terça-feira, 5 de novembro de 2013

O sal e o paternalismo


Matérias como a do Jornal Hoje sobre o governo estabelecendo limites para a quantidade de sódio em alimentos industrializados me causam um profundo desgosto com relação à cultura em que vivemos. Eu, particularmente, nunca compro um produto no supermercado sem conferir antes a quantidade de sódio que ele contém. Se julgo excessiva e não há concorrente oferecendo uma quantidade menor, eu simplesmente desisto do produto. Nem lembro quando foi a última vez em que consumi uma "sopa de pacotinho", por exemplo. Por que vocês não podem fazer o mesmo? 

O governo diz que precisa olhar tudo por nós, fazer escolhas por nós, porque somos muito estúpidos para julgarmos e decidirmos por nós mesmos. Por sinal, o "P" em cada sigla de partido no Brasil poderia significar "paternalismo". O problema é que o paternalismo é um círculo vicioso. Muitos nem pensam em checar a embalagem dos alimentos para verificar o que estão prestes a comer, pura e simplesmente porque pressupõem que o governo já checou tudo por eles. 

É da natureza de poucos, afinal, quererem caminhar com as próprias pernas, tomando a iniciativa ousada de largar da mão dos pais. Via de regra, o pai é que tem que largar a mão do filho, deixar que ele caia algumas vezes, não dar muita bola para o choro, etc. O problema do nosso pai Estado é que ele nunca vai largar a nossa mão por iniciativa própria, pois ele não quer que descubramos que, de repente, ele é que não pode andar sem nós...