Wednesday, August 25, 2010

Algumas reflexões sobre a filosofia, seu ensino e sua história


No momento em que comemoramos 10 anos do curso de graduação em filosofia da UEM, parece-me que o mais apropriado seja que façamos uma reflexão justamente acerca do ensino de filosofia em nível universitário. Na verdade, ao que tudo indica, embora aqueles que têm a filosofia como ofício gabem-se do caráter essencialmente reflexivo de seu trabalho, pouco se pesquisa, se discute, se estuda... sobre o próprio ensino de filosofia e, consequentemente, sobre o filosofar em si. Via de regra, reproduzimos quase que mecanicamente os usos e costumes de nossos antigos mestres. A situação torna-se então especialmente problemática quando constatamos que, na maioria das vezes, o que se chama de filosofia no Brasil – mesmo quando lançamos os olhos para além das salas de aula, isto é, para os textos publicados – parece ser pura e simplesmente o trabalho de exegese dos clássicos da história da filosofia.

Ora, em princípio ao menos, não é auto-evidente que o conceito de “filosofia” seja co-extensivo ao conceito de “história da filosofia”, de modo que se encare com tamanha naturalidade que o trabalho filosófico por excelência seja o trabalho hermenêutico da descoberta do sentido de um conceito no contexto da obra de um dado autor. De fato, a lógica dos filósofos e o bom senso dos homens comuns já nos obrigariam a distinguirmos entre o que seria a filosofia e o que seria, afinal, apenas sua história.

Mas, por que, então, o filósofo brasileiro parece tão determinado a restringir sua atividade ao exercício da exegese? A resposta mais natural parece se amparar em uma crença tacitamente compartilhada de que a filosofia, a rigor, não seria uma atividade para mortais. O filósofo, rigorosamente falando, seria um ser iluminado, dotado de talentos cognitivos sobre-humanos, de tal forma que, ao dizer-se “filósofo”, o pobre professor passaria o ridículo de reivindicar para si, arrogantemente, um dom divino que o imortalizaria ao lado de um Platão ou de um Kant. Assim, ao que parece, no imaginário da academia brasileira, filósofos seriam Platão, Aristóteles, Kant... enquanto nós, simples mortais que nos ocupamos da filosofia, seríamos intérpretes das idéias de Platão, Aristóteles, Kant... Quase como sacerdotes que deveriam decifrar mensagens oraculares.

Falo sempre dos brasileiros, porque me parece que podemos constatar que uma visão tão edificante da filosofia e uma consequente atitude de perniciosa modéstia intelectual não estão presentes nos departamentos de filosofia de outros países, notadamente, é claro, naqueles departamentos de nações anglófonas, onde a historiografia parece ser praticada como atividade principal apenas por uma minoria. Neste momento, talvez eu possa justificar a referência à filosofia analítica no título de meu texto, sendo esta, ao que tudo indica, a vertente filosófica predominantemente praticada nos países anglófonos.

Porém, a princípio, não me parece que seja possível formularmos alguma concepção geral que reunisse todas as várias vertentes internas da filosofia analítica e que seria ainda uma concepção da qual pudéssemos deduzir um método único para o ensino de filosofia. O que me parece haver é algo como um modo de se conceber a própria atividade filosófica, que seria compartilhado pelos filósofos analíticos e do qual decorreria uma certa postura perante o ensino de filosofia. Falo da filosofia entendida como análise do significado de enunciados, ou como uma crítica da linguagem, e de uma decorrente intolerância hermenêutica, convertida, muitas vezes, até mesmo em um desdém diante dos clássicos.

Neste sentido, parece que podemos fazer uma constatação factual. Em contraposição aos professores de filosofia que, no Brasil, limitar-se-iam, no mais das vezes, a uma exegese modesta e caridosa dos textos clássicos da filosofia, haveria um grupo de professores, representado também no Brasil, que se auto-intitulariam como filósofos analíticos por não se limitarem (ou mesmo por não fazerem de modo algum) à reconstrução dos argumentos dos clássicos, fazendo incidir sobre eles também a crítica, senão a total e absoluta desconsideração.

“Crítica”, esta parece ser a palavra-chave para a divergência metodológica crucial que flagramos aqui. A propagação pelos cursos brasileiros de filosofia do chamado “método estruturalista” – que, segundo consta, teria origem francófona no “Cours de linguistique générale” de Ferdinand de Saussure – pode ter disseminado, ou ao menos ajudado a disseminar, simultaneamente, a percepção de uma autoridade acima de qualquer crítica com a qual seria investida a figura do filósofo clássico. Afinal, poderíamos dizer que o método estruturalista seria o método anti-crítico por excelência, porque ele se propõe a abordar qualquer texto como um sistema fechado e ensimesmado, no qual cada um dos elementos só poderia ser compreendido a partir das relações de equivalência ou de oposição que manteria internamente com os demais elementos do mesmo texto. Assim, resulta que um dos pilares do método estruturalista seria justamente a incomensurabilidade dos sistemas e das obras filosóficas. Desta forma, conclui-se que não haveria doutrinas pura e simplesmente equivocadas, mas apenas doutrinas incompatíveis com os princípios, valores e compromissos de um sistema filosófico alheio.

Ora, uma doutrina que não pode ser julgada equivocada também não pode ser qualificada como correta. Tal doutrina pode apenas ser consistente com os princípios, valores e compromissos do sistema filosófico no interior do qual foi desenvolvida. Com isso, dado um sistema filosófico, ou pura e simplesmente uma obra filosófica, cabe ao intérprete descobrir sua economia interna, desvelar sua estrutura, expor seus argumentos... sem dispor de qualquer instrumento para exprimir objetivamente qualquer tipo de juízo de valor sobre ela. Em outras palavras, a autoridade de cada filósofo, conferida pela consagração da permanência no tempo, é incontestável, cabendo ao intérprete apenas escolher, conforme sua própria idiossincrasia, aquele cujas idéias mais lhe convêm, seguro de que jamais poderá ter sua escolha desafiada. Assim, enquanto o analítico perguntaria, por exemplo: “Quais as condições para que enunciados causais possam ter sentido?”; o estruturalista perguntaria, por exemplo: “Como David Hume concebe a causalidade em sua obra Tratado da Natureza Humana?” Já o texto que lhes apresento pergunta-se pura e simplesmente qual das duas perguntas deveríamos fazer.

A princípio, o único a fazer uma pergunta verdadeiramente filosófica, e não meramente historiográfica, seria o filósofo analítico. Da mesma forma, o filósofo analítico seria o único a dispor de instrumentos que lhe capacitariam para uma crítica a Hume, para nos limitarmos a nosso exemplo, pois a resposta à sua pergunta quanto a condições de sentido seria, ao mesmo tempo, um critério que lhe permitiria avaliar concepções alheias no âmbito do mesmo problema. Com isso, o filósofo analítico, mantendo-se fiel ao espírito que perpassa, por exemplo, as tão diferentes obras de Wittgenstein, concebe sua atividade sem qualquer pretensão edificante, despindo também a tradição filosófica de sua aparência de profundidade, ao mostrar os limites por ela ultrapassados com tais pretensões, no que consiste em uma verdadeira “terapia da linguagem”. Neste sentido, não é difícil entender por que o filósofo analítico, sendo o avesso do estruturalista, tantas e tantas vezes, simplesmente descarta, em um só golpe de vista, mais de dois milênios de filosofia. Por conseguinte, enquanto o estruturalista funde filosofia e história da filosofia, ao menos para a prática dos simples mortais, o analítico tende a separar radicalmente as duas searas, crente que quem cultiva um campo nada tem a dizer sobre o outro.

Quando nos deparamos com esse contexto, compreendemos uma certa urgência do chamado “Zurück zu Kant”, filósofo que, a um só tempo, mas por razões diferentes, pode ser retratado como fundador e opositor da filosofia analítica. Tendo sido Kant talvez o primeiro grande filósofo a fazer carreira como professor universitário, é compreensível que a reflexão sobre a filosofia e seu ensino, bem como sua história permeie seu legado filosófico. Por isso, ficou famosa a máxima kantiana segundo a qual não se ensina a filosofia, mas apenas o filosofar. O problema é que, contrariando seu espírito, tal máxima parece ter sido mais mecanicamente repetida do que verdadeiramente compreendida. Vejamos.

O que poderíamos entender por “ensinar filosofia”? Penso que, na expressão, o termo “filosofia” designaria um corpo doutrinal historicamente constituído, que seria repassado de geração para geração, em um processo que geraria ou o acúmulo linear de novos conhecimentos ou um número sem fim de revoluções paradigmáticas. De qualquer modo, “ensinar filosofia”, no sentido de ensinar um conteúdo seu, só poderia significar justamente a transmissão do que Kant chama de conhecimento meramente histórico da filosofia, malgrado sua origem racional. Neste ponto, vale notar que Kant não entende por conhecimento meramente histórico da filosofia aquilo que fazemos simplesmente ao tomarmos por objeto de estudo a obra de um dado filósofo, mas, sim, exatamente, o fato de o fazermos mecanicamente:

"Qualquer conhecimento dado originariamente, seja qual for a sua origem, é histórico naquele que o possui, quando esse não sabe nada mais do que aquilo que lhe é dado de fora [...] Por isso, aquele que aprendeu especialmente um sistema de filosofia, por exemplo o de Wolff, mesmo que tivesse na cabeça todos os princípios, explicações e demonstrações, assim como a divisão de toda a doutrina e pudesse, de certa maneira, contar todas as partes desse sistema pelos dedos, não tem senão um conhecimento histórico completo da filosofia wolffiana. Sabe e ajuíza apenas segundo o que lhe foi dado. Contestais-lhe uma definição e ele não sabe onde buscar outra. Formou-se segundo uma razão alheia [...]. Compreendeu bem e reteve bem, isto é, aprendeu bem e é assim a máscara de um homem vivo" (KrV, A 836/ B864).

Fica claro por esta riquíssima passagem que a crítica, na verdade, mesmo o desprezo de Kant dirige-se àqueles que, ao se debruçarem sobre a história da filosofia, julgam ser necessário deixarem em suspenso a autonomia de sua própria razão, ou seja, àqueles que fazem história, sem, ao mesmo tempo, filosofar. Na seqüência das linhas que citei, Kant deixa claro que é preciso que o leitor seja capaz da crítica e mesmo da rejeição ao sistema estudado se não quiser se tornar a tal “máscara de um homem vivo”, isto é, aquele que, em vez de pensar, imita o pensador.

Com isso, é evidente que Kant não prega o abandono da história da filosofia para a formação do filósofo, e nem poderia ser diferente, uma vez que ele próprio foi um estudioso atento, por exemplo, de Wolff, que ele justamente usa como seu exemplo. O que Kant não toleraria seria o ensino da filosofia, entendido como ensino da história da filosofia, que visasse castrar no aluno qualquer propensão à crítica e à rejeição do sistema estudado. Pelo contrário, sendo a filosofia um conhecimento racional por excelência, o ensino da história da filosofia deveria ser instrumentalizado exatamente no sentido da formação da capacidade crítica, e isto em benefício da própria filosofia, uma vez que, segundo Kant, a razão:

"nas suas investigações transcendentais, não poderá olhar à sua frente tão confiantemente, como se o caminho que percorreu venha a conduzir diretamente ao fim; nem contar com as premissas que tomou, com tanta audácia, por fundamento, que não sinta a necessidade de se voltar muitas vezes para trás e ver se por acaso não se descobrem, na marcha dos raciocínios, erros que lhe teriam escapado nos princípios e tornassem necessário ou determinar melhor esses princípios, ou mudá-los completamente" (KrV, A 735-736/B 763-764).

Pois bem, uma razão que tem em vista constantemente a necessidade de refletir sobre a marcha de seus raciocínios não pode ser uma razão que, a maneira de alguns analíticos contemporâneos, desdenha de sua própria história. Pelo contrário, uma razão propositalmente ignorante da história da filosofia parece ser exatamente uma razão equivocadamente segura de seus princípios, o que é impossível em investigações transcendentais, quer dizer, em investigações que têm à disposição apenas relações abstratas entre meros conceitos, como também pensam os analíticos. Por outro lado, a mesma razão parece ter muito pouco ou nada a ganhar se, ao voltar-se para sua história, o faz ao modo dos estruturalistas, proibindo a crítica por princípio metodológico, ou seja, calando-se a si própria. A boa história da filosofia, perante o olhar kantiano, é aquela feita pelo historiador filósofo, que é aquele que tem a ousadia de dizer mais do que o autor estudado efetivamente disse, por dizer também o que ele deveria ter dito no lugar do que de fato disse. Em suma, para Kant, devemos fazer história da filosofia apropriando-nos da obra estudada e mantendo-a viva dentro de nós. Daí que ele tenha nos dito que podemos compreender um filósofo melhor do que ele próprio. Fosse estruturalista, ao contrário, teria dito que, se pensamos que o filósofo errou, é porque não o entendemos ainda, um princípio de caridade hermenêutica do qual uma razão autônoma jamais seria capaz.

Retomando assim a questão que formulei nesse texto acerca justamente de qual seria a pergunta mais apropriada àquele que se ocupa da filosofia, aquela do estruturalista ou a do analítico, a resposta seria que a questão do analítico (“Quais as condições para que enunciados causais possam ter sentido?”) não pode ser respondida sem o diálogo com a tradição, sob pena de converter-se em puro e simples dogmatismo arrogante, ao não se dar conta dos erros já cometidos e das descobertas já feitas. Por outro lado, a questão do estruturalista (“Como David Hume concebe a causalidade em sua obra Tratado da Natureza Humana?”) só pode ser verdadeiramente respondida por quem toma para si o problema de Hume, fazendo dele o motor de seu próprio pensamento. Assim, embora a questão do filósofo, algo como “o que é a causalidade?”, seja essencialmente diferente da questão do historiador, algo como “o que Hume pensa que seja a causalidade?”, o filósofo não pode deixar de ser historiador, já que é a leitura crítica da tradição que determina a racionalidade de sua própria posição, e o historiador não pode deixar de ser filósofo, visto que uma restrição à reprodução mecânica do pensamento alheio só poderia consistir em um treinamento para a imbecilidade.

Friday, October 30, 2009

A Última Billie Jean




Um ente nasceu ou se metamorfoseou como Michael Jackson há 25 anos em um especial de TV que comemorava os 25 anos da gravadora Motown. Foi o primeiro moonwalk... A primeira aparição do artista de Billie Jean. Fred Astaire e Gene Kelly, maiores dançarinos da época de ouro de Hollywood, ficaram simplesmente maravilhados. Astaire, aliviado, chegou a confessar que morreria em paz tendo encontrado seu sucessor.

De lá para cá, Billie Jean foi evoluindo sem jamais perder sua identidade original. Cada vez mais teatral, como diria Spielberg, ressaltando a luva única... a inesquecível fedora. Nosso Carlinhos de Jesus assinava embaixo, lembrando-se ainda da idéia genial das meias brancas, destacando os pés da entidade em movimento. Talvez atingindo o ápice da teatralidade na performance do clássico na turnê do álbum HIStory, Michael chegava com uma maleta e montava o personagem diante de todos para, finalmente, adentrar o spot de luz... momento de pura magia ("eu sempre terei que fazer Billie Jean no spot de luz rsrs" ~ MJ).

Então veio a turnê final ("the final curtain call") - This Is It. A turnê virou filme. Ninguém precisa relembrar por que. Como seria Billie Jean? Ela estaria lá? Ele... teria... tido... tempo? Vieram as chamadas para a TV, os traillers, o set list... Billie Jean estava lá, mas apenas como música sobreposta posteriormente a outras performances. Ele... não... teria... tido... tempo? Não, não era possível acreditar que aquela entidade faria seu ato final sem a assinatura de sua obra.

O filme This Is It caminha para o fim. As esperanças vão ficando para trás. Pela primeira vez, vemos não só a criatura do gênio, como seu ato de criação. As ordens para cada nota em seu devido lugar, a atenção a cada detalhe técnico. Porém... nada de Billie Jean! De repente... Kenny Ortega (não consigo mais pensar nesse nome sem ouvir a voz de Michael fazendo piada com sua sonoridade latina) aparece dizendo: "Michael estará com uma maleta executiva". Pronto! É o momento, já sabemos que a recriação dar-se-á justamente a partir de HIStory. Espera-se que o próximo take já traga MJ com a maleta e a mágica se dê pela última vez. A última Billie Jean!

Não acontece. Ele apenas planeja a posição da luz e como seu corpo será envolvido por ela, em que momento, de que maneira. Mas então, eis que um tanto de improviso, sem qualquer cenário, sem o figurino, sem efeitos... ironia das ironias... a última Billie Jean sequer tem o spot de luz e a fedora. A última Billie Jean é puramente Michael, para aqueles que ainda duvidavam de onde vinha a magia.

Começa devagar... "a-ha, não é tão bom quanto na era HIStory", já se apressam os mais céticos. Vai ficando mais rápido, mais preciso, o novo arsenal de passos vai aparecendo. A platéia vai se formando. Dançarinos e técnicos se aglomeram aos pés dele. No fim, saltam, agarram a própria roupa, socam o ar, gritam... deliram com o que viram... Kenny Ortega ("Orrrtêga" by MJ), um dos coreógrafos mais bem sucedidos da atualidade, se aproxima em êxtase da entidade: "Isto aqui é um templo... eu sou seu devoto". E this is it...

Tuesday, October 27, 2009

A Farsa do Diploma

Até que enfim, ouço a farsa do diploma sendo exposta em rede nacional de TV. O fato noticiado era a alta procura pelas vagas de gari na cidade do Rio de Janeiro, com direito a nada menos do que 50 doutores inscritos e mais de mil graduados. Felizmente, o especialista em relações de trabalho ouvido pelo noticiário para explicar a situação não se ateve à consideração talvez mais banal: nossa economia, tão louvada pelos admiradores do presidente Lula, tem um ritmo de crescimento medíocre demais para absorver tantos candidatos ao mercado de trabalho. Mas não é só isso...

Não quero aqui desmerecer o trabalho dos garis, apenas não estou interessada em medir a utilidade social, digamos assim, de profissão alguma. O que me interessa, especificamente, é o fato dessa profissão em especial não requerer grande formação intelectual, como atesta o próprio edital que convoca o concurso ao exigir apenas o ensino fundamental. Ora, além da falta de vagas, o que mais então empurra um diplomado para uma profissão que requer apenas um décimo de sua titulação? Simples, como destacou a reportagem, mesmo que sem maiores aprofundamentos, estamos colhendo os frutos da má formação escolar. Ou seja, diferentemente do que muitos querem fazer parecer, não adianta nada manter o sujeito nos bancos escolares por anos a fio apenas para lhe oferecer um canudo ao final da jornada.

Antigamente, sabíamos que nossos avós seriam inaptos para o exercício de certas profissões, porque eles concluíam apenas o primário. Agora, estamos diante de uma nova realidade: a turma do primário mal feito, como diria o Zé Simão, que, graças à progressão continuada (explícita ou não), virou também a turma do secundário mal feito, do ensino superior mal feito... Eles obtêm o tão almejado diploma, mas não a competência necessária para o exercício da profissão. Resultado: viram garis do mesmo jeito!

Está mais do que na hora de encararmos de frente o fato de que o aumento do grau de escolaridade dessas pessoas não passou de uma grande armação, literalmente, para gringo ver. Talvez, estejamos impressionando o Banco Mundial e não sei mais quais organismos internacionais que possam se entusiasmar com esses índices, mas quem contrata sabe que não pode contar com esses profissionais para nada. Pelo contrário, seus avós, do tempo do primário bem feito, deviam estar mais bem qualificados do que eles, com seus mestrados e doutorados que só servem para ocuparem uma moldura na parede.

Está na hora, acima de tudo, de uma mudança de mentalidade. Infelizmente, o Brasil elegeu um chefe de Estado sem diploma, não por desvalorizá-lo, mas por não valorizar o próprio conhecimento. Se déssemos valor ao "saber fazer" em si, nem precisaríamos perguntar a alguém se ele possui um diploma ou não. Simplesmente, observaríamos sua conduta profissional e seus resultados. Ora, estas são coisas para as quais nossas escolas não estão preparando ninguém. Estamos apenas usando o diploma como um escudo para farsantes. Uma jogada que vai ficando manjada.

Um exemplo: decretos governamentais exigem um diploma para a ocupação desse ou daquele cargo, então facilita-se a obtenção desse diploma. Damos, com isso, a aparência de termos pessoas qualificadas ocupando aquelas vagas, quando, na verdade, elas ficariam melhor se estivessem vazias, afinal, ao menos assim não causariam tantos estragos.

Tornarei meu exemplo mais concreto. Um decreto do governo do PR exige que, dentro de alguns anos, os professores de filosofia da rede estadual de ensino sejam todos formados em filosofia. Paralelamente, um programa da Capes propõe às universidades públicas que ofertem cursos para turmas fechadas (portanto, sem processo seletivo) de professores da rede a fim de que eles obtenham o diploma referente às disciplinas em que lecionam fora de suas áreas.

Particularmente, eu acredito que um historiador auto-didata poderia dar uma aula de filosofia muito melhor do que a de um dos tantos licenciados em filosofia mal formados que existem por aí. Porém, sejamos francos, a grande maioria dos professores da rede pública de ensino não domina nem mesmo o básico de sua própria área. Alguém aí acredita que vão dominar os conhecimentos de uma segunda área por causa de um curso rápido de finais de semana que não reprovará ninguém nem na entrada nem na saída?

Ah, quem se importa com os conhecimentos que eles dominam? Ouvimos argumentos do tipo: "pior é que não vão ficar". Não sei, honestamente, não sei se conseguiríamos piorá-los, mas sei que uma coisa vai mudar na situação deles: eles receberão um diploma que funcionará como um escudo protetor mantendo-os nas vagas que ocupam. E, depois, vamos entrar para o primeiro mundo, porque conseguimos os jogos olímpicos. Então tá...

Wednesday, July 29, 2009

Ele Está de Volta!

Não é que, às vezes, coisas boas também acontecem!! Go, Schummy, mostra para esses pangarés como é que se faz!!

Felipe, nada contra você, mas, que tal, voltar só ano que vem?

Tuesday, June 30, 2009

Nosso Michael


Peço perdão aqueles que nos acham patéticos, mas vou postar o texto abaixo para confortar meus amigos fãs e também para os curiosos que, diante do Michael Jackson da grande mídia, que voltou ao ataque antes mesmo que ele fosse enterrado, se perguntam como podemos ser tão loucos de amá-lo. Nosso Michael é este aqui, descrito por Miko Brando, uma das pessoas mais próximas a ele, bem como por qualquer outro que realmente tenha se aproximado dele:


"Michael foi meu ídolo. Ele tem sido minha figura paterna desde que meu pai morreu. É estranho viver sem ele. Eu nunca serei o mesmo e eu não sei nem mesmo se eu superarei essa perda. É como perder seu companheiro, alguém que você sempre pensou que estaria ali. Simplesmente não é certo. Ele significava muito para mim. Eu me sinto como uma pessoa diferente da que eu era antes de quinta-feira. Eu me sinto perdido. Ele foi um bom amigo por tantos anos.

Eu guardo como um tesouro o tempo que passei com Michael. Nós íamos às compras juntos, íamos a Disneylândia, viajávamos, passávamos um tempo na casa do papai. Ele simplesmente vinha e montava acampamento na casa do papai por algum tempo. Eu gostava de conversar sobre música, comer junto e me divertir com Michael. Nós simplesmente éramos bons amigos, é o melhor modo de colocar isso. Ele sempre esteve lá para mim quando eu precisei dele e eu gostaria de pensar que eu sempre estive lá para ele.

Eu realmente não tenho uma única memória de Michael que não seja assim. É duro quando se trata de amigos de longa data como nós. Minhas melhores memórias são do tempo que nós passamos conversando, ele me abraçando, tendo boas conversas e eu fazendo-o rir. Eu realmente gostava de fazê-lo rir. Eu dizia uma poucas coisas, só umas poucas palavras no ouvido dele e eu conseguia uma risada dele. Rapaz, ele tinha uma risada contagiante.

Acima de tudo, Michael era uma pessoa que se importava com os outros. Ele tinha muito amor no coração. ele se importava com todo mundo, especialmente com as pessoas nas ruas. Ele não era metido, não tinha ego e ele tentava encontrar tempo para estar com todos, porque ele não queria ferir os sentimentos de ninguém. Se ele achasse que tinha feito algo errado, isso realmente o incomodava. Ele tinha mais amor do que qualquer um que eu conheça.

O Michael que eu via todo dia era um que amava seus filhos. Eles eram seu foco principal. Ele era um homem muito ocupado, mas ele sempre queria ter certeza de que as crianças estivessem sendo bem cuidadas.

O que muitas pessoas talvez não saibam sobre Michael é como ele era bom com os negócios. A turnê que ele estava planejando é um exemplo perfeito. Ele era um perfeccionista e ele sabia exatamente o que ele queria e como conseguir. Tudo que dizia respeito à turnê tinha que ser aprovado por Michael. Simplesmente porque ele não vinha aparecendo na TV ou saído muito em público recentemente, isto não significa que ele não estivesse ocupado e ativo. Muitas pessoas têm especulado que ele estaria realmente estressado sobre a turnê, mas eu não acho que ele estivesse. Era a mesma rotina de turnês passadas.

Eu tenho pensado se haveria quaisquer similaridades entre Michael e meu pai, e eu não consigo pensar em nenhuma. Você já ouviu que os opostos se atraem? Eu acho que isso explica a amizade deles. Eles não tinham absolutamente nada em comum, mas quando você os coloca juntos, você não consegue separá-los. Ele amava o meu pai e eles passavam muitos dias juntos na casa do papai e em Neverland. Eles eram muito próximos.

Michael foi providencial ajudando meu pai durante os últimos anos da vida dele. Por isso eu sempre estarei em débito com ele. Papai tinha dificuldades para respirar em seus últimos dias e ele passava muito tempo ligado ao oxigênio. Ele amava ficar ao ar livre, por isso, Michael o convidava para Neverland. Papai sabia o nome de todas as árvores e flores lá, mas, estando no oxigênio, era difícil ele andar por lá e ver tudo, um lugar tão grande. Assim, Michael conseguiu para o papai um carrinho de golf com um tanque de oxigênio portátil para ele poder sair e curtir Neverland. Eles simplesmente dirigiam por lá, Michael Jackosn, Marlon Brando, com um tanque de oxigênio em um carrinho de golf.

Alguns dos melhores momentos que eu passei com Michael foram simplesmente aqueles em que estávamos sentados em um banco na rua principal da Disneylândia. Nós apenas sentávamos lá e observaríamos as pessoas. Algumas vezes, Michael estava disfarçado para não ser reconhecido, mas as pessoas sempre o reconheciam. Quando ele estava de mau-humor ou para baixo, eu simplesmente dizia: Michael, o banco, e isso o animava. Se eu sabia que ele queria se divertir, ou simplesmente sair, eu dizia: vamos ao banco, e nós íamos.

Certamente, Michael Jackson em um lugar público como a Disneylândia atraía multidões e alguma vezes nós tínhamos que levar seguranças conosco. Mas eles não iam para proteger Michael, eles estavam lá para proteger a multidão. Ele nunca se preocupava consigo próprio, mas sim que alguém poderia se machucar no tumultuo de pessoas que queriam vê-lo. As pessoas simplesmente enlouqueciam quando elas viam Michael Jackson.

Michael raramente chorava, mas eu acho que ele estaria aos prantos com a reação à sua morte. Ele estaria maravilhado e feliz que tanto do amor que ele deu voltou das pessoas que ele amou. Eu acho que ele respiraria fundo e simplesmente diria: obrigado.

A família ainda está planejando o funeral, mas eu acho que Michael iria querer uma celebração. Ele ia querer todo mundo lá. Ele amava seus fãs. Eu tenho convivido com um monte de grandes astros do cinema, mas os fãs de Michael são mais do que fãs. Ele sabia que os fãs tinham feito ele e ele não ia querer deixar ninguém de fora. Todo lugar onde ele ia, os fãs estavam lá. Ele me dizia que os fãs sempre sabiam o que ele estava fazendo. Eu não acho que alguém tenha tido fãs como os dele. Assim, Michael ia querer um funeral que incluísse seus fãs e os fizesse felizes. Ele iria querer dizer: Eu ainda estou com vocês e nós sempre estaremos juntos. Ele estava feliz e ele queria fazer todo mundo ao redor dele feliz. No final das contas, ele queria amor. No final das contas, Michael era amor."

Friday, June 26, 2009

"Eu não ficaria surpreso se a Terra parasse de girar amanhã"

No final das contas, foi Will.I.am quem resumiu tudo que estou sentindo agora. Eu não sei se ele era louco, só que ele era minha loucura. Obviamente, nunca lidei bem com isso. Imagine só. Uma menina metidinha à besta, posando de intelectual, escondendo uma pasta com recortes de jornais. Assim eu era aos 14, 15 anos... Mas a coisa começou muito antes e a verdade é que sempre soube que nunca iria terminar. Minha mãe sempre me conta a mesma história. Como era impossível me tirar da frente da tv quando eu tinha 2 ou 3 aninhos e os clipes de Thriller iam chocando o mundo um a um, chocando quase tanto quanto a notícia de ontem. Particularmente, minha primeira lembrança é mais tardia. Eu cantarolava Bad no caminho para a escola primária. Disso lembro bem... Aí, um dia, quando eu estava pelos 12 ou 13, vi a notícia de que o clip de Black or White (BOW, para os íntimos) iria fazer sua estréia em rede mundial. O mundo ia parar, os brasileiros, diante do Fantástico. Estava na casa do meu avô com a família. Implorei para irmos logo embora para eu não correr o risco de perder a oportunidade de gravar o acontecimento.

Naquele tempo, eu acompanhava tudo pelos jornais impressos e revistas (eu tinha um acordo com a dona da banca, ela me deixava folhear todas as revistas e eu comprava todas em que ele aparecesse). Engraçado! As matérias eram sempre ofensivas. Nada desse endeusamento desenfreado com o qual vocês estão sendo bombardeados agora. Lembro bem de uma reportagem que tirava sarro do clip seguinte a BOW (falando nisso, ele odiava que a gente dissesse "clip"): Remember the Time. O tom não era só jocoso, era rancoroso. Eu tomei a ofensa como pessoal, sei lá por que diabos, mas dei de ombros e recortei a foto. Guardo até hoje. Foi uma das primeiras. Talvez a segunda. A primeira mesmo foi uma que guardei com a maior vergonha, e só por consideração à minha tia. Ela recortou do jornal e me entregou: "é dele que você tanto gosta, não?" Eu guardei dobradinha no porta-moedas da carteira. Coisa de adolescente boboca guardar foto de ídolo pop. Tenho-a até hoje: com as dezenas de marcas de dobras.

Naquela época, não existia internet (ele comemorou seu advento para se comunicar com os fãs). Coisa comum em casa era o grito: "Miiiichaaaeell"; vindo de alguém da sala. E lá vinha a Andrea trombando em todos os móveis para pular desesperada na frente da TV. Acabava a matéria, dane-se se falassem mal, eu dizia toda feliz: "eu vi ele, eu vi ele". É, com o erro assim mesmo, era assim que saía. Tinha virado a brincadeira da família (que parou para chorar junto comigo ontem).

Porém, um dia, vi no jornal que a tal da internet tinha um site com notícias dele. Era feito pelos fãs. MJIFC, não? Eu tinha acabado de comprar meu primeiro computador. Pedia para minha mãe entrar no site no trabalho e salvar as notícias em um disquete. Oh, coisa boa, pela primeira vez na vida, notícias sem ódio, sem malícia. Ato contínuo, comecei a graduação e podia usar os computadores do laboratório da universidade. Demorava um século para uma foto carregar. Eu salvava todas em disquetes. Não tenho mais como abrir disquetes. Guardo todos em caixinhas até hoje.

Mas eu pulei um pedaço da história. Entre os 12 e esses 17, eu comecei a encontrar a pessoa por trás da máscara, da fedora, do óculos, da luva... do artista. Cheguei no colégio um dia e fui presenteada por uma colega. Eram umas páginas arrancadas de uma revista que traduziam uma parte da auto-biografia dele (é, todo mundo que me conhece me presenteia com coisas assim). "O céu não tem que ser pintado de azul, o desenho não tem que estar no centro da folha de papel". Guardei essa frase até hoje. Precisava dizer alguma coisa a mais? Se precisava, ele disse no portão de casa, citando: "Minhas leis e as leis de Deus, vergonha a quem pensar mal disso".

Não existia convenção social para esse homem. Costumes, nada disso o afetava. Ele era uma aberração mesmo. A imprensa sempre teve razão. Só uma aberração conseguiria ser tão trágica e dolorosamente individual. Se não era uma lei de Deus (a lei moral, para ele), não há regra neste mundo que ele não tenha violado. Na verdade, nem se tratava de violar. Elas simplesmente não existiam para ele. Por isso, ele estava tão fora do alcance da nossa compreensão.

Olhar para ele era ter que encarar nossos limites. Por que somos como somos se não é necessário que o sejamos? Pois é, através dele é que descobríamos que não era necessário que o fossemos: "E se eu quiser colocar uma pinta aqui [ele dizia apontando para a testa], e se eu quiser um terceiro olho?" A gente teria que dizer: "É, você pode, eu é que não dou conta de tolerar isso". Isso é que doía tanto em tantos. Isso é que o fazia tão odiado. Daí que eu fui aprendendo a razão de ser de tanto ódio contido naqueles meus primeiros recortes. O executivo da gravadora ordenava que ele tirasse fotos com alguma super-modelo, ele posava abraçado com o Mickey Mouse na Disney! Esse era o Michael. O único verdadeiro subversivo do pop. Por isso, o Peter Pan do Pop.

Não é que ele tivesse um intelecto infantil, fizesse beicinho e birrinha sem motivo. Nunca tive notícia de nada nesse sentido. Ele pregava a inspiração nas crianças, ao mesmo tempo em que esclarecia que não estava dizendo para fazermos criancices. Ninguém entendia! A criança dele era meio que um bom selvagem: a pessoa que ainda não foi determinada por convenções que soarão como dogmas instranponíveis, quando o próprio mecanismo da socialização tiver sido encoberto para nossos olhos.

Ele era o Peter Pan. Nós, sua legião de fãs, os garotos perdidos. Liz Taylor, sua Wendy (e eu que achava que ele é quem sofreria a morte dela). No fundo, todo mundo sabia como a história terminaria. Peter não pode crescer. Os garotos perdidos têm que crescer. Eles se separam no final. Peter volta sem eles para Neverland. Mas a visita de Peter em nossa janela à noite, nossa temporada na Terra do Nunca... nada foi em vão. Nós ficamos, ele se foi, envelheceremos, ele não! Mas será que cresceremos mesmo? Mentira! Só guardaremos as aparências. Antes de partir, ele ensinou o essencial: "Neverland é um lugar na mente". Aquela que ele construiu na matéria era só um modelo sensível para a gente entender a idéia regulativa. A vida dele era também um modelo sensível dessa idéia regulativa. Agora a gente entendeu. A missão dele está cumprida. Podemos ficar para sempre na Terra do Nunca...


Keep Michaeling...

Sunday, May 31, 2009

Mendicância Disfarçada


Sabe quando você está com alguém e ele encontra um conhecido com quem tem assuntos que não lhe interessam nem minimamente? Pois é, pessoas educadas se esforçam para participar da conversa, fingem interesse e tal. Já eu procuro desesperadamente por algo que me distraia no contexto... mesmo que seja uma revistinha da avon! Bom, ainda bem que não era de cosméticos, afinal, estas são até mais tediosas do que a conversa da qual eu fugia. Vendiam de tudo ali, de CDs a chinelos com penduricalhos. Mas o que chamou a minha atenção foi uma pulseirinha bem vaga-bunda. Com ela, queriam angariar fundos para uma cruzada contra a violência doméstica sofrida pelas mulheres brasileiras, uma causa que julgo das mais nobres, por sinal. O problema, para mim, então não era o fim, mas o meio: vender a tal pulseirinha. Você pagava uns R$5,00 e eles prometiam doar mais de R$4,00 para entidades e projetos em prol da causa. Como esta advertência vinha em destaque no anúncio e o produto era bem desinteressante, até para os padrões da revista, suponho que queriam convencer as pessoas a comprarem-no pelo bem da causa. Mas então por que não pedir o dinheiro para isso de uma vez?

Lembrei-me também do bonequinho ("Fernando", acho) da campanha do hospital do câncer de Londrina. A propaganda na TV deixa claro que o argumento para a compra não se baseia em nenhum benefício que o produto traria ao consumidor, mas sim na doação de parte do valor pago para o hospital. Ora, por que não pedem a doação de uma vez? O mesmo tem ocorrido frequentemente com quem faz campanha para caridade em prol de si próprio, ou seja, pede esmola. É o chavão da vez: "compre, por favor, para me ajudar". Bom, se o objetivo da minha compra for este, não é muito mais racional que eu dê o dinheiro e deixe o produto para lá? A própria confecção do produto não se torna um simples desperdício de matéria-prima, energia, tempo, etc... quando ele é convertido em simples máscara para a mendincância?

Quer dizer, do ponto de vista ambiental, esse tipo de "comércio" não passa de uma agressão inútil à natureza. Do ponto de vista de nossos interesses egoístas, ele não passa de uma desculpa para que sejamos importunados com um verniz de legitimidade, afinal, oficialmente, isso não é mendicância. Já de um ponto de vista humanitário, ele provoca piedade, porque revela a absoluta inaptidão do boa parcela da nossa população para o livre mercado. Essa gente não tem a menor noção do significado da palavra "empreendedorismo". Criaram um conceito maluco de "comércio" sem contrapartida! Eles não têm condições de sobreviver, porque tudo que sabem fazer é pedir, até mesmo quando parecem vender.