domingo, 3 de novembro de 2013

O estatismo e o medo da revolta dos escravos


Durante a semana, uma blogueira que não cito, porque, na minha opinião, ela já recebe muito mais atenção do que merece, cuidou de insultar libertários jogando-nos na vala comum dos conservadores reacionários. Ora, por menos que você, leitor, saiba sobre libertarianismo, você há de convir que soa no mínimo estranho classificar como conservadora e/ou reacionária aquela posição política favorável à liberação das drogas, ao casamento gay, etc...  Mas não foi a primeira vez que um pseudo-intelectual com dificuldades para assimilar mais de dois conceitos se deu ao trabalho de nos desqualificar assimilando-nos a tudo que combatemos na velha direita. Infelizmente, a verdade é que os estudos sobre o libertarianismo não têm crescido proporcionalmente a essa gritaria que sobe de tom a cada dia. 

O que me chama a atenção é que os gritos que temos ouvido, aparentemente, são gritos de medo. Percebendo isso, eu tenho me perguntado: medo de quê? Não, não acho que seja o medo de que os pobres fiquem sem assistência, caso essa tenha que ser oferecida voluntariamente, como prega o libertarianismo. O que me parece é que, por menos que eles saibam sobre a doutrina libertária, eles já descobriram que o resultado de sua assimilação é um escravo indócil, infeliz com sua condição. Agora, por mais fortes que sejam as forças armadas de um Estado, não se engane, em alguma medida, todo Estado depende da cooperação voluntária de seus cidadãos, ou seja, depende de que eles não se considerem suas vítimas, como Nozick, por exemplo, aponta em Anarquia, Estado e Utopia

É aqui que o libertarianismo se mostra como a maior ameaça política de nossa época. Antes de ser uma filosofia política proponente de uma forma de governo, o libertarianismo é uma teoria moral que ensina que a resistência é legítima sempre que a força é exercida contra um não-agressor, não importa quem a exerça. Pode ser um rei em outro continente, pode ser a maioria dos seus vizinhos... segundo o libertarianismo, ninguém pode exercer poder sobre você sem seu consentimento expresso, a menos que sua ação ou sua conduta em geral já se constitua como um exercício de poder ilegítimo sobre outra pessoa. Em suma, a força, sem o consentimento explícito prévio com aquela autoridade, só pode ser exercida para barrar o uso da força.

O que sobra do Estado se muita gente assimilar esse direito de resistência? Bom, parece que muita gente anda percebendo... e temendo.