo, reformistas. Não nos esqueçamos ainda que a liberdade foi a mais importante bandeira justamente da &lt;em&gt;Revolução &lt;/em&gt;Francesa, uma revolução, aliás, desprezada pela assim chamada esquerda por ser &lt;em&gt;burguesa&lt;/em&gt;, quer dizer, &lt;em&gt;de direita&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De todo modo, mesmo que eu aceitasse essa idéia de que a direita devesse ser equiparada sem mais ao conservadorismo, eu ainda rejeitaria categoricamente a inclusão dos nazistas sob esta classificação, visto que Hitler sempre se colocou como um revolucionário e que o nazismo nasce de um profundo sentimento de oposição ao &lt;em&gt;status quo&lt;/em&gt; germânico da época. O fato é que soa tão absurdo dizer que os nazistas eram defensores extremos da liberdade quanto dizer que eram conservadores extremados. Por que diabos então seriam eles a "extrema direita"?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só posso pensar que esta classificação se deu grosseiramente pela oposição fanática de Hitler ao marxismo. Parece-me até que a origem do anti-semitismo como bandeira nazista se dá via enfrentamento com o marxismo, representado então, segundo Hitler, por judeus. Assim, a questão que se impõe é se os liberais mereceriam a companhia de Hitler na direita tendo em vista o inimigo comum. Haveria pressupostos comuns ao nazismo e ao liberalismo enquanto opositores do marxismo? Vejamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Grosso modo, a grande discordância entre liberais e socialistas marxistas se dá em torno da legitimidade da propriedade privada. Tendo esta como fundamento, segundo os liberais, a liberdade individual, o socialismo marxista representaria uma violência contra a mesma em nome da posse comum, quer dizer, o todo da comunidade humana seria sobreposto ao indivíduo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quanto aos nazistas, qual seu problema com o marxismo? Para Hitler, o marxismo representava uma armadilha judaíca que, justamente com a idéia de uma comunidade humana supranacional, visava enfraquecer a defesa da raça germânica, tornando a economia deste povo presa fácil do capital financeiro internacional (sem pátria), igualmente assimilado à figura do judeu. A oposição aqui se dá, não entre o indivíduo e o todo, mas entre o bem comum à raça e um suposto bem comum à humanidade, que, para Hitler, não passa de um conceito vazio e mal intencionado. Portanto, temos uma oposição entre uma idéia de totalidade maior e outra menor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que dizer agora quanto à relação liberalismo-nazismo? Ora, com base no que descobrimos acima, ocorre que, se pressupostos são compartilhados perante um inimigo comum, estes pressupostos são comuns ao marxismo e ao nazismo perante o liberalismo, também ferrenhamente atacado por Hitler por seu desprezo à idéia de raça em seu conceito de pessoa humana, sujeito livre... Para Hitler, indivíduos podem perecer ou serem usados, desde que seja para o fim do triunfo de sua raça. Ele próprio seria um instrumento da raça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A verdade é que analisados o liberalismo, o &lt;em&gt;socialismo&lt;/em&gt; marxista e o nacional-&lt;em&gt;socialismo&lt;/em&gt; de Hitler, temos, de um lado, o sujeito, do outro, alguma idéia do todo a que deve se subordinar o sujeito. Não por acaso, os regimes que de fato realizaram tais idéias totalitárias foram tão semelhantes em seu &lt;em&gt;modus operandi. &lt;/em&gt;Ninguém precisaria perguntar a Hitler, por exemplo, com quem ele aprendeu sua nefasta estratégia propagandística. Ele já respondeu! A propósito, é graças a esta mesma propaganda, tão eficaz nas mãos de seus verdadeiros criadores, os primeiros totalitaristas políticos, que o irmão caçula mestiço deles é jogado nos braços dos liberais do outro lado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Extrema-direita? Quem não gostou que me ajude a fazer sentido disto de outro modo, por favor...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36459076-116360581521296904?l=andreafaggion.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://andreafaggion.blogspot.com/feeds/116360581521296904/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36459076&amp;postID=116360581521296904' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/116360581521296904'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/116360581521296904'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://andreafaggion.blogspot.com/2006/11/o-que-extrema-direita-afinal.html' title='O que é extrema direita, afinal?'/><author><name>Niemand</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05507574057753299136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36459076.post-116300407107248379</id><published>2006-11-08T08:35:00.000-08:00</published><updated>2006-11-08T08:41:11.103-08:00</updated><title type='text'>Filosofia e Literatura</title><content type='html'>Tantos as têm como duas grandes paixões, então vai a dica:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Curso de Extensão: Filosofia e Literatura&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Local: Uem, Bloco H35, Auditório 01&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ministrantes, temas, dia e horário:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. Ms. Vladimir Chaves dos Santos (UEM)&lt;br /&gt;Filosofia e Literatura: O estilo sublime e a fortuna do tirano de Platão&lt;br /&gt;25/11/06&lt;br /&gt;8:00 – 12:10&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. Dr. Walter Lúcio Praxedes (UEM)&lt;br /&gt;Homologias entre os pensamentos social e filosófico e os romances de José Saramago&lt;br /&gt;25/11/06&lt;br /&gt;14:00 – 18:10&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3. Ms. Selma Aparecida Bassoli (Unicamp)&lt;br /&gt;A “causa secreta” da maldade: uma aproximação entre alguns aspectos da filosofia moral de Schopenhauer e o conto “A causa secreta” de Machado de Assis&lt;br /&gt;02/12/06&lt;br /&gt;8:00 - 12:10&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4. Dra. Heloisa Helena Siqueira Correia (FAJOPA / FAI)&lt;br /&gt;Habitantes de um mesmo país metafórico: Borges e Nietzsche?&lt;br /&gt;02/12/06&lt;br /&gt;14:00 – 18:10&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Total: 20 horas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Valor da Inscrição: R$ 20,00&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36459076-116300407107248379?l=andreafaggion.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://andreafaggion.blogspot.com/feeds/116300407107248379/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36459076&amp;postID=116300407107248379' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/116300407107248379'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/116300407107248379'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://andreafaggion.blogspot.com/2006/11/filosofia-e-literatura.html' title='Filosofia e Literatura'/><author><name>Niemand</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05507574057753299136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36459076.post-116284593755268552</id><published>2006-11-06T12:25:00.000-08:00</published><updated>2006-11-06T12:53:05.580-08:00</updated><title type='text'>E.R.</title><content type='html'>Depois de muita espera, finalmente, para minha alegria, chegou ao Brasil a nova temporada de E.R., o "Plantão Médico", dos tempos em que a série era destaque na programação da Globo (nossa, como o tempo passa, eu era criança naquela época hehe). Engana-se quem pensa que o programa interessaria apenas a quem tem curiosidade pelo dia-a-dia de um centro de emergências médicas. Na verdade, as situações de emergência, as disputas com a morte, são apenas usadas como catalizadoras de emoções das mais diversas. Eu, particularmente, acho difícil ver a alma humana sendo tão bem explorada no entretenimento televisivo, apesar da boa fase da TV americana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu tiro o chapéu para E.R., porque o programa prova que é possível sim fazer sucesso (acho que é a 13ª temporada) sem perder a qualidade, sem abrir mão da profundidade no conteúdo. Em E.R., não há heróis e nem vilões. Há pessoas vivendo situações extremas. Até por isso, a série que já teve galãs do nível de um George Clooney, nem por isso vive de estrelas. Apaixonamo-nos por tantos personagens, não há mais nenhum que tenha tomado parte do programa desde a primeira temporada, mas ele, ao menos para o meu gosto, só melhora. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez, mais legal ainda seja o fato do programa adotar uma postura política explícita. Se você é partidário de George Bush e seus "neocons", certamente não vai encontrar tanto prazer quanto eu diante da tela da Warner. Vivendo em um país em que nem candidato à presidência toma partido (todos querem ser unanimidade e, por conseguinte, não representam ninguém), acho fantástico ver um programa de TV, que tem que sobreviver pela audiência, ter a coragem de colocar o dedo em feridas e assumir posições, como a oposição à guerra no Iraque no tempo em que ela ainda tinha o apoio da maioria. Ainda defendem com todas as letras as pesquisas com células tronco e condenam as atitudes dos "neocons" na área médica. Sem contar o quanto batem de frente com a poderosa indústria farmacêutica americana, denunciando suas estratégias nos hospitais. Também não posso me esquecer dos fantásticos programas gravados em Dafur, denunciando não só o genocídio ocorrido por lá, como seu tratamento hipócrita pela sociedade americana. Mais do que cada denúncia em si, vale a pena conferir o modo como são feitas. A inteligência dos discursos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, tá certo que sou apaixonada pelo Luka, mas o programa é muito mais do que seus quase dois metros de puro charme.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36459076-116284593755268552?l=andreafaggion.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://andreafaggion.blogspot.com/feeds/116284593755268552/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36459076&amp;postID=116284593755268552' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/116284593755268552'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/116284593755268552'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://andreafaggion.blogspot.com/2006/11/er.html' title='E.R.'/><author><name>Niemand</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05507574057753299136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36459076.post-116221615208327067</id><published>2006-10-30T05:27:00.000-08:00</published><updated>2006-10-30T05:49:12.156-08:00</updated><title type='text'>2010...</title><content type='html'>Como de costume, basta que o TSE encerre as votações de uma eleição e nossas mentes se direcionam automaticamente para a próxima. Ao que tudo indica, os próximos quatro anos serão bem mais interessantes do que o período compreendido entre 2002 e 2006, quando a única questão era quem o PSDB escolheria para o papel de anti-Lula. Agora, temos o próprio PSDB parecendo pequeno demais para as pretensões de Serra e Aécio e, do outro lado, um PT com a difícil tarefa de formar um sucessor para Lula, desde que Pallocci e Dirceu se balearam no fogo amigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mercadante parece incrivelmente desprestigiado neste momento, dado o ato "aloprado" da tentativa de compra do dossiê (como governador paulista, ele seria o herdeiro natural de Lula, assim compreende-se o gesto desesperado que colocou em risco a campanha presidencial). É Marta, inclusive ministeriável, que vemos ao lado de Lula nos palanques da comemoração. A princípio, ela larga na frente. De todo modo, Marta, ou qualquer outro petista, mesmo nos braços de Lula, certamente, não será tão forte quanto ele. Daí que Serra (com a vitrine de São Paulo, onde obteve excelente votação) e Aécio (candidato natural por não poder se reeleger mais governador e pela aclamação nas urnas mineiras) se assanham.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rumores dão conta inclusive de uma transferência de Aécio para o PMDB, onde teria um petista como vice em 2010, chapa que se afiguraria no momento como bastante difícil de ser batida.  Da parte de Serra, as especulações chegam até a formação de um suposto novo partido de centro-esquerda, reunindo os serristas do PSDB, também sobre as bençãos de Lula.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fato é que, por mais que muitos estejam interessados na transferência de votos do atual presidente, o PSDB, como partido, tem o dever de manter em mente o fato de que teve 40% de votos ferrenhamente anti-Lula. Cabe ao partido honrar não só o voto, mas, sobretudo, o voluntariado ao qual Alckmin agradeceu efusivamente em seu discurso pós-resultado. Nós não queremos um candidato que tenha Lula em seu palanque em 2010, por mais que ele tenha suas chances de vitória maximizadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixando de lado os interesses individuais de Serra e Aécio, como partido, o PSDB tem a obrigação de representar a classe média que demonstrou não estar disposta a pagar a conta do arroz/feijão que comprou os votos de Lula. Nisto, o partido tem também o grande desafio de se refundar para vencer a rejeição que angariou junto a esta mesma classe média, descolando de si o rótulo da elite que comandaria o Brasil há 500 anos. O fim da aliança com o PFL, totalmente inútil nesta eleição, seria um grande começo para tanto. A coragem da oposição franca à agenda assistencialista do PT e da defesa de suas próprias conquistas enquanto governo federeal também seriam passos essenciais. Um PSDB que diz que os programas petistas são lindos e renega seu passado está condenado, mais do que à oposição, à crise existencial.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36459076-116221615208327067?l=andreafaggion.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://andreafaggion.blogspot.com/feeds/116221615208327067/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36459076&amp;postID=116221615208327067' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/116221615208327067'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/116221615208327067'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://andreafaggion.blogspot.com/2006/10/2010.html' title='2010...'/><author><name>Niemand</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05507574057753299136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36459076.post-116205734362230112</id><published>2006-10-28T10:29:00.000-07:00</published><updated>2006-10-28T10:42:23.630-07:00</updated><title type='text'>Ainda sobre "eles"...</title><content type='html'>Só para lembrar ainda que "eles" são os banqueiros que batem recorde de lucros no governo Lula com juros pagos com o "nosso" dinheiro, sem nenhuma crise que justifique que tenhamos as taxas mais altas do planeta. "Eles" também é uma categoria que inclui Quércia, que lançou uma segunda chapa petista ao governo de São Paulo (ainda acredito que aquele dinheiro todo não era para pagar o dossiê, mas sim para pagar quem faria o serviço sujo de usá-lo em horário eleitoral, pior para o candidato que passou vexame nas urnas e teve o pagamento apreendido pela polícia). "Eles" ainda é uma palavra que certamente incluiria Delfin "ministro da ditadura" Neto, que começou o primeiro governo petista se esgueirando pelo palácio à noite, mas pode aparecer ocupando um dos 34 (!!!!) ministérios dos companheiros em um próximo governo Lula, já que não esconde mais o apoio. "Eles" é uma classe que também não pode deixar de fora o mesmo Maluf que apoiou Marta em São Paulo. Enfim, "eles", os amigos do PT para quem ele realmente governa, são é café pequeno perto de quem tem o poder de fazer 60% do Brasil pensar que "eles" não somos "nós".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36459076-116205734362230112?l=andreafaggion.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://andreafaggion.blogspot.com/feeds/116205734362230112/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36459076&amp;postID=116205734362230112' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/116205734362230112'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/116205734362230112'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://andreafaggion.blogspot.com/2006/10/ainda-sobre-eles.html' title='Ainda sobre &quot;eles&quot;...'/><author><name>Niemand</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05507574057753299136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36459076.post-116205652116880195</id><published>2006-10-28T09:51:00.000-07:00</published><updated>2006-10-28T10:28:41.596-07:00</updated><title type='text'>Quem são "eles", presidente?</title><content type='html'>Desde os tempos das aulas de geografia política do colégio, ouço o lugar comum de que programas sociais assistencialistas só agravam a miséria, tendo como único objetivo angariar votos sem esforço. Quem nunca ouviu falar na "troca da dentadura pelo voto" do coronel nordestino e desde quando isto é elogiável? Pois um governo que só moderniza e oficializa o coronelismo agora passa por "governo social".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Revoltante o modo como a máquina de propaganda petista manipula como quer o imaginário popular. O que era feio, feito por eles, fica bonito. Lembram, por exemplo, da campanha da esperança em 2002? Pois agora o bonito é ter medo. "Não troque o certo pelo duvidoso". A verdade é que, quando eles querem que o povo tenha esperança sabe-se lá em que, o povo tem esperança e "esperança" vira palavra da moda, palavra de ordem. Mas quando querem que o povo sinta medo sabe-se lá de que, então o bonito é ter medo e "esperança" vira simplesmente "dúvida".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, talvez o exemplo mais patético da manipulação petista se dê em momentos como o do debate de ontem, quando se contrapõe "nós" e "eles". "Eles governaram o Brasil por 500 anos e nunca fizeram nada, agora, nós estamos fazendo", diz Lula. Ora, francamente! Estas palavras, que supõem que tudo que há de positivo no Brasil começou com o governo Lula e que este governo é o inverso do pefelismo, vêm da mesma boca que sobe em palanques maranhenses para implorar votos para Roseana Sarney.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É verdade que o PSDB, oriundo do que havia de melhor na política brasileira, o velho MDB que viria a se degenerar no balcão de negócios do PMDB, protagonizou um triste momento histórico ao se aliar ao PFL, fruto da velha Arena. Mas também é verdade que FHC trabalhou para neutralizar o que há de mais podre no PFL: os caciques nordestinos. Caciques estes que voltaram com tudo no primeiro momento do governo lulista, a ponto de Sarney assumir gloriosamente a presidência do Senado, sendo a voz de Lula na casa. Quem são "eles" então, Lula? Como dizer ao brasileiro que "eles" são "eles", mas ao maranhense, povo que mais sofreu e sofre nas mãos dos caciques, que "eles" somos "nós"?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36459076-116205652116880195?l=andreafaggion.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://andreafaggion.blogspot.com/feeds/116205652116880195/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36459076&amp;postID=116205652116880195' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/116205652116880195'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/116205652116880195'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://andreafaggion.blogspot.com/2006/10/quem-so-eles-presidente.html' title='Quem são &quot;eles&quot;, presidente?'/><author><name>Niemand</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05507574057753299136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36459076.post-116156071985559758</id><published>2006-10-22T15:45:00.000-07:00</published><updated>2006-10-22T16:45:19.866-07:00</updated><title type='text'>Valeu, Michael!!</title><content type='html'>Um certo alemão queixudo foi tão especial em minha vida nos últimos 12 anos que o final de sua carreira me deu motivo suficiente para deixar a preguiça de lado e começar um blog apenas para registrar aqui meu muito obrigada. Dizem que é pobre aquele que precisa de heróis. Pois então aceito a piedade de todos com prazer. A marca do herói, para mim, é o triunfo da vontade. Confesso com desprazer que até da imoralidade, por vezes, não consigo desviar minha admiração diante da obstinação de uma vontade. Daí que, desde criança, sou apaixonada por esportes. Desdenho da tal máxima que diz que o importante é competir (onde já se viu um meio ser mais importante que um fim?). Outra máxima, a meu ver, traduz a razão de ser do esporte. Diz simplesmente: "mais alto, mais rápido, mais forte". Era este o espírito dos jogos olímpicos dos gregos. Isto é o esporte: o prazer que a humanidade tem em se superar, em romper limites. Por isso é tão triste ver o molequinho na escolinha de futebol dizendo que sonha com o carro da Ronaldinho, com a mulher do Ronaldinho. Fosse um verdadeiro esportista, diria, em primeiro lugar, sonhar com o puro e simples triunfo. Fosse um verdadeiro esportista, não iria para a "balada" "comemorar" a eliminação da seleção brasileira de uma Copa do Mundo em que ele estava escalado para triunfar. (Tal fã, tal ídolo). Fosse um verdadeiro esportista, ele disputaria a última prova de uma carreira milionária como se a própria vida, ainda por começar, dependesse disso. Fosse Michael Schumacher, ele seria um verdadeiro esportista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pedro Bassan, em frase inspirada, disse que, quando Schumacher pilota, a humanidade se sente melhor. É este exatamente o ponto. Quando (que triste o tempo do verbo!) pilotava, Schumacher me fazia sentir melhor, no sentido em que me fazia sentir mais potente. Era como se não fosse possível pôr limites à vontade humana. Tanto foi assim que ele me ensinou a ser mais precavida. Não direi aqui que será impossível alguém superar Schumacher. Depois de Schumacher, a palavra "impossível" foi riscada do vocabulário da F1. Se bem que, verdade seja dita, nunca pensei que fosse impossível alguém superar a marca de noventa vitórias. Pois eu simplesmente nunca havia cogitado que um piloto pudesse vencer 90(!!!) grandes prêmios em uma encarnação só. Que dizer então de quebrar o recorde de títulos de Fangio na F1 moderna? Schumacher fez o impensável, o inimaginável...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O imprevisível rondou tanto sua carreira que, no seu final, brincou de zombar dele próprio. Quem diria que o homem dos títulos, das vitórias, dos pódios... acusado de nunca dar show, iria terminar sua carreira com um modesto quarto lugar... dando show? Schumacher nunca foi piloto para torcedor de futebol. Explico (sem retirar a referência, aqui pejorativa, ao torcedor de futebol)! O show de Schumacher não era para os sentidos. Era para mentes mais sofisticadas, intelectos mais refinados. Quem via, a olho nú, Schumacher girar por um autódromo, via só um piloto a mais no carrossel colorido. Para experienciar sua genialidade, precisávamos calcular. Estávamos diante do gênio dos cronômetros, o que também não esteve ausente da corrida de hoje, verdade seja dita. Na narração de Galvão Bueno, a volta era "1:12... E O QUE QUE É ISSO?" Ele devia ter poderes sobrenaturais para fazer a pista ficar mais curta para ele do que para os outros. Mas a questão é que ele nunca se esparramava com os outros na pista. Nunca ficava ultrapassando para tomar o X na curva seguinte, que é o espetáculo que a "torcida sensorial" espera. Pois, na corrida de hoje, até este show aconteceu. Como foi gostoso aplaudir a belíssima ultrapassagem em Kimi dizendo "Adeus, Michael, obrigada por tudo!" Afinal, nós, fãs, estamos tão empanturrados de vitórias que, desta vez, podíamos fazer pouco caso dela mesmo e gozar com os meios como se fossem fins em si mesmos, como fazem os fãs dos outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, tudo bem, não vou ser hipócrita. Eu confesso que sonhava com o octa no dia de hoje e esperava mais carinho dos deuses do esporte para com o homem que brincou de ser semi-deus por tanto tempo. Mas aí vão dizer que foi castigo! O assim chamado "Dick Vigarista" teria sido punido, no final, por tantos pecados acumulados ao longo da carreira. O mais recente (e delicioso, tivesse dado resultado) teria sido estacionar para Alonso não fazer a pole em Mônaco. Pois eu respondo: zagueiro que não toma cartão vermelho, não joga no meu time! Imagine a seguinte situação. São 47 minutos do segundo tempo. Foram dados dois minutos de acréscimo. É final de Copa do Mundo. 0x0 no placar. O atacante adversário parte em direção ao gol. O goleiro sai e é batido no drible. A bola é tocada a meia altura. Você está na linha do gol. Só é possível alcançar a bola com as mãos. É imoral impedir o gol colocando a mão na bola? Eu não acho e colocaria (e quereria matar o zagueiro que não colocasse).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As regras do esporte especificam o que é proíbido e qual a conseqüência caso a infração seja constatada pelo árbitro. A partir do momento em que eu não me furto à igualdade de condições corrompendo a arbitragem, eu tenho o direito de optar pela possibilidade da punição consequente de uma infração que uso para barrar um mau resultado certo. É um cálculo racional aberto a todos os competidores. As regras é que devem ser pensadas de modo a tornar o cálculo favorável a seu cumprimento sempre. Mas não tem sentido estigmatizar como mau caráter o atleta que usa o regulamento a seu favor. Mau caráter seria se procurasse condições para que o regulamento não valesse apenas para ele. As punições que Michael recebeu provam que não foi o caso dele. Então concluo que "Dick Vigarista" é um consolo das "viúvas de Senna" tentando apagar o brilho de quem o ofuscou. E como se Senna não fizesse o mesmo, é claro. Aliás, fazia porque também não era como o zagueiro frouxo, que tira o pé, porque se importa mais com a imprensa contando quantos jogos sem falta do que com os resultados do time.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas aqueles que desistirem do consolo de pensar que Schumacher será lembrado domo "DickVigarista", ainda terão um último apelo: ele só venceu com o melhor carro. Claro, como se esta não fosse a regra geral, como se F1 não fosse uma competição de máquinas. De certo, os outros foram campeões a pé, aos olhos de seus fãs. Em todo caso, não vou discutir quem teve o carro de maior superioridade para conquistar um título pela simples razão de que a tese que diz que Schumacher foi o mais bem servido da história se vira contra o proponente. Digam isto do Felipe ou do Kimi no ano que vem. Eles herdaram uns dos maiores carros da história. Eles chegam à equipe que é a mais vencedora da história. Schumacher fez este carro. Schumacher fez esta equipe. Schumacher não herdou um carro campeão ano sim ano não. Schumacher recebeu um carro amargando 21 anos de espera por um título!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que chorem então os barrichelistas por nunca terem tido as mesmas condições. Que chorem por nunca terem penetrado seu chamado núcleo na equipe. Este alemão, cujo primeiro carro na modesta cidade natal foi um italiano vermelhinho, estava predestinado a viver um longo e louco caso de amor com o cavalino rampante. Nunca um alemão foi tão italiano em seu coração. Nunca italianos foram tão alemães em eficiência. Como era bonito ele reger o hino da Itália após ter mergulhado nos braços dos mecânicos por ele apaixonados e bem correspondidos.  Era em Monza, não em Hockenheim, que o alemão vibrava com seu povo. Ah, Schummy, como eu disse, não posso dizer que nunca haverá outro igual a você. Só digo então que nunca nós, ferraristas, amaremos outro como amamos você. Muito obrigada por ter nos tirado de um inferno de décadas e ter nos colocado por tantos anos no Olimpo. "FORZA, SCHUMMY!!!", gritávamos. Mas, fortes, era como você fazia que nós nos sentíssemos...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36459076-116156071985559758?l=andreafaggion.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://andreafaggion.blogspot.com/feeds/116156071985559758/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=36459076&amp;postID=116156071985559758' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/116156071985559758'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36459076/posts/default/116156071985559758'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://andreafaggion.blogspot.com/2006/10/valeu-michael.html' title='Valeu, Michael!!'/><author><name>Niemand</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05507574057753299136</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
