terça-feira, 8 de maio de 2012

Chocolate e protecionismo

No último Mundo S.A., aquele programa da Globo News, a Lacta teve a cara-de-pau de se gabar de dois fatos que envergonhariam qualquer fábrica de chocolate do mundo: Primeiro, seu chocolate é mais "docinho e ao leite", leia-se, leva menos massa de cacau e mais açúcar e leite. Segundo, ela só vende no Brasil, não exporta nem para o Paraguai. Como quem quer tripudiar da nossa inteligência, a Lacta ainda diz que atende bem ao "gosto do brasileiro", mostrando como os dois fatos acima estão conectados.

Ora, não se pode falar em gosto, no sentido de "preferência", se você não conhece alternativas. Por mais subjetivo que seja o paladar e, portanto, por mais empírica/contingente que seja esta minha aposta, eu duvido muito que alguém prefira um chocolate Lacta uma vez que prove, por exemplo, um Lindt.

O que a Lacta vende como "gosto do brasileiro", na verdade, é a falta de opção do brasileiro, condenado pelo Leviatã a pagar quase R$20,00 por uma barra de chocolate Lindt, justamente para que ele não descubra a porcaria que é o leite com açúcar que a Lacta vende. E assim funciona o protecionismo: o empresário local pode se acomodar e oferecer a porcaria que ele quiser ao consumidor, porque este último nem desconfia do que ele poderia consumir pelo mesmo valor. Por que, afinal, a Lacta aumentaria a quantidade de massa de cacau no seu chocolate e, portanto, o custo do seu produto, comprometendo seus lucros, se ela só tem a temer a fraca concorrência nacional?

Nos EUA, por exemplo, um mercado muito mais livre do que o nosso, apesar dos Democratas no poder, o chocolate Lindt, importado também lá, é vendido praticamente pelo preço do chocolate Lacta no Brasil. Resultado? Existem marcas americanas quase tão boas quanto a Lindt. As inferiores, por sua vez, são bem mais baratas.

Assim, eu pergunto, a quem serve o protecionismo? Bom, a resposta a essa pergunta, o presidente da Lacta conhece muito bem.