sábado, 28 de abril de 2012

Ah, papai, deixa, por favor!



Ontem à noite, eu passava os canais, quando uma TV estatal brasileira (já começa bem!), a TV Brasil, me informou que uma questão de extrema relevância volta a ser debatida por nossos ilustres representantes: o Leviatã deve ou não permitir que supermercados vendam remédios para os quais não se exige receita médica? Vejam só, estamos falando de medicamentos que dispensam a prescrição médica, que, por si só, quando cobrada, já é uma violência estatal contra nossa liberdade.

Agora, vamos fazer de conta que somos bem trouxas... opa, nem precisamos fazer de conta, pois somos mesmo, quase me esqueço... :-) Reformulando então: como somos bem trouxas, nós acreditamos que este debate não diz respeito, sobretudo, a mais uma ingerência indevida do governo na economia, determinando quem pode ou não concorrer em qual setor. Como bons trouxas que somos, acreditemos no discurso oficial sobre a preocupação com nossa saúde, pois ele já é suficientemente revoltante. O cretino do ministro da saúde, por exemplo, em outras palavras, anda dizendo: "será que podemos deixar medicamento ao alcance das crianças?"

Esta discussão que eu nem vi nos maiores noticiários (também, não vejo todos) acaba sendo um belo retrato do povo brasileiro. Um ou outro até reivindica, sempre incoerentemente, o direito isolado de fumar maconha ou de se unir ao companheiro do mesmo sexo, mas, em geral, ninguém dá a mínima para a tutela sistemática exercida pelo nosso Leviatã metido à supernanny. Pelo contrário, é disso que o povo gosta, é isso que o povo quer.